Assim que atendi fechei os olhos... tudo apenas naquele momento se resumia à ti, à tua voz. Sim chérie, o desejo de estar contigo é por demais evidente em mim. Irrequietos, assim são os meus dias e desesperos pela noite adentro. Suspirei de imediato ao te ouvir. Doce e gentil... não quero mais sentir estas arestas o silêncio... ferem-me a alma e cravam-se-me na pele... sem gumes e sem reservas. Quero desamarrar-nos deste horizonte e olhar em teus olhos... mergulhar nos gestos que me adivinhares e permitir-me sentir-lhes o sumo das palavras. Guardo no céu da minha boca o som ensalivado do verbo que anseias afagar no teus ouvidos... talvez consigas o ler em minh'alma ao melodiar meus lábios. Abro as minhas mãos e deitas-te nelas... sente-lhes o sabor da saudade, o remoínho que dança por entre elas e a loucura que percorre a ponta dos dedos na ânsia em te tocar. Permaneço irrequieto na sombra da saudade a observar cada palavra tua, cada som, cada gesto solto por entre as sílabas que me dedicas.Dedicaste-me um beijo de boa noite e isso só me encanta neste instante... saber-te a beijar-me... querer amar-te...Eu sei que em breve... muito breve... estaremos juntos... mas este instante longe de ti é para mim uma eternidade amorfa, vazia da realidade... vou gritar por ti... sim... vou gritar... assim mo pede a saudade!
terça-feira, abril 17, 2007
ESTES DIAS
Assim que atendi fechei os olhos... tudo apenas naquele momento se resumia à ti, à tua voz. Sim chérie, o desejo de estar contigo é por demais evidente em mim. Irrequietos, assim são os meus dias e desesperos pela noite adentro. Suspirei de imediato ao te ouvir. Doce e gentil... não quero mais sentir estas arestas o silêncio... ferem-me a alma e cravam-se-me na pele... sem gumes e sem reservas. Quero desamarrar-nos deste horizonte e olhar em teus olhos... mergulhar nos gestos que me adivinhares e permitir-me sentir-lhes o sumo das palavras. Guardo no céu da minha boca o som ensalivado do verbo que anseias afagar no teus ouvidos... talvez consigas o ler em minh'alma ao melodiar meus lábios. Abro as minhas mãos e deitas-te nelas... sente-lhes o sabor da saudade, o remoínho que dança por entre elas e a loucura que percorre a ponta dos dedos na ânsia em te tocar. Permaneço irrequieto na sombra da saudade a observar cada palavra tua, cada som, cada gesto solto por entre as sílabas que me dedicas.Dedicaste-me um beijo de boa noite e isso só me encanta neste instante... saber-te a beijar-me... querer amar-te...Eu sei que em breve... muito breve... estaremos juntos... mas este instante longe de ti é para mim uma eternidade amorfa, vazia da realidade... vou gritar por ti... sim... vou gritar... assim mo pede a saudade!
segunda-feira, abril 16, 2007
DEUSA SOL, MUSA LUA
Amo as últimas horas da tarde, sobretudo quando é final de Primavera. Sou devoto da noite que principia, cheia de brisa, chegando a sombra ao corpo, refrescando a face. Adoro quando os raios de sol, já menos eufóricos, dizem-me: "adeus!"; quando eles se esbatem com cuidado, brincando com a palidez da pele. Invariavelmente adoro presenciar a transformação milagrosa do tédio em encantamento. E por mais desesperado ou aflito que eu esteja, páro nesses momentos e sorrio de feliz. E por mais feliz que eu possa previamente estar, há lugar cativo para esta ventura ancestral. É quando meus antepassados festejam os mistérios do mundo, com seus ritos pagãos. É quando Nix e o Deus do Sol se beijam, na boca da minha pós-modernidade maravilhada.Adoro te beijar... sentir o gentil sabor dos teus lábios transformados em raios do Deus do Sol que agora poisam por entre areias escaldantes que se transformam em brasa quente por ti. Pudesse eu te entregar neste instante a saudade que me aperta e me desespera, a vontade em te rever e por um instante que fosse, olhar-te na luz ou na penumbra e sorrir no dislumbre mágico da tua beleza, na quietude da paz contigo, na alegria do perfumado toque nos teus cabelos.
Tudo em ti me faz falta...
SENTIR-TE
Da cópula dos sentidos, descendeu a ânsia, brincando de ferver na candeia das artérias. Tremiam que tremiam pensamentos! E o corpo, desapaziguado com a calma, era um desastre no manejo da candura - tanta candura por aqui dentro tudo!.. escorrida numa baba de medo, numa gagueira mansa, suando em minhas mãos, prenho de ternura rota. E a paixão, assim, desavisada de forma, eriçando a penugem das vontades, soprando afetos, afogada em desrazão. E a febre adubada de sonhos ia, de forma tola e bonite, adocicando a realidade. Da vigília pro sono, vez enquando encontrava a paz - que me era arrancada dos campos da emoção: pequeníssima flor, tímida de cheiros e gestos, no doce pendor do teu olhar, no desconcerto dos músculos, desafinando a orquestra do coração. Recuso remédios, cessei com a lucidez do mundo. Sentir-te virou minha poesia.
domingo, abril 15, 2007
ESTAÇÕES
Estou à primavera de sensações indóceis. Florações extremas, e no entanto, mudas, só eloquentes de silêncio e olhar. Discretamente solitário, aguardo pela ventania inconfidente da alma, afim de que ela cante minhas proezas, revele minhas histórias, as sonhadas e vividas. Minha quietude é de bosques que trazem a urgência dos verdes, revivendo a cada estação, o definitivo da vida. Cresço inesperadamente nessa temporada, feita de noites arrastadas, consumida no ópio de palavras silenciadas pelo medo de morrer de amor. A estrada desses mornos dias é longa demais, a rotina é uma recta que desejo bifurcar porque sonho com curvas de mulher. Sonham as curvas comedidas em mim. Mesmo calando sussurros, palavras, frases inteiras, orquestro-me, alcanço as estrelas dos meus delírios, agigantado por dores e agonias, por ilusões, sois temporais, secretamente difundido nas minhas entranhas, nas dimensões multiplicadas de meus eus. Minha natureza sabe que, a despeito de quaisquer rios que eu navegue, desembocarei sempre em versos livres, e assim será até que as flores perfumem alegrias nas curvas dessa mulher, no doce leito do seu ser.
sábado, abril 14, 2007
A DOIS
sexta-feira, abril 13, 2007
IMPROVISO SOBRE NOITE LÁ FORA
Sinto no ar um misto de azul e vermelho. Lá fora o vento sopra de Sul e traz-me suspiros entrelaçados pelas estrelas, poisados em raios polares que conservam a essência das palavras e emoções que me falam ao ouvido. Exalo desejos e vontades de agarrar cada uma dessas pétalas de colibri que me chegam. O eco da noite já se instalou e neste silêncio oiço além das ondas que se estendem na areia na ansea de cobrir minhas pegadas que se antecipam ao corpo e rumam além terra... em busca de ti.Soltei um suspiro quente-frio vindo do vento de nordeste misturado pelo meu pensamento em ti.
Pensamento que se amarra à fantasia, à realidade sentida e emotivamente vivida, as teclas os números, as letras atrás de palavras, o pensamento numa data, numa hora, o improviso em te rever te sentir, te abraçar, te beijar... e logo após esse improviso a memória que regressa sempre quente, o tempo o momento o instante de todos os fascínios, a ponte suspensa, o arco que nos eleva, o barco que nos transporta por entre fivelas de amarras coloridas que nos embalam rumo ao à estrela Sol. Respira... respira comigo a essência que nos percorre a Alma, mesmo em dias turvos, cinza, sorrio para ti... solto gargalhadas engasgadas por entre sulcos de loucura aprasível, amiga, palavras sem sentido, disconexas, mas que nos entregam o alívio, a paz.
Xiuuu oiço uma música que ousa quebrar o silêncio da noite... hum... música para amar, enlaçar, abraçar, música que embala o próprio beijo... vou soltar um suspiro e também eu o embrulhar num pano violeta e o entregar às ondas e pedir um desejo... "peço às ondas que me levem o suspiro embrulhado pelos trilhos e marés, numa viagem sossegada, e o te entreguem no lago que te banhas, para que assim... saibas... que hoje... pela noite adentro... estarás comigo... nesta ausência-presença... mas aqui dentro... aqui bem dentro de mim... a cada dia, a cada hora, a cada minuto instante ou segundo... estás sempre presente."
Vou para dentro... vou-me abrigar no meu suspiro que te pertence e assim... sorrir adormecido em ti. Sinto-me agora quente... inundado pelas brasas do improviso que me entregam sempre a Musa que me preenche, as chamas que me despem, onde o fósforo... és TU.
quinta-feira, abril 12, 2007
PELA MANHÃ
São duas da manhã. Não consigo dormir a pensar em ti. Sonho acordado, meto-me no carro. E vou ter contigo. Eu quero-te pra mim. Fecho os olhos e deixo acontecer. Sinto a tua boca, vejo-te sem roupa. És tudo o que eu quero. Teu corpo suado contra ao meu. Vou-te levar comigo ao céu. Diz-me se é assim que gostas. E quando pensares que acabou, volta ao principio outra vez. Vai ser perfeito. E de manhã eu vou estar lá pra te... amar...
Eu e tu deitados numa cama nus
Debaixo dos lençóis o mundo é meu e teu.
O tempo pára o vento deixa de soprar.
A fazer amor, a fazer amor. Eu e tu deitados numa cama nus. Debaixo dos lençóis o mundo é meu e teu. O tempo para o vento deixa de soprar. A fazer amor, debaixo dos lençóis. Nada mais importa.
Se estás a meu lado eu sou feliz. Não da pra explicar. Vê o meu olhar e diz-me o que vês. Completas o meu ser. És a peça que faltava em mim. Sem dizer nada teu corpo diz tudo. Num abraço sincero. Teu corpo suado vem contra o meu. Vou-te levar comigo ao céu. Diz-me se é assim que gostas. E quando pensares que acabou, volta ao principio outra vez. Vai ser perfeito. E de manhã eu vou estar lá pra te... amar...
Vinha no carro até casa a ouvir esta música e tudo nela me faz lembrar de ti.
Sei que a conheces, sei que já a ouvimos... mas tudo nela faz-me querer-te ainda mais...
Tudo nela... és tu...
(Music by Gutto)
quarta-feira, abril 11, 2007
DEIXAS-ME ASSIM
Hoje cheguei a casa e as luzes estavam baixas, velas pousadas delicadamente no chão como se um trilho traçassem, o ambiente estava quente, dava para sentir o teu cheiro... aproximei-me da sala e ali estavas tu... sentada no sofá... a pele brilhante de um suor produzido sem esforço, os olhares eram cúmplices e as vontades imperavam ali... e a minha era uma enorme vontade de te devorar!Aproximei-me e ajoelhei-me a teus pés... beijei-te os lábios com ternura mas sentias-me tenso de ansiedade por muito mais... levantei-me, puxei-te por um braço, virei-te de costas para mim e fiz-te ajoelhar no sofá que coberto por uma manta azul recebia agora o teu corpo. Apoiei um joelho também no sofá enquanto me colocava lateralmente... sentiste a minha mão a subir pelas tuas coxas afastando a saia solta que vestias... beijando-te as costas sentia-te a estremecer e por entre lábios cerrados soltavas suspiros de desejo, pequenos murmúrios de prazer que mais gemidos pareciam dado não entender as palavras... sabia sim que me querias porque ao meu toque no teu sexo sentia-lo húmido... procurei o teu pescoço e por entre beijos e ferradelas confessei-te ao ouvido "Vou-te possuir". Estava já com uma erecção plena de vontade em entrar dentro de ti... que visão a minha... as tuas nádegas, de formas deliciosas viradas a mim, à minha mercê, aqueles lábios inchados que se abriam para mim, tudo na tua posição transpirava sensualidade, tuas meias faziam sobressair os contornos das pernas, os teus longos cabelos sobre as peças pretas que te cobriam os seios, tudo, mas tudo em ti fazia-me sentir excitado.Com uma mão afastei uma das nádegas e dirigi o meu sexo duro e sedento para o teu ser de Mulher... o deslizar dentro de ti foi algo indescritível! Sentia alguma resistência o que fez crescer a vontade em te penetrar... sentia o calor por desvendar, a humidade, o forçar do teu corpo em direcção ao meu como uma presa que de tão louca foge na direcção do predador... um profundo gemido inegável do prazer que a minha entrada te proporcionava... um vai e vem naquele momento lento mas determinado, com vigor e certeza que agora evoluia ao saor do tesão. Olhavas-me de lado, para trás, os teus olhos bem abertos, completamente dilatados tinham em mim um efeito catalizador... olhavas-me como que me a pedir para não parar e os meus fixados nos teus dizendo-te que navegaríamos ao sabor do vento e que por sinal se fazia de feição a nós.Sentir-me a entrar em ti assim, o bater do meu corpo em tuas nádegas, a mão a percorrer-te os seios... acariciá-los... a tocar o teu sexo enquanto te penetrava nesse vai e vem agora com maior vigor e força... gritaste alto... eu arfava... tu gemias, suspiravas e tudo em ti me dava mais e mais prazer. Abrandava o ritmo, aumentava a força com que me alojava no teu interior... aumentava a cadência, diminuía a força das penetrações. Sempre que algo mudava me olhavas de imediato, estavas em sintonia com o meu ser, a minha paixão, o meu tesão.Sentia-te a desesperar e eu adorava cada instante daquele momento... puxava-te os cabelos sem te magoar e sabias-me com as minhas contracções num auge cataclítico... gritavas de novo, mas fazias-lo de pura excitação.Quase institivamente forçei ainda mais, os gemidos foram mais altos, os berros eram audíveis em todo o andar, os movimentos mais rápidos, os balanços mais longos e finalmente senti a jorrar por entre mim o teu orgasmo por entre um longo gemido, rouco, cávado, vindo das profundezas do teu ser, mas continuei convergindo num cenário de luxúria enquanto continuava a te agarrar... olhaste-me de novo como que a questinar-me se queria continuar ou parar... investi de novo agora maior intensidade e soltas-te a tua mão directa à almofada que ali se mostrava num ápice de desespero pelas longas e profundas penetrações que te oferecia... tremias... cada vez mais... teu corpo por vezes caía no sofá sem forças para se erguer de novo sem ajuda dos braços... vi a expressão de premência no teu rosto, os olhos a fecharem-se, sentia já um líquido a percorrer-me as entranhas, através de mim... não conseguia aguentar mais... os corpos cederam e tive o orgasmo desejado, eufórico e como que num efeito dominó senti que tinhas também tido outro... caíste completamente desamparada para cima da manta que cobria o sofá... acompanhei-te e ali ficamos por momentos agarrados... a olhar nos olhos um no outro... a trocar carícias, beijos longos e suaves... voltei a sussurrar-te "Amo-te! Cada vez mais! A cada instante!". Sorriste e abraçaste-me como que a procurar abrigo para repousar após uma longa jornada... E ali ficamos... juntos..."Um perfeito início da noite"
terça-feira, abril 10, 2007
FELINOS
Eu quero mais... muito mais... mais do que estas palavras, sonhos eróticos e fantasias em lencois solitários. Quero mais... muito mais... quero te ver, quero te tocar, sentir-te quente, suada, enlouquecida, fazer-te sentir-me em perfeita erecção. Quero sentir o teu cheiro, cheiro doce, incandescente, cheiro de Mulher, e quente. Eu quero mais... muito mais... quero sentir o teu gosto, tua boca, tua lingua indecente. Eu quero ouvir a tua voz, sussurrando-me poesias e desejos ao ouvido, quero ouvir os teus gemidos roucos e incontidos, gemidos soltos, quando te delicio com mãos e línguas. Eu quero mais... muito mais... Eu quero te dar prazer, quero te ter, quero que sintas a minha pele arrepiada, meu cheiro, meu gosto, meu sexo...Estes longos dias sem nos ver-mos, deixam-me louco, alucinado, carente, felino enjaulado, apressado, trôpego e excitado sempre que oiço tua voz, imagino teu sorriso... beija meus lábios, pescoço, peito... olha-me nos olhos e diz que me Amas... arranca-me a camisa enquanto me ajoelho perante ti, sentindo o teu sexo, teu perfume doce de mulher, sentir-lo húmido ao toque da minha mão... sussurros, gemidos gritos... sabes-me saciável apenas em ti. Eu quero mais... muito mais... quero-te Mulher, fêmea, felina, quero que te abraçar, acariciar, beijar... quero cair em ti de êxtase, em climax, num explodir de um gozo fenomenal... Quero-te...
segunda-feira, abril 09, 2007
ÁGUA AZUL

Sob o chuveiro amar, sabão e beijos, ou na banheira amar, de água vestidos, amor escorregante, foge, prende-se, torna a fugir, água nos olhos, bocas, dança, navegação, mergulho, chuva, essa espuma nos ventres, a brancura triangular do sexo - é água, esperma, é amor se esvaindo, ou nos tornamos fontes?
Fontes de amor, de paixão, de tesão, de cumplicidade enamorada...
Tu e Eu...
domingo, abril 08, 2007
CHEGA ATÉ MIM
Chamas-me na língua líquida das ondas, com garras, gestos, cerras-me unhas de diamante e porcelana, no âmago do meu ventre. Mar Felino, jaguar na planície, e sonho contigo permanentemente, desejo consagrar-te cada coágulo do meu sangue, cada baba da saliva da minha boca beijada, pelo fogo esculpido em naifadas de palavra. Quero que me esventres a começar pelo umbigo com garfos de lava e fogo, no destemperamento louco, da tua devoradora boca, em cada alongada onda dos teus lábios.A noite avança dentro da minha alma qual desfolhada rosa vermelha numa alma sulcada.Pego em tuas frágeis e irrequietas mãos e sinto-lhes o quente que emerge de dentro de ti.Envolvo-me num pano de fundo dourado, onde as cores se misturam em teus cabelos, pano de seda e suavizado pelo doce toque da tua pele. Este silêncio é o pronúncio da saudade.Encontro-te nos meus lencois e sorrio-te. Aguardas por mim e eu gosto disso, tu bem sabes. Aninhas-te em mim, digo-te que te amo, digo-te quem sou, quem fui e quem espero ser na tua vida, ouves-me no teu silêncio.Digo-te que te quero junto a mim aonde eu te espero impacientemente, falo-te, dos meus sonhos, dos desejos, das minhas horas, minutos, segundos, momentos e lugares que eu repetidamente penso em ti.Falo-te das noites que desejo estar contigo, inúmeras noites, dias, que não têm fim, até mesmo quando fecho os olhos, a tua imagem perdura dentro de mim.
quinta-feira, abril 05, 2007
NA CABECEIRA DA CAMA
Todas as noites, adormeço de olhos abertos.Enroscado nos meus lençóis tenho como cobertor o brilho que me ilumina as paredes do quarto como se na cabeceira da minha cama, cuidadosamente pousado, repousa o tesouro que inicia o arco-íris.
Quente como o nascer do sol, a brisa suave que me percorre os cabelos embala-me como aquelas canções que partilhamos os dois, o encosto de uma cadeira de baloiço feita de palha onde meu corpo repousa em êxtase na sensação do teu.
Aquela fotografia, é dela que falo... livre como uma pena de andorinha que baloiça por entre as ondas dos meu lençóis onde o mar é o meu corpo.
Daquela carta tua que me entregaste dobrada, é dela que falo... depois de ler a carta e olhá-la, e olhá-la, fico num estado siderado, fora de órbita, a dormir de olhos abertos na tua companhia, sentindo um não-tempo, preso num vácuo morno onde o mundo existe apenas para nós, apenas em nós.
Todas as noites chegam-me assim, contigo a meu lado, porque o adormecer contigo é o prazer da noite feita lua e o acordar um vulcão de desejos em te olhar e te dizer "Amo-te".
Na cabeceira da minha cama brilhas numa palete de cores quentes onde te envolves em minh'alma e dela fazes o porto que te desejo oferecer, para de lá partirmos pelo mar adentro numa caravela pintada com a forma do teu sorriso, e a mão que te embala e te entrega o meu Amor.
És a luz da minha noite, o brilho do meu acordar.
ESTES DIAS
Veio um dia atrás do outro, chegaram numa fila longa e ordenada. Iam-me batendo à porta que eu gentilmente abria. Entravam e traziam-me coisinhas pequeninas, pequenas palavras, sorrisos cúmplices, olhares trocados, beijos concedidos, cedidos, arrancados do desejo profundo que se encaixava nos meu peito branco pérola. Entravam, limpavam os pés, alguns chegaram a descalçar-se para falar mais à vontade de imagens que me preenchem, de sensações que me inundam, de emoções que nos pertence, de sentimentos que partilhamos.Esfreguei os olhos, e quando me preparava para os abrir, pensei se esses dias ainda ali estariam, ávidos para me receber... permaneci ali um instante no desejo de os encontrar... abri os olhos... encontrei-te ali, num sorriso que só tu sabes o esboçar, linda...
Saudades... tuas...
quarta-feira, abril 04, 2007
ENCANTO-ME
Encanto-me a devorar os teus sentidos, as tuas palavras, a tua pele, os teus lábios... Encanto-me a deliciar-me nos teus olhos, no teu sabor, nos teus cabelos, no teu amor.
Encanto-me a provar os teus beijos, a tua paixão, a tua fúria, o teu tesão.
Encanto-me a encantar-me na tua alma, na tua essência, no teu ser, no teu néctar.
Cada recanto do meu corpo está aberto e exposto às tuas mãos sedentas do meu ser, como um fogo suave que te percorre a cada passagem de um beijo meu onde o teu me sabe como frutos de um bosque selvagem.
Vou sorver-te o ar, beber-te a água, comer-te a carne, encher-te de mimos, preencher-te de beijos, abraçar-te a alma e sussurrar que te Amo...
Encanto-me a encantar-te, a ver-te sorrir, sentir-te feliz.
segunda-feira, abril 02, 2007
SILÊNCIO
Hoje caminho sobre estradas de folhas caídas pela outrora brisa de Outono, e o reflexo que me encadeia é o dos teus olhos avelãs, rasgados por um sorriso lindo Primaveril. Hoje calo as palavras... ouve-me apenas...
domingo, abril 01, 2007
VIVES EM MIM
A noite chegou, e cumpriram-se as horas de mais um dia vazio. Dou por mim a falar de abraços, a lembrar abraços, a sentir a falta dos teus braços. Dou por mim a pressentir beijos, a negar beijos, a desejar os teus lábios. Dou por mim a falar de viagens, de idas e voltas, partidas e regressos, a sonhar o teu retorno. Dou por mim falar do que sei, a procurar o que não sei, e a perguntar-me onde estás. As horas passam e crescem os meus anseios. E continuo a querer-te tanto! Acredito ainda nas promessas não cumpridas, no arredio dos caminhos, na simulação das palavras, no desvio do teu olhar... Mas quero-te sim...tanto! E eu sei que te adoro. Sei que sabes que te espero. Ainda te quero... e tu não sabes, nem mesmo sabes do tempo, das horas que gasto a admirar-te. E eu sei. Eu sei que vives dentro de mim. Cada dia teu a velejar, a levar-te adentro desse mar, não te impede de voltar. Tu moras... dentro de mim.
sexta-feira, março 30, 2007
LENTAMENTE
Vem dormir comigo, juntos, abraçados numa mistura de aromas doces. Apetece-me inalar o cheiro da tua pele, sinto esses teus movimentos lentos do teu corpo e as tuas caricias, num ritual lento enrosco-me no quente do teu calor, sinto os teus lábios se aproximarem e encosto a cabeça ao teu ombro enquanto a música rola pela minha pele. Beijo-te as pálpebras na ternura das palavras que não digo mas és capaz de adivinhar, depois deslizo e aninho-me no teu pescoço na espera do toque das tuas mãos que me dizem que me sentes, que me queres... e eu... eu sinto-te... e eu quero-te... sabes-me a mel e a cerejas suculentas na ponta dos nossos lábios colados, sinto-lhes o sabor, sinto a doçura da tua alma em mim, sinto o teu e o meu respirar, sinto o teu e o meu sorriso interior e o ar que respiro passa a ser a tua pele e a luz que me ilumina o teu odor, e a saliva que dissolvo sem destino o poema onde te chamo amor e caminho na tua pele devagar, sentindo a saliva escorrer dos nossos lábios que se amam em palavras e beijos, e inspiro como se o som das palavras que não pronuncias fossem o meu respirar.Respiras-me também por instantes e ouves-me a chamar-te amor e a cada momento de silêncio ofereces-me o toque mais doce que alguma vez senti, e o momento passa a estar repleto de magia porque sou em ti e estou contigo, porque em ti tenho espaço e chão e sinto no coração o correr de um rio sem sobressaltos e sem marés, porque te amo numa paz imensa, que semeia em mim o sorrir que te quero dar, porque somos um poema a dois num ritmo silencioso e num respirar de sílabas que se cruzam numa rima perfumada que nos leva à melodia e nos deixa amar livremente, dás-me aquele beijo, e a distância desaparece porque não tinha mais espaço entre nós e mergulho em ti em cada uma das gotas que bebes de mim, dissolvo-me na cadência do nascer das estrelas nesta madrugada em que conseguimos entrelaçar as nossas almas, e vamos ser um só.Não existem medos... sobressaltos em salvas por assobiar, ou trovões por desvendar. Encerraste-mos nas pálpebras do teu olhar, na mão que me acariciou a face, no abraço que me guardou o sorriso, no despertar dos sentidos e das noites tensas e silenciosas que agora suspiram o meigo luar de um tesouro que aprendeu no silêncio dos olhos as palavras dos sentidos, a jóia de real valor... Quando me seguraste a mão e saímos a correr pelo jardim das palavras, aprendendo um com o outro e descobrindo emoções, o céu prostado em nós se abriu num abraço de adolescentes, meus olhos brilharam pois dentro deles conseguiste colocar a lua... descobriste-me a alma e deixaste-te levar pela brisa mansa que habita em mim, deixaste-te envolver pelo barulho das ondas do mar, e quando abriste os teus olhos, não te deixaste cegar pelo pôr do sol, soubeste apreciar as coisas pequenas, abriste o coração e deixaste-me entrar de mansinho, sem preocupação, com compreensão e dedicação, e assim provamos diáriamente a plenitude do sentimento que vai dentro de nós e nos enche de alegria.Lentamente me foste invadindo, conquistando, tomando, dominando até que... as muralhas caíram, os mares se juntaram e por entre paisagens verde-escuras de terras cultivadas, nasceram campos de orquídeas selvagens, paisagens surpreendentes de uma longa sucessão de dunas brancas e ondulantes visíveis até do espaço sideral, estendendo-te por uma faixa de quase deserto.Caminhava de pés descalços, nú aos teus olhos, sentindo cócegas que a areia me faz, indo ao encontro de ti e de mim.Neste lugar inesquecível encontro um bálsamo para o espírito o qual quero partilhar contigo, um som tranquilizante das ondas e das gaivotas que nos despertam pela manhã. Rompeste-me o silêncio sobre o meu mar e deixaste-me nascer, crescer livremente na tua presença.As verdadeiras palavras são ditas com o coração... e essas... sinto-as em ti...Viver o amor é sentir a necessidade de dizer amo-te em instantes inesperados...
"AMO-TE"
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