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(...) um daqueles dias em que só me apetece foder.
Deixa-me te trincar, provar... deliciar-te com o céu e o inferno.

Sabes quando tens assim uma espécie de peça especial de um puzzle grande e complicado, demorado e desafiador, daquelas que encaixam em qualquer canto ou entre quaisquer outras duas, como que se de peça-mestra se tratasse? Uma peça matizada de mil cores que se funde com a história do puzzle, qual camaleão na paisagem? Sabes do que falo? Imaginas ou recordas na tua cabeça o que me veio agora à memória? Pensa então um bocadinho, acende uma vela bem lá no fundo de ti e procura nas gavetas poeirentas da lembrança. Vasculha, destapa os momentos que já foram e que cobriste com lençóis brancos, agora que és grande e brincar nada mais é do que um sonho por chegar.
Há gente que te pode fazer tanta falta como essa pequena peça maravilhosa que sempre ajudava a terminar o entretenimento de uma tarde. Há gente que está ao teu lado tão silenciosa como a noite de nevoeiro nas margens do rio, contando-te histórias fabulosas que antes só vias na tampa colorida da caixa do puzzle, sussurrando-te ao ouvido ou espelhando no seu rosto, lendas tornadas reais num instante, num olhar, apenas. Há gente assim, que diz boa noite e te abraça quando os pesadelos atormentam a noite, aconchegando-te, sorrindo-te no escuro. Mais do que o brinquedo que construías com a peça recortada.
E eu conheço gente assim. Respira ao meu lado sempre que piso a Capital do meu mundo.
É o mesmo dia de há bocado, daqueles letrinhas tantas que se lêem sob a data deste mesmo dia, e continuo agora as palavras da manhã. Nenhum diário, nenhuma crítica. Apenas o desabafo do mais incrível e fantasticamente chegado momento; não agora, não hoje, há já tempo incontável e sem medida. O instante, ora bem, de sentir que presença alguma completa tanto o meu sono e acordar, como esta de que sinto saudade na distância contada em metros ou quilómetros, tanto faz. O instante mais alegre e sombrio dos tempos que foram sendo. Simples perceber... porquê.. É o mesmo dia daquela espécie de coisa nenhuma que saiu destes dedos ia já alta a manhã. E é sempre aquele instante e todos os que chegaram antes e vieram de seguida, que alentam a outra escrita e sem dúvida esta também..Voltamos a nos encontrar, aqui e agora, um novo mundo, o mesmo mundo onde o espaço se cruza com o tempo e este vagueia-me por entre os dedos sem dó, sem esperas, para aqui, de novo, me olhares.
As saudades serpenteiam-me os olhos, fazem-me crescer água na boca pelo sabor quente e único das pautas que tão bem improvisas.
Aguardava-te… sabia que virias, sorrateira, silenciosa como a noite e pedes-me que te conte uma história, mas não são contos de fadas para sonhar e abrir portas à imaginação, que vais ouvir. Andaram fugidas essas palavras de colorir e de encantar, adormecidas, mas perguntas-me sobre a história. Não te quero falar das ondas, da maresia, das pedras redondas à beira rio que enfeitam as calçadas, das estações que harmoniosamente se sucedem ou mesmo do pôr-do-sol que embala o sono adiado dos turistas de pés descalços.
Querias ouvir uma história dessas era?
Querias que te descrevesse a cor da estrada, do alcatrão, o cheiro do pão acabado de cozer ainda a fumegar sobre os tabuleiros reluzentes. Queres vaguear de mão dada comigo no monte, na albufeira, por entre as ruas da cidade, na foz e descobrir essas maravilhas? Mas não te irei contar nada disso, sim, quero antes improvisar uma história real, com amores, encontros e desencontros, noites em claro por razão alguma e apenas um odor que corta devagarinho e prazerosamente. Prefiro ver os teus olhos revirarem com a surpresa do início do dia, dos nossos dias de carne e osso, rir, flutuar em pensamento e abraçar nobremente as nossas causas. Mas conto-te o que os dias me trazem, o gosto de te ouvir quando falas ao meu ouvido do outro lado da linha, quando um sussurro chega devagarinho, com a tua respiração rente ao meu cabelo e o ruído do metro se intromete na calçada dos nossos passos, quando a meio da noite, relembro todas as palavras e os olhares.
É então, como ao pousar a cabeça numa descoberta pela almofada, adormeço por entre as recordações dessa história real, das oscilações da tua voz, das quebras, das paragens, dos sorrisos que os teus lábios desenham aqui e além, do brilho dos olhos, da luz e das sombras nos contornos do teu rosto, quando as frases vivas revigoram e os sentimentos enevoados que espreitam. Gosto de saber que me falas sem ocultar as paredes rachadas da tua alma, quando me dizes bom dia, gosto de ti e dorme com a certeza de que uma certa presença invisível repousa ao teu lado, porque assim me sinto tão, mas tão perto do verdadeiro tu que olhos poucos vêem. Tão incrivelmente perto de ti.
Conto-te a história real das conversas nunca incomodamente sem assunto, mesmo a que surgem acabam por o conquistar, quando em silêncio se conversa com a mesma linguagem, embora renovemos os modos de expressão. Saberão os enamorados separados pela pipocas ou pela mesa do café, que a respiração serenada pela companhia conta um mundo de histórias? E que o livro da nossa memória é página única dos seus capítulos? Duvido…
Afinal acabei por te contar várias histórias, únicas, verdadeiras, pois cada pedacinho teu, são narrações de linhas brancas e amarelas, sons que se colam à cara fria e nos envolvem com o cachecol do teu olhar.
Não deixes de falar, não cales o teu espírito.
Faz-te ser quem és.
E a mim… nem sei… Perdi-me em pensamentos enquanto te escutava.





Presa em duas mãos por entre lábios feitos reféns pelos meus. Desejos que se perdem à procura do que é certo, corre pela calçada dessa Lisboa que te abriga, deixa que te descubra. Chega de torturas intímas, abraça-me, deixa-me te olhar por entre o espelho que espera ser olhado, descobrir-te por entre a nebulina dessa manhã que descobrimos a cada dia que nos olhamos.
Aproximo-me... lentamente... com serenidade... como se eu fosse o trajecto que timidamente vou percorrer e o destino que vou conquistar. Fico perto... o suficiente para te ouvir respirar, para sentir o teu coração bater, para absorver o calor que se te evapora da pele.
Pequenos gestos, silêncios, pequenos momentos, acontecimentos. O Mundo esta repleto de instantes, pequenos tesouros que passam despercebidos nas horas que se nos atravessam os dedos na constante correria que teimosamente trilhamos neste fluxo de tempo.
Hoje dei por mim indagando isso mesmo. Para que serve um Homem?Esta questão é uma daquelas que todos os homens garantem saber a resposta e para a qual ninguém irá nunca admitir o contrário, sábios conhecedores da realidade feminina e de tudo aquilo pelo qual esta anseia e deseja. Meus caros... como andamos enganados.
Primeiro um homem serve para lhe lembrar, a ela, o quanto adora ter nascido Mulher. Serve também para lhe olhar como se diante de um E.T. estivesse quando esta frente ao armário amontoado de roupa constata que "não tem nada para vestir", nada mesmo.
Serve para notar sempre, todas as vezes em que ela lhe aparece com três milimetros de cabelo a menos e dizer que foi uma mudança brutal, incrível.
Um homem serve também para lhe coçar as costas até que adormeça de "cansaço".
Serve para lhe dizer todos os dias que a ama e todas aquelas palavras que lhe acariciam o ouvido e que tanto adoram ouvir. Óbvio que um bom homem tem de "aguentar" que ela lhe repita isso de manhã até à noite fazendo uma cara de felicidade, como se acabasse de receber uma boa nova... "como conseguimos ser tão frágeis diante delas e por elas".
Um homem serve para lhe dizer "Estás linda!", ao invés daquelas palavras suicídas "Mas tu vais com essa roupa?"
Mas um homem também serve para fazer inveja as amigas, principalmente aquelas que nunca conseguem nenhum, é nessas alturas em que... "Epah onde está o lencinho? Algo escorre no canto dos lábios delas! Será gloss? tss tss tss".
Um homem serve também para lhes dar aquela reconfortante sensação de que fará toda a diferença chegar uma hora mais cedo, serve para ajudar a criar toda aquela atmosfera familiar com todas as chatices que a faz, completa e absolutamente necessária e insubstituível.
Um homem serve também para a levar a uma visita erótica ao jardim do Éden, e por entre sussurros ao ouvido, lembrar-lhe que sentir-se amada é algo que adora que lhe percorra a pele como se de um arrepio se tratasse.
Mas elas sabem que esse homem é o "tal" quando ele já teve a oportunidade de ver aqueles fiozinhos de cabelos brancos brilhando entre uma e outra visita ao cabeleireiro, sem que as façam querer cortar os pulsos, quando ele sabe que é humano ressonar e ainda lhe oferece uns beijos para que não se sinta irriquieta, quando ele compreende o que é ter uma daquelas fomes de "leão" e medo de aranhas e trovoadas, ter cólicas, dores de cabeça e desejos, mesmo os mais estranhos, que se lembra dela quando vê uma linda bolsa numa dessas montras de um shopping que percorre ao seu lado à quatro horas seguidas e ainda assim mantém a frescura de quando lá entraram... ou um simples chocolate crocante.
Um homem também serve para lhe oferecer o aconchego de uns mimos e um lenço quando ela chora ao ver o filme "Cidade dos Anjos", e não esboça um único riso, pelo contrário, aquece-lhe ainda mais a alma...
Não existem Homens perfeitos, apenas verdadeiros amantes e reais companheiros que se preocupam acima de tudo, com o bem estar da Mulher que Amam.
Respiro um estranho e maravilhoso silêncio, que me fala numa linguagem marítima e sensual. Apenas sei viver num vendaval de amor com os olhos carregados de chegada lonjura, respirando o carregado odor... feminino.