segunda-feira, dezembro 25, 2006

O PALCO DA VIDA

Dizem que havia um cego sentado na calçada em Paris, com um boné a seus pés e um pedaço de madeira que, escrito com giz branco, dizia: "Por favor, ajude-me, sou cego".

Um homem, que passava em frente a ele, parou e viu umas poucas de moedas no boné. Sem pedir licença, pegou no cartaz, virou-o, pegou no giz e escreveu outro anúncio. Voltou a colocar o pedaço de madeira aos pés do cego e foi-se embora.

Pela tarde, o mesmo homem voltou a passar em frente ao cego que pedia esmola. Agora, o seu boné estava cheio de notas e moedas.

O cego reconheceu as pisadas e lhe perguntou se havia sido ele quem reescreveu seu cartaz, sobretudo querendo saber o que havia escrito ali.

O homem respondeu: "Nada que não esteja de acordo com o seu anúncio, mas com outras palavras". Sorriu e continuou seu caminho.

O cego nunca soube, mas seu novo cartaz dizia: "Hoje é Primavera em Paris, e eu não posso vê-la".

Mudar de palavras quando nada nos acontece... pode trazer novas perspectivas.... pode trazer a realidade até nós.

Precisamos sempre escolher a forma certa de nos comunicarmos com as pessoas. Não adianta simplesmente falarmos; antes, precisamos de nos conhecer melhor, conhecer a melhor mensagem para sabermos falar, tocar, sensibilizar as pessoas.

Tenham uma óptima semana e não se esqueçam que...

"A VIDA É UMA PEÇA DE TEATRO QUE NÃO PERMITE ENSAIOS. POR ISSO, CANTE, CHORE, DANCE, RIA E VIVA INTENSAMENTE ANTES QUE A CORTINA SE FECHE E A PEÇA TERMINE SEM APLAUSOS."

(Charlie Chaplin)

domingo, dezembro 24, 2006

SURPRESA

Esta tarde, de tão triste, esqueci-me de acender as estrelas apesar de o brilho cúmplice do luar ter partido.

Foi um tempo sem sorrisos, nem flores.
Vesti-me de vermelho e retirei os sorrisos sem uma palavra.
Descalço, restei entre silêncios e velas azuis.

Esta tarde, como na canção, em mim "a tristeza foi mais profunda do que dor".
E a solidão foi fruto selvagem e os meus lábios sangraram de saudade.
Evoquei o que já existia e gemi de sobressalto ante a leveza do meu regaço.
Altivo na minha mágoa, fui desejando felicidades aos amigos, afirmando a minha serenidade.

Preparei-me para me recolher numa manta de sossego acompanhado por pauzinhos de incenso que não acenderia, já que a minha alegria não permite tais "misticismos", e uma chávena de chá verde.

Foi então que soube da surpresa. A tua voz... ali... tão perto da minha... talvez por encontro dos nossos anjos da guarda, pressentiste o meu desamparo e proporcionaste-me algo fantástico. Graças a ti eu “bebi dessa luz que apaga a noite em mim”.

Vi e revi aquele presente e sorrindo aspergi gotas do teu perfume favorito sobre os pulsos.
Acendi as estrelas, claro!

MOMENTOS

Esta noite é tempo de abandonar o meu afecto por ti.

Não pensarei na melancolia de canela dos teus olhos;

Nem na beleza dos teus dedos quando, surpreendidos, enlaçam os meus.

Não vestirei o pijama macio enquanto murmuro palavras ternas e te retiro a camisa de noite de cetim, body de rendas encantatórias ou gotas de perfume.

Esta noite seremos dois predadores desnudados que, num encontro feroz, tentarão devorar a porção de vida que os seus corpos cobiçam sofregamente.
Quero sentir-nos como se fôssemos todos os seres vivos deste mundo.

Serei felino em perseguição de ti.
Quero-te caçadora, implacável com a minha vulnerabilidade.
E quando empurrares o meu corpo, quero que imprimas os teus seios e o teu ventre sobre a frieza da pedra húmida,
Quero sentir o teu peso ancorado sobre mim,
Quero a minha língua desconhecedora de palavras,
Seremos só silêncios, gemidos e gritos primordiais!

Depois quedar-me-ei olhando o teu rosto, já sereno
Carícias minhas perder-se-ão na placidez desse rio que é o teu sono.
E embalarei o teu tronco com tanta suavidade que, dos teus sonhos, sorrir-me-as.
O teu sorriso de Anjo vogando em barca mágica....

"Não resisti... a vontade de escrever é maior que o desejo de descansar os dedos."

sexta-feira, dezembro 22, 2006

FELIZ NATAL

Este espaço fará brevemente o seu primeiro aniversário e tal como seria de prever, o primeiro Natal passado na companhia de todos aqueles que me lêem.

Tenho pautado por manter este espaço fiel ao designio que lhe pretendia oferecer... o meu diário público. As palavras que aqui vos ofereço para lerem transbordam das emoções e irracionalidades que me compõem.

Este Natal não irei colocar o meu sapatinho debaixo da árvore nem do presépio... Este Natal foi-me já dado o privilégio de me oferecerem a maior prenda de todas... saber Amar e sentir-me Amado.

Não sou egoísta e por isso, as minhas prendas serão agora distribuídas por todos aqueles que este Ano, por razões diversas, choram.

Por vezes, basta uma palavra, um sorriso, e o Natal terá de imediato o verdadeiro significado que a palavra carrega.

O meu desejo, tal como o meu Projecto de Homem, é viver... ser feliz. Mas para ser Feliz é importante saber fazer alguém ainda mais Feliz. Mesmo tratando-se de alguém próximo e não necessáriamente um desconhecido.

Este poderá ser o último texto antes do Natal, mas queria deixar uma mensagem de Felicidade para todos, em especial, muito em especial, para alguém que eu sei estar a fazer Feliz, para alguém que me faz Feliz... e só isso... me basta... me completa... me realiza enquanto Homem.

Para ti... o meu Amor, o meu Beijo, o meu Olhar, o palpitar do meu Coração... o meu Carinho... Fazes-me Feliz... Amo-te!

Lembrem-se: "...os momentos são instantes, partículas de uma vida... longa. Há que saber e aprender a esperar... e enquanto esperamos... amamos..."

Para todos...

FELIZ NATAL... FELIZ NAVIDAD... MERRY CHRISTMAS... JOYEUX NOEL... BUONE FESTE NATALIZIE... FRÖLICHE WEIHNACHTEN...

quinta-feira, dezembro 21, 2006

PROJECTO DE HOMEM















A cegueira, escreveu o Saramago, é a condição implícita da lucidez. e deixar de ver para depois ver melhor é o mesmo que dizer que cometer erros – como geme a guitarra do lennon – é um modo de aprender, ou que sofrer, como pensou Proust, é a única forma de não estagnar.

Frases feitas... que podem ser vazias... ou não, se, tal como o principezinho, assumirmos que nem sempre o essencial é visível aos nossos olhos, diz o meu pai – aquele que me ensinou a sonhar – que não é na fantasia nem na "excitabilidade-extrema" que conseguiremos encontrar o-não-sei-o-quê que perseguimos, ou fugir de [ou para?] esse abismo-sedutor sobre o qual não resistimos espreitar... digo eu... simples... tão simples como ser tão óbvio que se não gostarmos de nós nunca conseguiremos amar ninguém, ou que é dentro de nós que temos de procurar "O" sentido, ou ainda que é nessa simplicidade dos momentos – deste mar que me canta todos os dias ao ouvido ou daquela estrela que está sempre ali no canto negro do céu – que se encontra a felicidade, tudo o resto é vão.

Numa noite tão vaga deitei-me criança... num minuto me levantei HOMEM.

Os momentos passam no instante de um dia e transbordamos de saudades repletos de histórias para contar. Aprendemos... desaprendemos... convocamos ideias e verdades utópicas que nos levam a escolher caminhos... e aprendemos. Queriamos mais tempo ou voltar para trás. Deveriamos querer olhar em frente e acreditar em nós. Como somos tão belos e tão simples de compreender... mesmo na irracionalidade das minhas palavras, das tuas... somos belos.

Num entardecer menos esperado, desaprendemos tudo o que nos foi ensinado e descobrimos que afinal... é bom viver.

O meu projecto de HOMEM resume-se a uma única verdade absoluta... viver... porque será que é tão fácil viver e tão complicado sobreviver? Porque as palavras, que não passam disso, nos confundem os olhos e nos perturbam a paixão de florescer...

ai se eu pudesse apagar ambas as palavras... eliminar de todos os manuais de vida estas aberrações que nos levam à confusão. Viver... é amar... de olhos bem arregalados... abertos ao mundo e a quem nos rodeia... viver... é querer... é ser egoísta e sair por aí a distribuir o que de melhor existe em nós... mesmo quando apenas temos... um sorriso.

O meu projecto de HOMEM é crescer...

O meu projecto de HOMEM é ser feliz.
O meu projecto de HOMEM e te fazer feliz.
O meu projecto de HOMEM é te amar.
O meu projecto de HOMEM é te proteger no meu colo nas noites frias e afastar de ti todos os sonhos que te perturbem.
O meu projecto de HOMEM é despertar no teu fogo a paixão que te arrebata.
O meu projecto de HOMEM é olhar sempre no horizonte... e contemplar-te, a SORRIR...
O meu projecto de HOMEM é numa noite... oferecer-me e deixar-te levar meu coração.
O meu projecto de HOMEM é crescer... em todos os instantes que os momentos nos oferecem.
O meu projecto de HOMEM é num simples beijo... tocar tua alma e ali saberes teres encontrado um porto de abrigo que te acolhe de braços abertos, e te abraça num silêncio de conforto.

Silêncio... quem se atreve a arrebatar minhas frases que do nada florescem num minuto de prazer. Silêncio...

...e é aqui, nesta minha-vida-real-comigo-cheio-de-frases-absolutas, que me apetece viver... hoje e sempre... a crescer...

O meu projecto de HOMEM é crescer juntando todas as peças deste puzzle que nos dura uma vida inteira, e fazer-la valer a pena... para isso... é preciso amar...

Não existem condições racionais que nos impedem de amar... pormenores fisicos e materiais que nos impedem de o concretizar num instante, mas o instante são momentos e os momentos levam uma vida inteira e uma vida inteira... é eterna.

Amar nesse instante duradoiro é aprender a esperar e saborear todos os momentos para mais tarde, as histórias a contar... sejam a de uma vida... uma eternidade.

Convocamos sonhos e pesadelos apenas para no momento os misturar e ter medo... - porquê?

Queriamos mais... mas os momentos são instantes, partículas de uma vida... longa. Há que saber e aprender a esperar... e enquanto esperamos... amamos...

O meu projecto de HOMEM é sorrir... e com o meu sorriso... elevar-te à condição de vida, repleta de um azul de mar e histórias para contar.

Hoje acordei HOMEM... mas não me esqueci da criança... foi ela que me ensinou tudo aquilo que o sou... e agradeço-lhe... todos os dias... por me trazer... até aqui... até ti.

Vamos viver... instantes... momentos... uma vida... a eternidade... vamos ser egoístas... e sorrir.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

SEDUÇÃO

Uma nova noite se aproximava... Como usual a sede de conceder a liberdade aos dedos retorcidos era maior que a própria vontade, entranhava-se dentro de mim o querer de me expor pela música.
Dirigi-me até ao meu piano... como um coxo... exitante... com o receio de ser esta a ultima noite de prazer... de ver aquela imagem de Mulher com a qual fantasiava todas as noites e teimava em se enconder naquela mesa ao fundo do bar.
O ambiente estava abatido. A luz forte de um azul escuro desfocava-me a vista... Não te via.
Sentei-me... o fumo dos cigarros deslizava pelo movimento da luz criando um efeito de espiral... tal como me sentia... drogado pela vontade imensa de te ver... de me expôr.
Silêncio... o pouco público que ali teimosavamente persistia brindava com mais um whisky as parolices do dia-a-dia.
Bati forte nas teclas como quem anunciava o fim do mundo na esperança de apenas ouvir os meus dedos e calar as vozes irritantes que insistiam em não se manter.
Meu corpo tremia como se aquela fosse a noite onde o vortice da desilusão por não te saber ali, se abatesse em mim.
Insisti com o som que me vinha das entrenhas... desprendi-me do momento, fechei os olhos...
No mesmo instante abri-os... silêncio... um vazio tremendo na sala e então... lá estavas tu... sentada ao fundo da sala, escura... apenas o vislumbre das pernas entreabertas... o azul fosco batia em tuas coxas como se uma estrela cintilasse sozinha no escuro da noite... despertei.
Meus instinto foi o de tocar a minha última sinfonia como se o amanhã não mais existisse... o som do piano fundiasse com o fundo da sala numa valsa única de mistério e provocação...
Vislumbrei de novo a silhoeta das tuas pernas que ao fundo da sala cativaram o meu desejo de te saber Mulher... estremeci... dançava ao som dos meus dedos numa cumplicidade estonteante.
Como se estive a fazer amor com a música que estranhamente jorrava de dentro de mim.
Aproximaste-te... estremeci... não mais sabia eu a forma de como me manter atento às teclas tocadas, mas misteriosamente meus dedos acompanhavam cada movimento do teu corpo como se fosses tu quem estivesse naquele piano... a possuir-me...
Insisti. O som forte dos graves misturavam-se com a clareza dos agudos e chegaste-te até mim... teu corpo dançava sorrateiramente no meu... senti teu rosto junto ao meu... respiravas ofegantemente como se embriagada ao som que tu própria comandavas e eu tocava.
Respirei fundo... vislumbrei de novo a sala vazia, oca, apenas para a certeza de que ninguém violaria o nosso momento. Era-mos apenas os dois... eu, sentado ao piano na incerteza de querer continuar a tocar, e tu na certeza de me quereres seduzir pelo movimento do teu corpo...
Vestias seda ou cetim... não sei... vermelho ou seria um branco escuro... meus olhos não sabiam mais o que ver, onde me concentrar...
Forçaste minhas mãos a parar de bater em cada uma daquelas teclas... mas o piano continuava a passar aquela valsa que te hiptonizava... num momento sentaste-te em mim... ao piano... contemplava agora o teu rosto de linhas suaves e olhos penetrantes... olhavas-me como se eu fosse a presa e tu... o predador.
Chegaste-te a mim... teus seios sentia-os agora no meu peito... rijos. O piano continuava a soltar o som que naquele momento nos envolvia suavemente numa cumplicidade de desejo, erotismo... passei meus dedos em teu rosto e deixaste teu corpo descair a minha frente oferecendo-me tudo aquilo que imaginara todas as noites anteriores... tocar-te... sentir-te... agarrei-te pela cintura e puxei-te de novo a mim... meus lábios húmidos e receosos procuraram tua boca... fugias... insisti... roubei o beijo ansiado. Tua boca me possuiu naquele instante. Senti o teu sabor em mim... estremeci por te querer ainda mais do que todos os momentos em que imaginariamente te teria consumido.
Sentiste a minha ânsia em te querer. De novo deixaste teu corpo descair oferecendo-me todas as formas e contornos do teu corpo... olhei-te nos olhos e enquanto isso minha mão fazia descair o vestido dos teus ombros... caiu... naquele instante teu corpo de Mulher jazia para meu deleite ao meu alcance... beijei sorrateiramente o teu pescoço... minha lingua perdia-se em partes do teu corpo e deixei-me seguir pelos teus movimentos aos teus seios...
Estremeceste completamente. Teu aroma embriagava-me agora os sentidos... não era mais eu quem comandava o meu corpo... eras tu... beijei-os demoradamente e a cada passagem dos meus lábios tuas unhas cravavam-se no meu corpo na ansia do desejo ser maior, imenso...
Sentei-te em cima do piano e deitaste teu corpo de pena de andorinha expondo tudo o que de Mulher há em ti... fiquei atrevido... minhas mãos percorriam cada passo das tuas pernas... tuas coxas... O piano insistia na valsa que até ali nos acompanhara e estranhamente gemias ao som de cada grave que ela emanava debaixo de ti... puxei-te de novo a mim e possui o teus lábios de novo na incerteza de ali estares... senti de novo o teu sabor... balsamo de alecrim caralemizado... de novo deitaste teu corpo no estrado do piano e agarraste-me pela cintura com as tuas coxas oferecendo-me de novo o mais intimo que existe em teu corpo acetinado... deixei-me percorrer com meu dedos... toquei levemente e sentiste os meus lábios... gemeste muito suavemente... humm sabia-te exploradora de um mundo desconhecido para mim até então... agora presa, não mais predadora.
Minha face rossava em tuas coxas enquanto minha respiração quente e ofegante te oferecia o desejo que ardia em mim... puxaste-me mais até ti e num ápice sabia-te minha... meus lábios ardentes e húmidos beijavam o que me expunhas como tesouro escondido... agora... descoberto. Tuas mãos percorriam o teu corpo lançando gemidos cintilantes e enebriantes... de extase.
Demorei-me apenas para a certeza de te sentir possuida... minha... não mais eram os meus lábios que se sentiam húmidos. Sentia o bater forte do teu ser em mim... - Não pares... - lançaste tu as palavras ao leve... contorcidas de desejo... emoção...
levantei teu tronco para de novo possuir os teus lábios... beijaste-me... demoradamente... tua lingua enroscada a minha ao som da valsa que ainda tocava daquele piano velho... mas jovial no som que te embrulhava o corpo em teus movimentos.
Sussuraste-me - "Possui-me" - para de seguida de novo ofereces-me todo o teu corpo e esplendor de Mulher como se de um sacrifício tribal de tratasse. Cravei minhas mãos em tuas coxas e puxei-te até mim... naquele momento gritaste. Sentias finalmente tudo aquilo que ansiosamente me querias roubar... o desejo... a sedução de dois corpor unidos pelo hemisfério do prazer.
Os graves intensificaram-se bem como o movimento de nossos corpos... ao som dos agudos tua voz gritava gemidos languidos de prazer... teu corpo húmido pelo calor infernal das luzes que se abatiam sobre o piano forçavam-te a passear tuas mãos pelo teu tronco... pelos teus seios agora esbatidos à luz azul que te consumia mas imponentes como as montanhas... selvagens...
Deixei-me consumir pelo desejo de te sentir minha... ali... ao som do meu piano... ahhhh como te sabia totalmente em mim... e eu... em ti... teus braços soltaram um longo circulo em teu corpo num tremendo grito que te consumia as entranhas... abraçei-te com meu corpo fundido ao teu... uno... no vislumbre do teu orgasmo em meu ser... Estremeceste... acaricei teu rosto... soltaste uma lágrima que acompanhava o teu rosto como se uma cascata se tratasse... beijei-te... delicadamente como se beija as pétas de uma flôr... sussurrei-te - "amo-te"... soltaste um sorriso de menina delicada e procuraste meus braços para repouso do teu corpo...
O piano parou... "Palmas"... batidas fortes de mãos a vingaram-se de um dia estafante das indelicadezas da vida... Abri os olhos... dezenas de vultos vigorosamente aclamavam as teclas que acabaram-se de se silenciar...
Procurei-te... não te vi... minha última valsa... tocada ao som do teu desejo... do teu corpo...
Não mais voltei a tocar... minhas mãos agora tocadas pelo teu ser... pertenciam-te.

terça-feira, dezembro 19, 2006

SINTO-ME

Sinto-me a amar para lá da lucidez.
Sorrir e corar com palavras doces, pintadas à mão.
Sentir a tua ausência como sacrifício que vale a pena.
Acontecer-me o amor como à fruta que amadurece no cesto.
Ultrapassar barreiras do toque, dos beijos e da solidão.
Viajar nos teus sonhos e debruçar-me à janela dos meus.
Ouvir a tua voz e entorpecer-me de paixão.
Ter na pele um carinho descontroladamente constante.

Vem destapar-me o corpo,
escorregar na minha boca
e encher-me de sussuros,
fôlegos e toldos de luz.
Vem passear-te pelos meus vales,
sem fuligem nos olhos
nem equívocos nos lábios.
Deixa que a alma transborde da carne.
Vem. Para sermos paixão enroscada.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

ACORDAR

Abri os olhos... lá fora os primeiros raios de Sol teimam em penetrar no quarto.
Olhei-te... linda... teu corpo brilhante pela luz que os invade e o suor transparente que ainda resiste em teu corpo da nossa noite.
Nao resisto...

Sinto algo a arder em mim... meu corpo desliza pelo teu qual rio a caminho do oceano.
Fazes-me sentit tão bem... Meus lábios procuram-te com uma fome selvagem de te possuir.

Perdi o controlo racional do meu ser... sentes?!?

Minha lingua percorre teu corpo em busca de mundos perdidos... despertas... tens os seios firmes, ansiosos por sentir meus lábios... Gemes num bom dia que me obrigas a agarrar-te com as minhas pernas. Minha mão percorre tuas coxas enquanto me perco no teu ventre...

hum... cravas tuas unhas em mim num grito de extase enquanto te beijo o fruto proibido...
- Possui-me!!!

domingo, dezembro 17, 2006

QUERO

QUERO...
...sentir o teu orgasmo em mim...
QUERO...
...sentir tuas pernas entrelaçadas às minhas...
QUERO...
...beijar tua boca e deixar teus lábios molhados de desejo...
QUERO...
...passear-me na tua língua...
QUERO...
...abraçar-te num único fôlego...
QUERO...
...cantar-te ao ouvido enquanto dormes nos meus braços...
QUERO...
...proteger-te do frio com o calor do meu amor...

TOCAR-TE

Com cruzes de fogo, fui marcando teu corpo nu.

Meus lábios eram brasas que queimavam.

Teus lábios de rubro convidavam ao beijo, sempre ardente, e só mais um.

Meus dedos apertavam contra mim,
tuas costas de veludo, as brancas nádegas.

A minha boca era uma aranha,
que percorria louca, sedenta, temerosa
teu corpo de mármore pedestal,
onde assento toda a fúria de animal,
de sexo e de cio embravecido.

Algo canta, algo sobe até à minha boca ávida.

Oh! Poder celebrar-te com todas as palavras,
todas as flores de dádiva.

Cantar, arder, subir, fugir, voltar!...

Quando eu chego ao vértice mais atrevido da paixão,

Acordo!...
No meu quarto, apenas silêncio e solidão!

ESCREVO

Escrevo cruzando as palavras, alinhando-as, interligando-as em grupos simbólicos ao sabor dos meus sentidos, das minhas emoções, das minhas tristezas, das minhas alegrias, das minhas relações, amores e desamores. Um passa tempo!... Este tempo que parece sobrar dos afazeres, como um espaço de nada, na vida suspensa das tarefas pré definidas. Um tempo em que podemos pensar nas coisas de que gostamos. Escrevo a Natureza, o verde das plantas, o branco da neve que reflecte o sol quando este brilha, a água que escorre da montanha e canta nas pedras dos ribeiros, a música dos pássaros alegres que fazem o ninho nas copas e cantam poemas de amor á luz da madrugada, o som das tuas palavras e gemidos quando nos amamos, o bater dos nossos corações, o brilho dos teus olhos quando, ao entardecer, caminhamos de mãos dadas na praia, e as ondas vêm quebrar o silêncio dos nossos corpos que, na planura da areia quente ainda do sol de verão, se juntam numa apoteose da cópula desejada.
Escrevo na madrugada, desperto do sonho que me trouxe o passado em que nos amámos com sofreguidão e sem pressa porque o tempo era só nosso e o mundo parava à nossa volta.
Escrevo à noite, quando no mundo parado, em silêncio, olho o teu rosto calmo dormindo, após um dia de luta e dever cumprido.
Escrevo nas férias que não gozámos, porque nos faltou o tempo ou o dinheiro, essa peste que a sociedade inventou para nos agrilhoar.
Escrevo para te dizer, quando não estás, que te amo e é para isso que vivo. Escrevo para te dizer o que os silêncios calaram e os gestos não foram bastantes para te dizer tudo o que queria e tudo o que te devo.
Escrevo dando-te as palavras que a mente fabrica, que os sentimentos modelam e os dedos martelam, numa cadeia de gestos para chegar junto de ti quando não te posso alcançar e acolher-te nos meus braços.
Escrevo para te dizer que, perto ou longe, a distância que me separa de ti é nula porque continuas, sem interrupção nos meus sentidos.
Escrevo no ar, poemas que não passam ao papel, porque o sentimento sobra e as palavras faltam, e sem gestos nem sons, continuo escrevendo em silêncio, porque no silêncio ouço a música do amor que ecoa nos recônditos do teu corpo que se oferece à minha mente e ao meu desejo.

sábado, dezembro 16, 2006

Hoje vou dormir

Não às palavras...
Hoje calem-se os montros;
os pesadelos;
os fantasmas à espreita no armário.
Hoje fechem as portas e abram as janelas.

Hoje vou dormir.
Sonhar.

Finalmente...

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Compõe-me...

Toca-me como se eu fosse o teu piano.
Passeia as tuas mãos nas teclas do meu corpo,
nas notas dos meus lábios,
faz música com os meus gemidos...

Compõe-me...
Compõe uma sinfonia perfeita
entra em mim como um maestro
que conduz uma orquestra
a um orgasmo triunfal
a uma explosão de sons e sentimentos.

Deixa que a noite nos aplauda.
Deixa que os lençois chorem
com a intensidade de Bach,
Beethoven, Mozart...

Toma-me como se eu fosse o teu violino.
Sê como o arco que rasga notas
das cordas em crescendos de sentimento.

Delicia-te em mim...
Quero que ouçam as nossas vozes
alteradas, entrelaçadas,
a cobrirem a música
de prazer.

Deita-te sobre mim.
Faz-me sorrir-te por entre
os altos e baixos dos ritmos.

Amo-te como amo a música...
Em sintonia com a sua beleza...
com o seu correr no tempo e no espaço.

Toma-me.
Compõe-me...
Ama-me apenas.

Silêncio

A música é o bálsamo da alma. O teatro dos sentimentos.
Invade-me o corpo, liberta-me toda esta intensa mágoa dos dias que correm e se esquecem de mim... Imprime os meus dedos nos meus ombros à força de me abraçar, de me embalar a mim mesmo.
Anathema toca uma e outra vez, dezenas, centenas, milhares de vezes até sentir que as notas do piano se me cravam na pele.

Não quero parar.

Quero que esta intensa dor se purgue do corpo, se destile pelos olhos, me morra nas mãos.

Libertem-me deste destino que é doer-me toda a alma, todo o corpo e não saber de onde me nasce esta torrente de espasmos...

Matem-me!!! Matem este eu que sofre e que se abandona a si mesmo nas ruas imundas e cheias de nada.

"Morrias" comigo agora? Abraçada a este espectro aterrorizado com a hipótese de viver anos e anos presa aos limites desta realidade, desta dimensão, deste tempo, deste infinito MAS, deste eterno PORQUÊ...

Abraçavas-me a alma e atiravas-te na noite, a "morrer" no lago, a "morrer"... A "MORRER"... a sentir a boca, os ouvidos, os olhos, os nossos amanhãs todos hipotecados nesse momento de vida?
A vida só é vida no último segundo. Nesse espirar da corrente de ENFINS, de LIMITES, de SEI LÁS, de NÃO SEI... e eu não sei, não sei porque quero tanto agarrar-te e atirar-me ao lago.

MINTO... SEI...

Meu amor... meu amor... não olhes dentro de mim, não vejas a face mais ímpia da insatisfação, não me queiras...

Foge. Foge das minhas constantes alterações de humor, corre e refugia-te porque eu vou-te rasgar, vou-te consumir nos meus desejos e paixões.

Eu tento. Tento ser bom, tento ser certo, tento ser direito, tento ser fascinante, tento ser válido, tento ser TEU mas só sou EU, tão só TEU, apenas EU... incerto, magoado, conspurcado, tocado, quebrado, rasgado, viciado nesta permanente depressão de sentimentos poéticos e ácidos.

Eu vou parar. Vou parar o ciclo de dor e raiva. Prometo.

(mas ela não pára e consome-me até à última réstea de ternura... beija-me...)

E no fim, do rosto comido apenas resta o silêncio da palavra que não soube libertar e nos livros do futuro nada mais constou que a cobardia da morte e da dor que é viver condenado a ser eu mesmo, de mim mesmo, para TI.

"SUSPIREI DE ALÍVIO"

Poema Fodido

Apetece-me escrever como o Bocage,
Mandar tudo para o caralho,
E que se lixem as boas maneiras.
E num poema fodido,
Porque estou com um humor de cão
Mando à merda a boa educação
E escrevo o que me apetece
e Dou um murro no poema
Como se desse um murro nas trombas
De quem não gosto e me chateia.
A merda que escrevo é só minha
Não sou correcto, educado, certinho
Portanto mando a poesia para o caralho
E num poema fodido
Esmurro a página e a linha.
Porque escrevo o que me apetece
E à merda a merda que escrevo!

A minha Carta

Hoje foi dificil ver-te partir, ficar com a tua ausência e nela deixo o vento beijar-me, a chuva molhar-me , na impossiblidade de sentir o teu abraço, de ler as tuas palavras, de ouvir tua voz, de sentir tudo de mim em ti!

Entrego-me ao céu estrelado tentando adivinhar o que ele me diz, onde estás, o que fazes, se pensas em mim, se ainda me queres, apesar dos meus medos, desvaneios, as minhas palavras retorcidas, a loucura que me invade, os sentimentos partilhados, a embriaguez que me invade os sentidos e me recebe sem receios.

Quantas vezes já ouvi falar em sonhos, de sonhos...
tantos, de tantas faces... de sonhos como se estivesse dormindo... acabo sempre por acordar no verdadeiro sonho, este que é quando se está acordado...

A cidade começa a adormecer. Teve um dia agitado.

Agora enquanto a cidade adormece, fico a olhar pela janela, com os olhos perdidos num ponto qualquer e busco de uma forma inconsciente rever o passado, aquele vivido horas atrás, minutos, segundos, preencher as saudades, procurando o cheiro, o gosto, o toque, momentos que me preencham a tua ausência.

Agora enquanto a cidade adormece, tento também eu adormecer... em vão. Tento também adormecer o palco onde és a actriz principal, tornar-me o espectador único na esperança de mais uma vez, mesmo sendo por um breve instante, rever-te e assim adormecer... contigo a meu lado.

Enquando a cidade se deixa envolver em mais uma noite fria, revivo a minha história na fria realidade dos momentos doces que pertencem agora a um guião cujas páginas foram viradas.

Agora enquanto a cidade adormece entendo que o amanhã é já daqui a um nada estendido no tempo...

"desperto"

Procuro saber o que é esse amanhã... mergulho em dúvidas, angústias, incertezas, mas mesmo assim... deixo-me levar. Entrego-me às tempestades, aos medos, ao saber que tudo o que sei é tudo o que me deste...

"sorrio"

Tento lavar as feridas do frio e partir de novo ruas fora... encoberto num manto húmido pelo orvalho que cai, sem me importar com o que deixo, rumo a uma cidade desconhecida por fora, mas entendida por dentro.

"Parei"

Fico a pensar se te posso ensinar mais caminhos que te levem aos meus segredos.

Imagino-te sentada, pensativa, imersa em navegações e explorações secretas. Imagino-te, tão somente.
E porque me sentes e me sabes, ergues as mãos e acaricias-me o rosto.
Pergunto-me onde deixaste o desejo que te consumia e o substituíste por um sereno sorriso. Pergunto-me onde me deixaste. Algures num tempo cansado passado, numa rua algures nesta cidade.

Existe um Eu que vive o mundo e o cansaço eterno de começar todos os dias uma nova história e terminá-la antes de o Sol se pôr.
Existe um outro Eu que só vive no teu mundo. Um Eu mais largo e mais profundo, com lábios liláses e vozes que ecoam dentro de ti.

Escrevi-te uma carta. Deixei-ta algures num dos meus recantos. Sei que a saberás encontrar. E quando o fizeres sei que morrerei algures. E sorrirei porque só tu és o meu legado no mundo.
Só tu e as tuas mãos curvas e o teu corpo doce.
E basta(s)-me.

“escrito num pedaço de papel algures pelas 4:45 da manhã e tudo o que bastava, era saber-te ali, no meu pensamento, dentro de mim, no meu coração”.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Alguma vez...

Alguma vez olhaste o céu, mesmo sabendo que ele é azul em dias dourados, alguma vez o olhaste só para confirmar a sua beleza?
Alguma vez fechaste os olhos levemente, numa intensidade assustadora de delícia, só para sentir o sol mais perto?
Alguma vez abriste os braços, numa cumplicidade extasiante com o vento, só para rodopiares sobre ti mesmo?
Alguma vez sonhaste, num segundo de fugacidade momentaneamente real, só para conseguires sorrir?
Alguma vez cerraste tuas mãos, numa fúria desmedida, tentando conter a água que chove em ti?
Alguma vez gritaste, em sussurro de lágrima, palavras de alma que nem precisavam ser ditas?
Alguma vez quiseste estar, numa fracção de rapidez, noutro lugar à mesma hora?
Alguma vez nos tinhamos cruzado por vôos de silêncios impossíveis?
Alguma vez não nos falámos?

domingo, dezembro 10, 2006

HOJE!!!

Eu entendo que nunca te sentiste tão livre como no dia em que ultrapassaste a correr o vento Norte. Que sabes bem que os anjos nunca foram beijados, e por isso o seu desejo é sempre mais forte que as asas inúteis. Que só te interessa o mar que traga consigo uma onda maior. E sei bem como é difícil não voar directamente ao sol. Mas fico com pena se já tiveres adormecido quando chegar o tempo selvagem das vindimas.

É verdade que as palavras brilham nas tuas mãos como se fossem cintilações de loucura. Que à tua volta anda já a canção irresistível das coisas simultâneas. Que os teus pés não sabem de caminho por que não valha a pena sangrar. E sei bem como é difícil não soltar de nós o grito aberto. Mas tu mereces estar pronta quando chegar o tempo perfeito da taça de vinho.

Hoje pensei que se tivesse de te ensinar de uma vez tudo o que aprendi, te diria para olhar em vez de tocar as estrelas, para escutar em vez de soltar as palavras cristalinas. E que se tivesse de te dar de uma vez o segredo das coisas vivas, te diria para meditar no mistério da maturação dos mundos. E sei bem como é difícil amarrar os póneis selvagens. Mas só saberás da alegria verdadeira se deixares chegar lentamente o tempo dourado da embriaguez.

..a poesia é uma pena delicada que esvoaça pelo ar.
Nega-se, a maldita. E ainda assim... amo-a.
Com a força inegável do sangue que me corre pelas veias.
Ela deixa-me submerso em abismos de palavras e memórias absurdas.

Hoje lembrei-me rapaz. Hoje lembrei-me inocente e sonhador. Sabia-te algures no meu caminho. Sabia-te escondida. Perdida de mim.

Hoje lembrei a poesia que escrevia há muitos anos atrás. Os meus amores e desamores. Os meus enganos.
Hoje lembrei-me de mim e escorreram lágrimas de luto pelas minhas faces pelo que fui outrora. Pelos devaneios que acalentei no coração.
Deles sobraram-me a imagens, silhuetas, olhava lá longe, do outro lado do lago.

Hoje tenho-te ao lado dos meus sonhos nada mais resta senão pós de perlimpimpim soltos no ar perfumado de primavera.
Hoje quero construir novos sonhos deitado no teu regaço.

Amor... amor... esquece o Passado, o Futuro, as linhas Temporais que se cruzam, cobre os meus lábios com os teus e enche-me da tua alma.
Hoje... quero sonhar.

sábado, dezembro 09, 2006

Letras

As minhas letras
todas as letras
são meramente o conjunto
das outras letras
todas as outras letras
jamais lidas
até ao momento
da escrita.


Legal Notice

A difusão desta banda sonora serve apenas para fins de demo.
Em nenhum momento é intenção a divulgação para fins comerciais.
O suporte à divulgação desta banda sonora teve como origem um
suporte original na posse do proprietário deste Blog.