Preencho-te, contorno-te o corpo com as letras que te invento. Faço-te, numa história de encantar, um instante por revelar. És folha branca onde deito as frases que me inspiras, é virgem imaculada onde entrego em caracteres os sonhos que me despertas. Sinto o sabor da tua pele, gosto salgado de um mar por secar, lugar macio como seda onde adormeço. És palavra, corpo de poetisa, alma vagante, que me afaga o corpo com a carícia das rimas. És dia, és luz perpétua, movimento constante que se entrega numa onda sobre a areia solta da praia. Traços, sobre curvas apertadas, contornam a tua silhueta, escrevo-te ao sabor do vento, em campo aberto, entre os seios doces que me ofereces, por entre as sombras das tuas formas desnudas, por todo o teu ser, até tocar a alma, nesta melodia inconstante que é o fogo da paixão, o prazer que se solta de entre mãos. De teus cabelos colho o perfume, fórmula mágica que me enfeitiça, água fresca que me desperta para este mundo mágico, nova dimensão, sensação de prazer eterno onde cada letra representa um toque, onde cada palavra é um beijo e cada parágrafo um abraço terno e sensual entre nossos corpos.
quarta-feira, julho 18, 2007
PERGAMINHO
Preencho-te, contorno-te o corpo com as letras que te invento. Faço-te, numa história de encantar, um instante por revelar. És folha branca onde deito as frases que me inspiras, é virgem imaculada onde entrego em caracteres os sonhos que me despertas. Sinto o sabor da tua pele, gosto salgado de um mar por secar, lugar macio como seda onde adormeço. És palavra, corpo de poetisa, alma vagante, que me afaga o corpo com a carícia das rimas. És dia, és luz perpétua, movimento constante que se entrega numa onda sobre a areia solta da praia. Traços, sobre curvas apertadas, contornam a tua silhueta, escrevo-te ao sabor do vento, em campo aberto, entre os seios doces que me ofereces, por entre as sombras das tuas formas desnudas, por todo o teu ser, até tocar a alma, nesta melodia inconstante que é o fogo da paixão, o prazer que se solta de entre mãos. De teus cabelos colho o perfume, fórmula mágica que me enfeitiça, água fresca que me desperta para este mundo mágico, nova dimensão, sensação de prazer eterno onde cada letra representa um toque, onde cada palavra é um beijo e cada parágrafo um abraço terno e sensual entre nossos corpos.
EM LISBOA
Já um escuro vem do horizonte, ou a luz se perde do olhar. São os campos perdidos e os montes que se estendem pela noite devagar. São tantos os caminhos e os dias, tantos como a saudade que se tem, talvez um sabor leve de maresia, talvez lembrança do sabor de alguém. Em lisboa, estendida sobre o rio, em lisboa de mil amores perdidos. Só de quem puder sentir que há um mar em ti escondido. Será do luar o brilho intenso, será do olhar de quem eu quero, que faz ir-se perdendo ao longe o escuro e faz ir-se calando desespero. Enquanto o dia vem, enquanto a noite vem, e um desassossego acorda alguém. Uma canção distante lembra outro sonho e outro olhar. Ai se toda a saudade pudesse enfim acalmar. Em lisboa, estendida sobre o rio, em lisboa de mil amores perdidos. Só de quem puder sentir que há um mar em ti escondido. in Mafalda Veiga "Lisboa de Mil Amores"
Pudesse a saudade acalmar por entre teus braços estendidos...
EMOÇÃO OU PSICANÁLISE
Talvez a definição de obscenidade seria, pois, a de tornar real, absolutamente real, alguma coisa que até então era metafórica ou tinha uma dimensão metafórica. A sexualidade sempre tem - tal como a sedução - uma dimensão metafórica. Na obscenidade, os corpos, os órgãos sexuais, o acto sexual, não são mais "postos em cena", e sim grosseira e imediatamente, dados a ver, isto é, a devorar, são absorvidos e reabsorvidos no mesmo acto. É um "acting out(1)" total de coisas que, em princípio, seriam objecto de uma dramaturgia de uma cena de um jogo entre parceiros.Aí, não há jogo algum. Não há dialéctica, nem distanciamento, apenas uma colisão total dos elementos.
Não existem palavras certas, não existem realidades absolutas... se nos concedermos alguns momentos honestos a nós próprios certamente chegaremos à conclusão que a obscenidade existe apenas e só na mente de cada um de nós e a partir de nós é posta em prática os actos que poderão chocar o que socialmente se impôs como "naturalmente correcto".
A sedução é algo intangível porque reside dentro do hemisfério das emoções e excitações que apenas nós, individualmente, conhecemos e aceitamos... sim é certo que muito mais partilhável e compreendido entre muitos... Seduzir... ser seduzido... é Arte... não deveremos enquadrar essa arte como obscenidade porque de nada ela própria tem... a partir do que socialmente se encontra estabelecido pelo facto de que não é explícita... mas sim... implícita, num gesto, num olhar, numa palavra sussurrada, numa folha de papel onde navegam emoções.
Polémico? Apenas na mente de cada um de nós... porque se vivido com Amor, emoção partilhada a dois, a Arte de Seduzir consegue a proeza de se transformar num orgasmo de sensações.
Sim... porque adoro Seduzir, ir ao pormenor da emoção e transforma-la pelo avesso... e sim... adoro ser Seduzido...
(1)Termo psicanalítico que significa actuação, representação.
"Um breve momento de desabafo metafórico... ou não!"
terça-feira, julho 17, 2007
NÃO SÃO MITOS
Quebramos todos esses compromissos que insistentemente invadiam a nossa liberdade. Com essa coragem de um touro juntaste-lhe a audácia do leão e o comedimento da simplicidade. Mantivemos a subtileza e assim no dia e na noite, continuamos a decifrar a peça principal onde os actores somos nós, gozo essencial dessa permanente descoberta, do sonho, e nele mesmo permanecemos mergulhados.
Perseguimos a saudade, como que graciosamente numa ebulição ininterrupta onde mesmo longe, nos faz perpetrar cantos e encantos à madrugada, sempre, no agora, no amanhã.
Agora ao segurar a tua voz sinto o corpo a tremer, como se a comer frutos silvestres, suavemente acerejados de mel e sim, espalhados por todo teu corpo.
Agora ao adormecer com a tua voz, o espaço e tempo transformam-se, é fundir, nossa pele, nesse olhar que me arremessas, por entre cada onda de prazer.
Amanhã ao acordar com a tua voz será a certeza, o desnudar, um novo amanhecer por entre teus braços de amor, no teu fogo de mulher.
segunda-feira, julho 16, 2007
QUERIA TANTO...
Pára com tudo... Não digas nada...
absolutamente nada...
sim, sou eu que te peço...
fecha os olhos e fixa a imagem nos teus olhos...
sim sou eu que te agarro a mão e beijo tua boca numa ânsia desesperada em sentir de novo o teu sabor vibrante e doce...
Vem... até mim... quero contigo partilhar as noites junto ao rio, os archotes que nos iluminam a noite, o cheiro da cidade por entre nossos rostos que se aproximam sorrateiramente em busca de um beijo.
Acordo a pensar em ti e contigo adormeço nos braços dos meus sonhos...
Queria tanto te abraçar neste instante...
Queria tanto te beijar neste momento...
Queria tanto saborear o teu olhar no meu...
Queria tanto ter-te aqui, agora, comigo...
sábado, julho 14, 2007
INSTANTES
quinta-feira, julho 12, 2007
LEVA-ME
Esta noite, conduz-me.Leva-me para longe enquanto a noite misteriosa se transforma em dia.Deixa-me na pele as marcas da paixão, do tesão. Para que de manhã, toda a alma lavada se sinta vazia. E o corpo dorido e cansado faça ver toda a vida de uma forma muito mais leve.
Crava-me as unhas na pele, desliza todos os dedos em mim. Sua-me o corpo, aperta-me com os teus braços, puxa-me para ti, diz que me queres.
Desabotoa-me as calças, rasga-me a roupa, deita tudo fora, tudo o que prende por dentro.
Agora.
Passa-me a lingua no pescoço, nas costas, entra em mim, chama o meu nome.
Esgota-me.
Tira de mim o fogo, liberta-me de gritos silenciosos, dos olhares perdidos, dos gemidos sôfregos que arrasto.
A noite está quente. Não me perguntes onde quero ir.
Leva-me.
Conduz-me.
Diz-me tu.
Onde me queres levar?
quarta-feira, julho 11, 2007
CHAMA ACESA EM TI
O teu poema em chama, erupção, transfusão de sangue em seda que me envolve por entre janelas voadoras que me fixam no teu olhar adocicado, porque a sede ávida pelo teu canto me faz viciado em admira-lo, é nicotina que minh'alma mendiga impaciente. Os teus lábios que fervilham a mais de trinta e nove graus centígrados, que eu à sombra sorvo cego sem olhar, que me ferram dardos sem abrolhos mesmo que deles não afluam palavras com rosto de ponte levadiça, são arcos onde transbordam rios prenhes dos teus nardos. Canta para mim, ave formosa de voz sedosa, que a cada canto avisto remansos de desejos renovados e em cada orelha há beijos emigrados à espera de ti.
sexta-feira, julho 06, 2007
PIANO
Meti a chave à porta e ao meu encontro vieram as notas musicais do teu piano de longa cauda negra. Mesmo antes de ver a expressão do teu rosto, percebo que não estás bem. Só tocas piano quando os teus dias são cansados, só quando a pressão é tão forte que te faz explodir. Nesses momentos, os teus dedos, como varinhas mágicas, transferem para as teclas, todas as emoções que habitam em ti. Invejo-as, porque lhes tocas, são aquelas teclas frias que recebem o calor da ponta dos teus dedos. São elas que são acariciadas e gemem por ti. Queria que me entregasses o teu cansasso, a tua raiva, a tua frustração, que fizesses de mim tudo o que te apetece. Hoje decidi ganhar esta guerra fria e vou entrar nessa partitura. Vou entrar no teu mundo e roubar ao piano o toque que é meu. Levo-te para um banho perfumado, passo aquele creme no teu corpo de cetim, visto-te o vestido vermelho que te escorrega lindamente no corpo. Aquele cujo decote faz adivinhar os contornos do teu peito, o redondo da tua anca, a rigidez das tuas coxas. Calço-te uns sapatos pretos agulha. Ponho-te o rímel preto nos olhos e um batom vermelho. Não esqueço o perfume em mim... aquele que te embriaga e que deixa zonza como se eu fosse um forte licor. Apago as luzes. Acendo uma vela. Queimo um incenso. Subo-te para o piano, o vestido sobe insinuando-te debaixo dele, o teu corpo nu. Sento-me perto, cruzo as pernas, e da minha boca saem sabores doces, acordes em todo o teu corpo. Levemente, deixo-te cair para trás, deposito o meu corpo na cauda do teu piano. O teu cabelo espalha-se pelas teclas. A música pára. Huuummm, e agora???
quarta-feira, julho 04, 2007
TU
Podia ser uma cama aberta no horizonte, e os teus cabelos num poente incendiado. Podia ser o teu sexo num cume de monte, e os teus seios despidos sobre este prado. A mão que esconde mais do que oferece, os olhos de presa dominando o caçador. E os teus lábios que murmuram e precede quem só reza no instante do amor.
E se falasse dos teus olhos, dos teus braços, desse corpo em que me perco e te ganho, não mais acabaria o que tem de acabar: uma respiração de suspiros e de abraços neste canto em que és tudo o que eu tenho, nesta viagem em que não tem fundo o mar.
"Nuno Júdice"
Porque adoro estas palavras... hoje escrevo-te assim.
terça-feira, julho 03, 2007
UM QUADRO, UMA ESCULTURA, UM LIVRO, UM JARDIM
Preciso das tuas palavras mais doces pois anseio pelo teu olhar mais cândido... prepara a forma dos teus braços para que quando me chegar a ti não perca tempo a aninhar-me. Por entre a tela que pintas nesse templo onde anseio por pertencer na atracção do teu pôr-do-sol. Se um dia me fosse permitido fazer um pedido, um pedido especial e único, certamente seria o de te aninhar em mim e sentir-te adormecer por entre os meus braços. Desde que surgiste no meu caminho as luzes das avenidas acenderam-se e voltei a sorrir. Inevitavelmente à luz dos teus olhos sinto a inspiração que me faltava. Sinto-me como o vento que voa sem rumo e pousa no rosto de quem se ama. livre, que se deixa repousar sem rastro, profundo. Chegas-me sempre nas primeiras palavras da manhã, por entre o desejo de sentir o aroma das flores plantadas no teu jardim onde colhes a paixão que brota por entre os sentidos que nos abraçam e depositas o bailado febril das vontades sonoras do amor por entre o ar sonando no sonho como uma nuvem que se perde e ali permanece a flutuar no teu oceano quente ao sol. Para ti absorvo o sabor de um verão em cada beijo cego que te ofereço antes de adormecer, surdo e mudo respirando de súbito, em uníssono num só frémito a insónia submersa que me provocas na vontade de te querer e que regressa pouco a pouco aos nossos braços, afogados na espuma do teu mar quando me tens junto a ti. São breves mas intensos nossos encontros, de olhos, boca, peito e mãos que se fazem por entre o corpo onde percorro todos os vãos, as linhas e os contornos que desenho qual pintor na ânsia de desenhar e decorar para mais tarde recordar. Amo sentir o passar da minha mão, carinhosamente, pelos cabelos perlados do teu calor e tenho a recompensa de um sorriso suspirado que nem os Deuses se atrevem a copiar, tal como uma nota impossível de reproduzir em qualquer instrumento e ali fico, saboreando-te a meu lado, sopro-te a fac
e, de mansinho, apenas por instantes para te refrescar e deixo-te submersa num doce sonho ao qual lentamente escrevo nesse livro que nem sabes que escreves, mas onde a autoria te pertence, nesse capítulo que te dedico e ao qual aspiro que se prolongue por o tempo passado entre nós. Sabe bem, sim sabe bem sentir as tuas palavras a escorrerem por entre os meus lábios que te procuram, a penetraram-me a pele e a percorrer-me por dentro até chegarem ao coração, deixando um rastro de fogo à sua passagem e sinto, sinto o meu corpo a queimar enquanto miro os teus olhos e perco-me nesse céu verde azulado que me ilumina a alma. Amo quando bebes minhas palavras numa doce lentidão para sentir o seu sabor. Sinto-me cúmplice em ti, cúmplice de um segredo de criança, daqueles que se fazem juras de sangue e honra a sua sede guardando-o num frasco de vidro para o contemplarmos juntos, sempre que o quisermos. Fecho os olhos e estendo a mão em teu rosto... não preciso ser escultor para saber o que desenhar por entre o partir da pedra... sei que o cinzel aguçado dedilha por entre as tramas do granito numa valsa sincronizada com o que sinto e ao som de pequenas histórias que escrevemos entre nós, e deparo-me com teu rosto esculpido no qual viajo nos teus mais doces encantos e sou teu, com vontade e com gosto. Penso em ti em todos os minutos do tempo que os dias nos trazem e sempre penso com a ternura e o amor no qual procuro recordar os detalhes, de quanto carinho para comigo existe em cada um dos teus gestos. Existe sempre na vida uma música que consome e queima nosso coração por entre a qual se tenta encontrar na nossa mente lembranças e momentos algures escritos a dois e que nos toca aquece a alma... minha música... não é feita de sonetos, de acordes ou baladas... a minha música és Tu na plenitude do teu ser, na expressão do teu olhar, fixo, perplexo, comovido, na carícia dos teus lábios que brilham, explodem, espelham toda a fúria do desejo sentido, no toque das tuas mãos por entre as quais sinto arrepios, se soltam faíscas, na medida exacta da minha atracção. Sei que sou uma carta escrita por entre letras soltas, uma brisa, um pássaro que voa por entre as ondas do luar, ácido, mel, um homem que também chora, ou mesmo um menino que implora, por entre trovoada seguida de um jardim enfeitado... Sei o que sou e sou simplesmente um Homem de alma, que te Ama!
segunda-feira, julho 02, 2007
JUST LIKE HEAVEN
Acordei agora mesmo para ti e tenho na boca o suave e doce sabor da certeza que podia dormir em tuas asas que me tocam os dedos e me levam a afagar mágoa que exista da tua alma nua de esperas, a tecer teias de enlevo por entre dores escondidas nesses teus cabelos loiros de Sul que agora se sentem tentados a acariciar teu corpo branco num vento Norte, exausto por tanto caminhar em avessos e no reverso do trevo. O teu sorriso verdadeiro e desperto não se dissolve na peça que eu escrevo, por onde insisto nas avenidas dessa cidade encontrar atalhos que me cerquem e conduzam a ti minado pelo fulgor do desejo e a vontade de te de novo sentir junto de mim.
É o orvalho que se põe em teus cabelos e deles faz a lanterna brilhante da noite que ilumina de candeia na mão a avenida que percorro sempre com teus olhos mirados nos meus. Saudades... sim essa revolução sentimental do querer simplesmente parar, deixar tudo, e rumar contigo como meu destino.
Quero-te assim deitada por entre as rosas que te ofereci e oferecer-te meus braços como almofada da tua vida e as carícias o aconchegar dos lençois de linho...
Ah feiticeira… se ao menos tu soubesses… a saudade que me cresce das tuas mãos, teu rosto, do futuro das nossas vozes e sorrisos passados que pretendo ver futuros… brevemente... ansiosamente...
sexta-feira, junho 29, 2007
LUZ QUE TE EMBALA O ROSTO
Fecho os olhos e revivo a alvorada do teu rosto como uma menina e moça de olhos derretidos num amanhecer menos preguiçoso. Fecho os olhos e releio nos lábios madrugadores os segredos que falam de fronteiras quebradas, das margens do rio que atravessamos que se aproximam num breve olhar. Fecho os olhos e deixo-me levar na corrente da seiva que nos envolve e afundo-me em teus vértices liquefeitos fundidos num abraço de carícias.
Hoje olho o rio com um brilho de saudade devorada por silêncios levados ao vento crescente de ternura.
Vejo a luz da cidade e ao longe espreita no vão de uma janela o brilho incandescente das velas que te ilumina os sentidos e o pólen que respiras das flores que te plantei à beira-rio.
A tua voz, a tua boca, os sussurros frementes que povoam minha mente, e as risadas de luz com que enterneces o meu espírito, brotam como espuma dos meus olhos que embora fechados sabem-se acordados nas imagens suspensas no tecto das nuvens. Existe um mundo lá fora ainda por explorar, vivenciar, partilhar a dois e sentir o dia nascer por entre nossos dedos que entrelaçados desenham o nascer do sol e pintam na tela de nossas vidas o semi-círculo encantado dos seus raios.
Existem desejos que embora silenciados anseiam por ser partilhados.
quarta-feira, junho 27, 2007
TRANSFORMAÇÃO
Conheço-te nas muralhas externas do teu corpo e na imensidão do oceano que te enche a alma, por entre esse caos de menina-mulher onde esboças largos sorrisos em poemas pintados nos teus lábios que me aquecem a líbido e dão asas à minha imaginação. Na dança do ventre de babel onde no teu sonho és já mulher, a vontade acude a parir a seiva que te escorre pelo corpo e transborda por dentro.Como um Anjo robusto por dentro e singular por fora, ora às portas do paraíso e a filial do desejo ardente do inferno, fogo que queima sem cessar, vestes-te numa Mulher em um corpo boleado de crenças e enroupado no macio dos teus sonhos, transformas-te em sol reinventado na minha alma de amante.
Certo dia, quando a ternura incendiar a floresta que nos rodeia e nos abraçar no denso arvoredo, cobrirás tua pele irreverente com chocolate e arrebatarás as palavras que fundeio em meu instinto e onde as visito no teu sorriso guardado.
Transformar-me-ei em Leão, guerreiro deambulante das pradarias do tempo, porto de abrigo do desejo que te dedico, senhor da musa e menina enfeitada com as flores da primavera, guardião do Santo Graal que me ilumina a Alma e aquece o corpo, árvore das minhas raízes, estrela dos meus olhos.
terça-feira, junho 26, 2007
LUA
Alvoreceu e despertaste-me de lá longe, ao meu lado. Sei que adormeces, madrugas no enlevo e transformas-te em criança-mulher ora inundada por mim, ora por ti. Abro os olhos e sinto-te, mulher que caminha por entre a areia da praia a esboçar linhas e trilhos os quais percorro e entregas-te no calor das dunas onde te desvendo aos poucos o meu sonho, onde te amanheço e se estancam as vagas de choro que o mar verte ao te ver no regresso impossível ao começo. O mar é cão, ouvimo-lo a morder enchendo-nos os ouvidos de buzio e o teu corpo quente do moliço para que oiças e sintas, no sonho, as carpideiras em pranto de lágrimas e salpicos de mar, pelo naufágio de uma fantasia de sal ao largo de um cabedelo tinto ao luar. Mas eu sonho-te, cinjo-te num abraço, alago-te de um oceano chão de ruídos. O mar é bom, envolvo-te, torno-te Lua, perto de mim, nos quartos ou cheia, com o coração espelhado a incendiar a noite desbravada onde te fazes despida, junto a mim, por cima de mim, ou dobrada no espelho de sal e areia com tua pele de tatuagens genuínas.
sábado, junho 23, 2007
CARÍCIAS
Acordei sonâmbulo como que a deambular por caminhos edificados em torrentes de palavras. Amaciei os olhos e coloquei-os nos bolsos em busca dos vendavais de carícias entretanto derramadas e cuidadosamente guardadas nas viagens do teu olhar. Agora acordado caminho pelas avenidas do dia, intensas do desejo traçado por entre dezenas de mãos desenhadas por um polvo astuto em busca do desaguar aturdido em teu corpo e passeando-me por entre o som de rugas irritadas de prazer. Neste instante, na fonte deitado ao sol nascente, percorro-te numa lenta vertigem da planície dos toques que te desenho na pele inquieta pela espera, incapaz de resistires a essa sede que nos inunda nas nossas avenidas feitas de um só sentido... Parte de mim despe-se como que injectado num estado de meiguice febril temperada ao teu sabor, salsa e rosmaninho, ferradelas atrás da orelha, mostrando-te o forno intenso do lume de meus olhos que queimam acesos, água ardente de afecto que buscam por ti. O sol está feito no seu horizonte e assim ficarei à espera da minha lua.
sexta-feira, junho 22, 2007
HARPAS E FONTES
Vá lá!... não te preocupes!... se começares a sentir umas tonturas, um formigueiro na ponta dos polegares das mãos, um gradual alívio frio nas pernas, um agradável embaciar das ideias e das memórias, não te preocupes, concentra-te na minha voz grave e suave enquanto te falo com calma sobre coisas que já te foram importantes e que agora não te interessam nada de nada. Tenta sentir o toque suave das minhas carícias no teu braço esquerdo desaparecerem a pouco e pouco, deixa-te levar pelo cada vez mais embaciado do teu olhar no sorriso que mantenho ao olhar-te e tenta sorrir para mim... A sede em lava, a leve lua dos teus dedos percorrem milhas mártires do desejo e sente o metal da fria espada pela espinha a rasgar o silêncio em finas tiras, o tinir de mil cristais e as carícias, lábios flocos de neve e de arminho e o sangue a borbulhar no sol poente lá onde o olhar rasa o infinito e as madrugadas se prolongam imprevistas, foi aí que achei o nosso ninho sempre que nos abandonamos sem partimos, como passaros tristes voamos em círculos talvez para nos alcançar um novo abismo, o penhasco, a penha, a rocha escurecida lá longe, o delírio das algas e dos lírios transformados em nós na planície calma do teu rio, a voz louca ao fundo da nuca, o grito e na ascenção silábica do beijo que sobe lentamente à minha boca e então tu bebes-me como um caminhamente ao deparar-se na sua fonte tal como a janela aberta e a noite a pique sem a planície prateada do Tejo adormecido por entre teus cabelos sem o gemido do último electrico a guinchar nos trilhos. A noite nessa cidade pequenina e ardente de memórias encerra o grito de lumes aquecidos na harpa das noites salinas por onde o mar nas dunas me traz o arrepio na pele tangida entre a seda do teu toque e as luzes do murmúrio dos teus lábios em mim. Tenho essa voz a acariciar-me a pele insidiosa em cada célula como uma tatuagem profunda no silêncio da fusão dos astros feita nas rubras esferas do desejo que rasgam as palavras para te incendiar a alma e te trazer no descanso em meus braços.
quarta-feira, junho 20, 2007
NA PENUMBRA
Noite, esta onde o teu corpo se despe na penumbra. Exaltam-se os perfumes de incenso ardentes, na atmosfera fechada deste hemisfério. Acordam-se os sentidos e arrepia-se a pele ao ritmo da música suave que toca sem cessar. Noite, esta em que te toco, em que meus dedos desenham o teu corpo nu. A língua precorre as concavidades, absorvendo o sal da vida. A respiração, compassada, acaricia-te, numa onda quente que te trás à memória o mar dos sentimentos. Esta, a noite, em que te dou, ofereço, o meu corpo despido, acordado dentro de um sonho, recebo os fluidos do teu corpo como uma benção divina do prazer que tenho em te amar. A boca, devora-te com a suavidade dos lábios que te percorrem o pescoço. Os dedos, desenham sobre a pele circulos frenéticos de prazer. Escuto, a tua respiração ofegante sobre o meu ouvido, os corpos, em espasmos frenéticos, crescem, soltando-se das amarras da gravidade. Evapora-se o perfume da pele, deixando as almas dançar sobre nós, na envolvencia desta atmosfera de luxúria e amor. Noite, esta, em que te amo o corpo, em que te afágo a alma.
ESCULTURA
Descubro-te, o corpo escondido por séculos de espera. Sopro, suave, uma brisa que aos poucos revela a tua silhueta. São pedaços de ti, que recolho aqui e ali, e junto para formar um puzzle complexo que julgo seres tu. Nas noites límpidas, olho o céu, procuro nele o brilho do teu olhar, e espero a todo o instante que venhas olhar para dentro da minha alma. Este ser, incorpóreo, feito de palavras apenas, assusta-te, e simultaneamente, provoca-te, numa sensação única que te faz procurar viver o instante, que desperta um frio no corpo, mas aquece a alma. Gritas em silêncio à noite, perguntas-lhe se realmente existe alguém assim, a noite, calada, diz-te que tens de ser tu a perceber, a descobrir. Esta noite, vou soprar de mansinho, desnudar-te o corpo, enquanto dormes, como o escultor afaga o barro, húmido, suave, que ganha forma nas mãos do criador, fazendo nascer aqui a mulher que encerra a alma, contornando a pele com a ponta dos dedos, dando-lhe vida, fazendo o sonho acontecer. Depois da criação, sento-me, olhando-a, tentando perceber quanto dela é teu, quanto dela é meu, quanto dela é nosso. Contemplo-a, procurando nas imperfeições as virtudes do ser diferente, percebendo as minhas falhas. Espero-te, na magnitude do teu ser, sem dúvidas nas palavras e sem medo de te perderes, afinal, ninguém se perde, porque sempre se guia pelos seus instintos, sempre terás em mim a mão que segurará a tua e te trará de volta da escuridão da tempestade, para a luz, da noite tranquila, em que a Lua nos ilumina os espíritos.
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