segunda-feira, maio 07, 2007

REENCONTRO

Faltam-me palavras, faltam-me sílabas e sons que expressem tudo aquilo que sinto dentro de mim.
Somente sei que a cada dia que passa um pouco mais de mim descobre que tu existes dentro de mim e que me fazes bem, que me fazes sentir feliz, preenchido e completo.
A cada dia que passa, sinto mais o meu coração a bater, o sangue a pulsar nas veias e um sorriso enorme que me nasce entre os lábios que tantas vezes beijas-te e beijas.
Deixa-te ficar no meu peito, sente a força do coração que bate, a vontade que ele sente dentro, o querer que ele busca sem limites, o desejo que tem tão persente.
Deixa-te ficar no meu peito, ser o brilho que ilumina os meus olhos, o sorriso que se mostra por entre os lábios, o beijo que te espera na boca, a ansia presente do corpo.
Deixa-te ficar no meu peito, sentires o amor que te acolhe, o futuro seguro que te escolhe, a paixão que me alimenta todos os dias, deixa-te ficar, porque Te Amo.
Sinto a vontade, o desejo ardente, quente, a pulsar na veias. Sinto o calor, o amor a palpitar, a latejar-me entre os dedos. Sinto o sabor, a dar-me prazer nos meus sentidos por entre os desejos desmedidos de noites e noites de amor. Sinto o aroma no teu corpo intenso, doce e saboroso inundando-me de um querer imenso. Sinto o paladar, o sal do suor dos corpos suados, amados na entrega urgente da vontade. Saciados de um desejo iniciado num beijo e encerrado no Amor.
É assim que me sinto sempre que nos encontramos...
Sinto... sede de ti!
...de ti que eu Amo!

domingo, maio 06, 2007

OCEANOS

Deixa-me... navegar em teus afluentes, mergulhar no mar lúgubre de teus olhos e poder sentir em meus lábios o cálice doce de teus beijos! Liberta-me... das alcovas milenares do passado, deixa minha alma vidente, pressentiras chamas ardentes e fugazes da paixão e unir-nos corpo a corpo!... Explora-me... vem sentir vida dentro de mim, em cada milímetro do meu corpo, em cada légua do meu coração!

Mira-me... só mira-me... somente! Teus olhos dizem-me muito mais... Deixa-me ancorar em teu oceano quente, quero afogar-me pouco a pouco contigo!

EXOTICA

Encontrei-te num raio de sol onde a noite ilumina teu belo e terno colo, onde eu posso ver teus lindos olhos nestes instantes em que doces palavras se soltam em teus lábios fazendo com que o meu sorriso se ilumine unindo-se ao teu... sei-as de cor... sinto que o som delas é belo e ternurento... juntei-me a ti, num misto de alegria e aconchego de palavras que se escondem no escuro de um sorriso, num abraço terno que um beijo sela. Guardo o teu sorriso num canto junto ao meu pois em ti me procuro e me encontro. Abrigo as tuas memórias em comunhão nas minhas porque todas elas, também são tuas... são momentos que vivemos profundos e irrequitos. Albergo os teus carinhos na minha pele pois sem eles não vivo. Conservo em mim tudo de ti, todos os gestos, cada instante. Em cada beijo teu, há um beijo meu...

sexta-feira, maio 04, 2007

DOCEMENTE

Adoro saborear cada palavra no teu gesto de magia
no teu tocar intenso
no teu beijo de mel.
Provar cada silêncio
cada doce respirar
cada singelo suspíro
cada suave murmurar.
Deliciar com o sal do corpo
com o calor que dele emana
com o amor que dele profana
e beijar somente como quem ama.
"Trincava-te" se a minha boca alcança-se o que o coração tem...

DIAS DE TERNURA E MIMO

Lembraste do amanhecer?! Falo da ânsia e do desejo que nos acordou hoje e nos carregou por entre nuvens até ao anoitecer... falo meu Amor, minha estrela da tarde, do acordar dos sentidos, dos silêncios trocados, do entorpecer do fogo num beijo unido na luz de um dia de festa abraçados numa ternura despida. Falo dos beijos trocados ao fechar dos olhos, do coração pulsando de emoção e ansiedade, e finalmente sob o olhar atento tu estas sempre lá... unidos num beijo único, unidos num entrelaçar das mãos na companhia de uma sedutora melodia... essa que se entrenhou em nós... um poema doce de sentir... Volto a por a música... volto a ouvir e tudo ao meu redor se transforma... vamos dançar, nos enrolar um no outro, entrelaçar nossos corpos unidos no calor que se desprende de nós... sim... sinto-me mimado... a querer os teus mimos em mim."Heaven knows" que hoje... o dia se ajoelhou a nós... a música apenas se tornou no ínicio de um balada que se completou nas nossas cumplicidades.Sinto-te sedutoramente quente em mim... e eu... perdido em ti.

quinta-feira, maio 03, 2007

PEDE UM DESEJO

Fecha os olhos...
Pede um desejo...
Pouco importa que peças o Universo... De nada importa se pedes o céu, o dia ou a noite...
Fecha os olhos...
Pede um desejo...
Não tenhas receio...
Pede um desejo...
Sopro-te manias alucinantes ao ouvido para que te lembres...
O céu é o limite...
Pede um desejo...
Toco em tua Alma com a minha mão...
Os medos desaparecem...
De olhos fechados pode-se desejar imenso...
para que ao os abrires... sorrias... contempla-te...
Não é alucinação... São os teus lindos olhos castanho-esverdiados...
Pede um desejo... não pares nunca de o pedir...
Pede um desejo e beija a escuridão cintilante que te oferece...
o dia...
a noite...
o entardecer...
o amanhecer...
A postura das horas a ti pertence...
Os sonhos são reais...
Fecha os olhos...
Pede um desejo...
Acredita... Eu acredito em Ti...

UM AMANHECER

"Há um pequeno sismo em qualquer parte ao dizeres o meu nome.
Elevas-me à altura da tua boca lentamente para não me desfolhares.
Tremo como se tivera quinze anos e toda a terra fosse leve.
Ó indizível primavera."

Eugénio de Andrade


São palavras como estas que me fazem estremecer sempre que as usas no teu olhar de menina e moça, no toque de Mulher suave e doce com que cobres o meu corpo e nas palavras que me ofereces de ternura e amor com as quais forras a tecido doirado no meu coração.


Revejo-te a cada instante nas memórias frescas da tela por nós pintada com traços firmes e fortes dos sentidos a dois e nela desenho a cada dia uma nova linha que teço como um bordado os desejos que crescem a cada amanhecer e os quais apenas tu os poderás sossegar.


Adormeço contigo a meu lado... oxalá a noite passe num passo acelarado...

Amanhecer... aguardo-o ansiosamente para um acordar a dois.

quarta-feira, maio 02, 2007

MIL E DUAS NOITES


O segredo do amor é a androgenia.
Somos todos, homens e mulheres, masculinos e femininos ao mesmo tempo.
É preciso saber ouvir.
Acolher.
Deixar que o outro entre dentro de nós.
Ouvir em silêncio.
Sem expulsá-lo por meio de argumentos e contra-razões.
Adivinhar os mundos adormecidos que habitam os vazios do outro.

terça-feira, maio 01, 2007

ELEMENTOS NATURAIS

Na chuva és letal... abates-me as artérias sem pedires, comes-me os sentidos à revelia. Despenteada... Molhada pela chuva, vestido branco... dedo na boca... por entre a névoa... visualizo o teu string vermelho... entranhado... tão teu! Quente, intenso, contrastante com a chuva... fria e desconcertante! Aproximo-me... Fugaz, decidido! Vais ser minha... Aqui e agora! Não há mundo, não há vida... Só dois corpos, o banco daquele jardim, e a chuva que escorre por entre os sexos... húmidos de desejo, lânguidos por se terem! Quero-te de pé... No meu colo! Quero sentir o teu peito contra o meu... A tua língua contra a minha... Tuas mãos contra as minhas costas, minhas contra as tuas nádegas! Em silêncio, numa dança... somos tesão, leões do desejo... Hoje o tempo não passa... O dia não conta, os minutos não vivem... Hoje só o teu sorriso cruza o horizonte, só o teu sexo me detêm, só as tuas mãos me seguram! Faz-me vir assim... Nas tuas asas, no fogo do teu corpo, nas profundezas do teu sexo!

segunda-feira, abril 30, 2007

ADORMECIDO

Acordei repentinamente, tinha o braço adormecido, e o pescoço corroído pelo cansaço... A tua cabeça estava apoiada em mim, sentia o pulso trémulo! Olhei-te assim... frágil, adormecida e minha! Senti-me perdido de tudo, despegado do mundo... Os meus olhos lacrimejaram... (não consegui conter) e revivi a noite... em slides, em sequência... cena após cena, beijo após beijo... estávamos ardentes e invisivelmente juntos! Murmuraste... Sorri! (gosto quando fazes isso... dizes coisas que não entendo,e amarras-me o braço com força!) Perco-me a olhar para ti... Ficava anos a fio assim! A desenhar o teu rosto no meu peito, sem te acordar...
Só eu e tu... No mundo!
Aceitas...?
Diz que sim...

domingo, abril 29, 2007

ECOS DO SENTIR

Sentes-me por perto? Sentes que tento enroscar-me... Ser teu mesmo de mansinho. Sem dares por nada… Intrometido! Notas o meu sorriso? O brilho de te ver em frente a mim! Estou nostálgico... Queria sentir o teu calor, perder-me num mundo nosso... sabes… perco horas a olhar o horizonte, a ver como corres ao longe, sempre destemida... gosto quando me olhas por entre pestanas, igual a criança mimada... e te voltas a perder. Dá-me a mão, entrelaça os dedos, aperta um bocadinho... e vamos! Descalços na areia fina. Somos a paisagem, o vento, os rochedos, a praia, juntos somos o mar salgado, as ondas, as conchas e o paredão... assim me fazes sentir... juntos somos a estrela-do-mar, a criança e o castelo de areia... juntos somos tudo... no meio do nosso mundo.

sábado, abril 28, 2007

ENTARDECER

A languidez do fim da tarde alastra-se pelo meu corpo cansado. O ar é translúcido e a cor do céu um azul forte que começa a desmaiar, e ganha já contornos laranja. Foi todo um dia em que parecia ter de novo quinze anos, ou então foram as horas que esticaram e de súbito havia outra vez tempo para fazer tudo o que sonhava. Talvez a juventude se esteja a despedir quando reparamos que os momentos de liberdade física escasseiam. A liberdade da vastidão da praia e do mar, das matas e dos arroios, dos passeios junto ao rio, a liberdade de ter tempo para fazer todo o nada que se deseja. Por isso vibro quando surgem estes dias soltos, como páginas avulso repletas de poemas que não pertencem a livro nenhum. Não são vividos com ponderada programação, nem com alinhamentos pré-definidos, mas antes com a mesma alegria, a mesma ilusão naif e o sorriso gaiato.
E agora estendo-me ao final da tarde no sofá da sala, com a janela entreaberta. O meu corpo queimado pelo sol recente em cada músculo a beleza deste dia, a prova de que há mesmo muitos cansaços bons. O chilrear crepuscular dos pássaros embala-me no torpor do dia já prestes a terminar. Resisto a cerrar totalmente as pálpebras para não perder a mudança das cores das coisas, através das vidraças. As palavras que ondulam no meu pensamento são alinhadas uma a uma no entardecer que parece confiar só a mim o segredo de memórias recentes que me trazem um sorriso aos lábios.

sexta-feira, abril 27, 2007

MOMENTOS QUENTES

Quando guardo a escrita que me fazes, quando leio o que teus lábios me dizem, quando sinto o teu coração bater mais forte, Isso é amor... Quando me preocupo e te encho de mimos, quando te quero proteger e ver-te só sorrindo, quando vejo que estás feliz e me sinto feliz, Isso é amor... Quando deitado ao teu lado sinto a harmonia em redor, quando no teu abraço apertado me sinto melhor, quando beijo os teus lábios e sinto fervor, Isso é amor... Quando sinto saudades de não estar contigo, quando ando à noite perdido se tu não estás, quando a cada minuto da vida te quero por cá, Isso é amor... Quando te amo e te ouço também, quando te sinto e te toco com ternura, quando te acarinho e me dou a ti, Isso é amor... Quando guardo na mente as nossas memórias, quando escrevo verso ou prosa de ti, quando é contigo que quero estar, Isso é amor...

A MINHA ADMIRAÇÃO

As mulheres são de extremos no que toca aos cuidados com o corpo. A forma como elas cuidam dos pêlos que têm no corpo é absolutamente espantosa. Um dos grandes mistérios para mim é o facto de uma mulher conseguir pôr cera quente nas pernas, arrancar os pêlos pela raiz e continuar a ter medo de uma aranha. Por vezes vão ainda mais um nadinha longe, recorrem à electrólise. É o mesmo que pôr os pêlos, um a um, na cadeira eléctrica. É a pena de morte do pêlo. Põem o pêlo na cadeirinha, põem-lhe o capacete metálico, dão-lhe uma última passagem com champô e com o amaciador que ele escolher. A única coisa que o pode salvar é um telefonema da Epilady. Mas ainda assim admiro-as pela coragem.

quinta-feira, abril 26, 2007

CAMPOS DE SONHOS

Da cópula dos sentidos, descendeu a ânsia, brincando de ferver na candeia das artérias. Tremiam que tremiam pensamentos! E o corpo, desapaziguado com a calma, era um desastre no manejo da candura - tanta candura por aqui dentro tudo!.. escorrida numa baba de medo, numa gagueira mansa, suando delicadamente as mãos, prenhas de ternura rota. E a paixão, assim, desavisada de jeito, ia eriçando a penugem das vontades, soprando afetos, afogada em desrazão. E a febre adubada de sonhos ia, de um jeito criança e bonito, servindo de pasto à realidade. Da vigília para o sono, vezenquando encontrava a paz - que me era arrancada dos campos da emoção, pequeníssima flor, tímida de cheiros e gestos, no triste pendor de colher, colher a si. Todavia, eu nunca me queixei, do desconcerto nos músculos, desafinando a orquestra do coração. Recusei remédios, cessei com a lucidez do mundo. Sentir virou minha doença, minha poesia por ti.

terça-feira, abril 24, 2007

FELIZ ANIVERSÁRIO MEU AMOR

A idade deveria ser contada como as horas... tenho 21 e 9 ou 22 e 10 ou mesmo 20 e 12. Hoje dia 24 de Abril é o aniversário da Mulher que eu Amo...
Cada dia que passa estás cada vez mais bela, madura, coesa, forte, sorridente, traquina, mas acima de tudo... apaixonada pela vida...
Hoje, sim hoje porque estamos já no 1º minuto deste maravilhoso dia 24, mais do que palavras valem os actos... sei que és curiosa e isso em ti transforma-se em algo de tão maravilhoso que me faz querer te abraçar só para relaxares de tanta vontade em quereres saber o que irás receber de mim. Seja o que for (logo verás), é uma grande surpresa... mas mesmo surpresa que seja, nada, mas nada é comparável ao Amor e à Paixão que me sabes por Ti. Bailo por esta noite escura e trago nos meus braços as flores com que quero te envolver... bailo neste silêncio onde o som que tu ouves é o meu coração, sedento por ti.
Mais do que palavras... hoje... o dia é TEU!!!
FELIZ ANIVERSÁRIO MEU AMOR...
P.S.: A foto é sem dúvida um preságio do que te quero oferecer não apenas neste dia...

domingo, abril 22, 2007

A MINHA PRIMAVERA

Sono em suspenso, madrugada quente. Suor nas idéias, pensamento insone. Lembranças remotas, semi-vividas, que me trazem saudade e o desconforto de não terem tido desfecho contigo. Nem materialidade, quantas vezes. Saudades tenho do teu ardor juvenil, confesso, desse suor que hoje sua novamente a face, acelerando as sensações, oferecendo-lhes textura, cheiro, semântica. Oferecendo-lhes poesia. Sim, saudades do gosto, do rosto, de antigos trejeitos, transeuntes das minhas ruas, ou bichos das selvas de mim. Ainda assim, sei que não trocaria de instante. Este é o mais belo... Encontro no meu presente tudo aquilo com que sempre sonhei. Beleza, reciprocidade, afeto. A história outrora aguardada. Construo o que há de mais sublime na existência. Sou fiel a tudo isso, a eternidade desses sentimentos, ao tanto que me renovam, e também resgatam a verdade de menino, que sonhava o amor. Carrego um sem número de reticências, mas também vou fechando lacunas, acrescendo pontos finais. Abrindo parágrafos, preenchendo páginas de um branco tão moreno como eu, com o sol do amor que faz em mim.
És (pra sempre) a minha Primavera.

sexta-feira, abril 20, 2007

TENS-ME ASSIM... NÚ AOS TEU OLHOS

Tenho o coração descompassado, estou feliz! Por breves momentos que mais pareciam eternos pude assim te rever... e é sempre como uma surpresa boa, como ter notícias sem estar à espera. Foi uma troca de mensagens de puros olhares, tudo aquilo que me possa fazer sonhar... mas foi tão bom! Ninguém me tira nestes dias este sorriso de orelha a orelha. Sinto-me feliz. Sinto-me feliz com isso, por ter partilhado um pouco de alegria com a Mulher que Amo. Sou um tontinho sim eu sei. Um tontinho feliz, de lágrimas sorridentes nos olhos. Percorri um caminho de ternura que me levou até ao amor. Dei conta que afinal nada sabia sobre os arrepios da pele. Envolvi-me num manto de alecrim e apenas nas ondas do Tejo me atrevo a soltar o meu tesouro sob a forma de um beijo eterno, esperando que um dia ele consiga atracar nas margens do meu Douro.
O primeiro olhar sabe-me sempre ao primeiro beijo que ambos tecemos numa manta pintada pelos nossos dedos por entre os corpos que se uniam, belos olhares quentes trocados e imensamente profundos... sabes-me irremediávelmente e loucamente apaixonado por ti.
Somos feitos das memórias que tecemos, procurando a vida que arrumámos no baú, como vitaminas que nos fortalecem quando o corpo pede calor às recordações. Somos feitos da música que escorrega do luar. Queria ganhar esquadria no teu peito. Não cabe lá o meu som?
Sei que te pertenço, sinto-o mas também o permito, o desejo que assim seja e tal como uma criança inocentemente te abro o peito e deixo-te entrar sem mais demoras.
Sim porque te quero e o desejo não sabe mais por onde escapar, arder, consumir... tal é a sua força que apaziguo apenas no momento terno e suave em que abro os olhos e sinto os teus em mim.
Enrosco-me no lençol arranhado pelo nosso tempo, retiro de mim o que do Inverno guardo, sentinela de palavras que me escorrem às mãos-cheias, tão vazias quanto o arbusto morto em raiz de fraqueza, tão abandonadas à sorte de um bem-querer que não se quis, mitos de romaria a correr para saudar o vento quando o corte da laranja suspensa ainda sabia a sumo fresco. São risos, alcateias de uivos a encher a minha noite, trepando devagar pelos meus cabelos soltos e curtos, ecoando como águias em fúria empoleiradas num campo de malmequeres à espera da presa esguia, dos olhares e do medo, investindo contra a minha nostalgia que transpõe a autoestrada em segredo e acorda contigo, espreguiçando-se cedo no abrir das tuas pálpebras.
Quero acordar contigo hoje... amanhã... e depois...

quinta-feira, abril 19, 2007

RETRATO


"A vida é uma manta de retalhos". Muitas vezes dei por mim a soletrar estas palavras por entre momentos bons e outros menos agradáveis. Hoje compreendo que dedilhava por entre palavras uma composição errada. Em algum momento posso considerar a vida uma manta, muito menos composta por retalhos. Hoje posso afirmar que a vida é como um retrato a carvão, vincado por entre o queixo forte e firme e a fina linha que abraça os olhos. Posso estar de novo errado, mas... sei... sou... sempre com um sorriso por entre os lábios mesmo quando tristes.. porque cada um... Eu... Tu... somos como um retrato que se completa a cada dia que passa... por onde o teu cabelo é uma onda de espuma na areia suave que forma a tua pele. Saber sorrir... eis que se resume a isso... Pode soar simplista e minimalista mas o que é o sorriso sem saber se sorrir? Hoje apercebo-me que sou provavelmente redutor e ao mesmo tempo exacerbado... reduzo tudo à simplicidade das emoções que muitos julgam complexas mas onde na verdade... tudo faz sentido... tudo é tão simples como o sorriso de uma criança. Um retrato... um retrato da vida seria para mim o Teu onde os olhos vivem como candeias sempre acesas, a tua face a palete de cores vibrantes que me fazem querer pintar mais e cada vez mais. Neste retrato a tua boca tem o calor de uma lareira carregada de brasas que se veêm acesas por entre noite fora... é um fogo que não queima madeira mas sua luz se prolonga e estende por entre o infinito. Cada dia passado, vivido e sentido transforma-se numa pincelada a carvão na composição do teu retrato... e de longe... mas tão perto... admiro-o na sua composição. Porque tudo seria tão belo se todos sorrissemos, alegro-me porquanto em conhecer o teu... e isso só por si... basta-me para me fazer sentir... Feliz. A vida é um retrato em constante movimento... gostava um dia de rubricar o Teu.

quarta-feira, abril 18, 2007

NOSTALGIA

Vestido de azul entro pela praia adentro tentando serenar o coração tingido pela saudade, pela presença de um rosto transformado na ausência perante o horizonte mais faminto que conheci até hoje. Seguro o guarda-chuva na mão trémula junto ao peito onde as nuvens que carregam o céu são abismos desvastadores. O que olho? O que busco? Que anseio pedir ao horizonte que ele me traga, sem questionar, sem ambicionar o ser que me completa à minh'alma frágil e forte no seu querer. As rochas escondem o vício das palavras quentes, os traços cinza que cortam desejos procurando e sentindo marés que deslizam por entre memórias recentes que vou tendo. As marcas do desassossego, de uns lábios aflitos à procura do teu abrigo que me chega porque a madrugada dorme no sono e as gaivotas que me perseguem pousam nas dunas torradas escondidas por entre o brilho dos teus olhos. Passo a passo introspecciono o limite das mãos tentando desvendar as peças que compõem o puzzle do silêncio e os monólogos criados e recriados, falando e gemendo, gritando e chorando à medida que vou teatralizando uma simulação quase óbvia àcerca de mim e do que me rodeia.Tenho saudades. Amo. Respiro. O mar continua calmo. Tranquilo. Hoje faz-me companhia e transporta-me ao seio do teu colo. Anseio que a sua espuma me abra silhuetas na pele e o sal se desdobre nas minhas pálpebras. Se a nostalgia chega aos olhos é a razão enfraquecida pela força do sentimento que me une ao teu ser.