sábado, maio 02, 2009

VIVO


Que se procriem em mim os santos diabos e que nasçam e que morram para tornar a viver os meus desejos trancados, pois que a noite senhora da lascívia, traz com ela a saudade de teu corpo e do teu cheiro, de tua boca humida, ávida de beijos... Tua língua inquieta trespassa meu intimo, devora minha carne, devassa minha alma.

Desliza teus dedos por minha pele, marca em versos nossa história, meu corpo é tua tábua, meu sangue tua tinta, minha vontade teu escravo, teu prazer... minha felicidade.

Encosta o teu corpo ao meu, quero sentir o calor que dele emana. Beija-me o pescoço, o peito, sente o meu sexo ávido do teu, sente o meu desejo por ti na minha respiração, não penses em nada além do aqui e agora, liberta-te das amarras da consciência e deseja-me como se não existisse amanhã.

Tempo que não existe e espaço que não se vê... tudo o que me importa se transporta para além desse porto que se faz cidade e de onde o barco anseia partir em teu alcance, para um dia regressar e te mostrar a ribeira dos meus ansejos.

segunda-feira, abril 27, 2009

ESBOÇO

esboço

Sabes quando tens assim uma espécie de peça especial de um puzzle grande e complicado, demorado e desafiador, daquelas que encaixam em qualquer canto ou entre quaisquer outras duas, como que se de peça-mestra se tratasse? Uma peça matizada de mil cores que se funde com a história do puzzle, qual camaleão na paisagem? Sabes do que falo? Imaginas ou recordas na tua cabeça o que me veio agora à memória? Pensa então um bocadinho, acende uma vela bem lá no fundo de ti e procura nas gavetas poeirentas da lembrança. Vasculha, destapa os momentos que já foram e que cobriste com lençóis brancos, agora que és grande e brincar nada mais é do que um sonho por chegar.

Há gente que te pode fazer tanta falta como essa pequena peça maravilhosa que sempre ajudava a terminar o entretenimento de uma tarde. Há gente que está ao teu lado tão silenciosa como a noite de nevoeiro nas margens do rio, contando-te histórias fabulosas que antes só vias na tampa colorida da caixa do puzzle, sussurrando-te ao ouvido ou espelhando no seu rosto, lendas tornadas reais num instante, num olhar, apenas. Há gente assim, que diz boa noite e te abraça quando os pesadelos atormentam a noite, aconchegando-te, sorrindo-te no escuro. Mais do que o brinquedo que construías com a peça recortada.

E eu conheço gente assim. Respira ao meu lado sempre que piso a Capital do meu mundo.

terça-feira, abril 21, 2009

NO "LUMIAR" DAS COISAS SIMPLES

É o mesmo dia de há bocado, daqueles letrinhas tantas que se lêem sob a data deste mesmo dia, e continuo agora as palavras da manhã. Nenhum diário, nenhuma crítica. Apenas o desabafo do mais incrível e fantasticamente chegado momento; não agora, não hoje, há já tempo incontável e sem medida. O instante, ora bem, de sentir que presença alguma completa tanto o meu sono e acordar, como esta de que sinto saudade na distância contada em metros ou quilómetros, tanto faz. O instante mais alegre e sombrio dos tempos que foram sendo. Simples perceber... porquê.. É o mesmo dia daquela espécie de coisa nenhuma que saiu destes dedos ia já alta a manhã. E é sempre aquele instante e todos os que chegaram antes e vieram de seguida, que alentam a outra escrita e sem dúvida esta também..
Nunca me despeço do rosto que me diz sorrisos. Como agora, sempre lhe falo baixinho um boa noite. Gosto de ti, do cheiro da pessoa, da pele, do músculo, do cabelo rebelde, de cada recanto escondido e arrepiado. O calor húmido, que ferve ainda mais o ar aquecido pelo Sol lá fora. Um chegar perto, mais perto, muito perto; nem uma folha, nem um respirar, nada entre os olhares. Perto, tão perto que se confundem os sabores dos corpos, que se mergem perfumes. E deslizam esferas salgadas, devagarinho, entre poros de um abraço. À luz, à sombra, no escuro onde brilham olhos de gato; em qualquer lugar, em qualquer tempo. Desejo. Tu. Realidade.

segunda-feira, abril 20, 2009

Together

UMA ESPÉCIE DE NADA, ONDE SE ENCONTRA TUDO…

espera

Voltamos a nos encontrar, aqui e agora, um novo mundo, o mesmo mundo onde o espaço se cruza com o tempo e este vagueia-me por entre os dedos sem dó, sem esperas, para aqui, de novo, me olhares.

As saudades serpenteiam-me os olhos, fazem-me crescer água na boca pelo sabor quente e único das pautas que tão bem improvisas.

Aguardava-te… sabia que virias, sorrateira, silenciosa como a noite e pedes-me que te conte uma história, mas não são contos de fadas para sonhar e abrir portas à imaginação, que vais ouvir. Andaram fugidas essas palavras de colorir e de encantar, adormecidas, mas perguntas-me sobre a história. Não te quero falar das ondas, da maresia, das pedras redondas à beira rio que enfeitam as calçadas, das estações que harmoniosamente se sucedem ou mesmo do pôr-do-sol que embala o sono adiado dos turistas de pés descalços.

Querias ouvir uma história dessas era?

Querias que te descrevesse a cor da estrada, do alcatrão, o cheiro do pão acabado de cozer ainda a fumegar sobre os tabuleiros reluzentes. Queres vaguear de mão dada comigo no monte, na albufeira, por entre as ruas da cidade, na foz e descobrir essas maravilhas? Mas não te irei contar nada disso, sim, quero antes improvisar uma história real, com amores, encontros e desencontros, noites em claro por razão alguma e apenas um odor que corta devagarinho e prazerosamente. Prefiro ver os teus olhos revirarem com a surpresa do início do dia, dos nossos dias de carne e osso, rir, flutuar em pensamento e abraçar nobremente as nossas causas. Mas conto-te o que os dias me trazem, o gosto de te ouvir quando falas ao meu ouvido do outro lado da linha, quando um sussurro chega devagarinho, com a tua respiração rente ao meu cabelo e o ruído do metro se intromete na calçada dos nossos passos, quando a meio da noite, relembro todas as palavras e os olhares.

É então, como ao pousar a cabeça numa descoberta pela almofada, adormeço por entre as recordações dessa história real, das oscilações da tua voz, das quebras, das paragens, dos sorrisos que os teus lábios desenham aqui e além, do brilho dos olhos, da luz e das sombras nos contornos do teu rosto, quando as frases vivas revigoram e os sentimentos enevoados que espreitam. Gosto de saber que me falas sem ocultar as paredes rachadas da tua alma, quando me dizes bom dia, gosto de ti e dorme com a certeza de que uma certa presença invisível repousa ao teu lado, porque assim me sinto tão, mas tão perto do verdadeiro tu que olhos poucos vêem. Tão incrivelmente perto de ti.

Conto-te a história real das conversas nunca incomodamente sem assunto, mesmo a que surgem acabam por o conquistar, quando em silêncio se conversa com a mesma linguagem, embora renovemos os modos de expressão. Saberão os enamorados separados pela pipocas ou pela mesa do café, que a respiração serenada pela companhia conta um mundo de histórias? E que o livro da nossa memória é página única dos seus capítulos? Duvido…

Afinal acabei por te contar várias histórias, únicas, verdadeiras, pois cada pedacinho teu, são narrações de linhas brancas e amarelas, sons que se colam à cara fria e nos envolvem com o cachecol do teu olhar.

Não deixes de falar, não cales o teu espírito.

Faz-te ser quem és.

E a mim… nem sei… Perdi-me em pensamentos enquanto te escutava.

sábado, fevereiro 28, 2009

Light Up


Inspira, solta um grito, e corre...

Não pares nunca de correr mesmo que o tempo caminhe.
Corre como o vento, como o mar corre por entre e para lá dos montes e das marés, carrega em ti os abraços e os sorrisos, sorri... não percas a noção do horizonte, mais uns passos e o mundo é teu, inspira, exala todo o ar que carregas, transportas, aconchega a terra que pisas por entre os dedos que marcam as tuas pegadas soltas, lindas, apaixonadas... corre...

Inspira, sustém, fecha-te no mundo, abre-te aos céus, abre-te à escrita, às frases, às palavras, ao mundo mudo dos dedos que descobrem por ti, o tacto, o olfacto, pára... espraia-se o mar à minha frente, quero as ondas no meu corpo, o sal na minha pele, o sopro leve pelo cabelo das tuas palavras, corre... corre... corre num tempo que se transforma, te pertence, nos pertence, corre... corre à deriva no azul, no verde, nas cores que se misturam em dias de sol porque a chuva não se faz quando se encontram, os olhares...
Quando o sabor a sal se mistura com as águas do mar... pensar em ti... é inevitável.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

CHUVA


















Apetece-me assim regar a cidade de vinho, saborear-lhe o odor, acender o meu cigarro e incendiar-la...


Era de chuva que precisava. Precisava desesperadamente de chuva, um pouco de música francesa, talvez mesmo um livro e, quem sabe, um copo de café. Um copo de café iria bem.

Adormeceste. Caiste em sono profundo mesmo sem o barulho da chuva, sem a melodia suave das vozes das cantoras francesas, sem sequer o sono ter sido provocado pela leitura do livro, e tão pouco com o gosto do meu café na boca... A chuva sempre te traz à memória de maneira sutil. E já faz tempo que se ausenta entre nós... e nem ao menos sabe o porquê, dias de sol que me acompanham tão frequentes... Lembrar dos dias de chuva, tempo, abraçá-lo, oferecer-te flores... tempo em que descobrimos lugares diferentes mas sabiam-se onde. E faz falta, e principalmente porque vem à memória sem pedir licença, sem pedir nada. 

Agora sente-se a falta, agora, neste momento, nestes dias... e porque chove lá fora e o vento me traz as recordações prenhas de um sorriso longo, o brilho dos teus olhos me inunda o quarto e abro as janelas... deixo as gotas entrarem em mim da mesma forma como tu o fizeste... sente-se, os cabelos que me tocam o rosto, e o gosto do meu café retorna à boca, doce...

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Lume do meu Peito

Sensualidade, do corpo que a Lua ilumina, do brilho suave que a pele irradia. Nuance de cores esbatidas contra o negro da Noite. Beleza dos contornos que as concavidades ressaltam ao olhar.

Luar, tatuado na pele, imagem de mulher. Na pureza desta água que te reflete, que se cola e te envolve, entrego os meus dedos, que igualmente te abraçam, sentindo cada milimetro de ti.

Este pano translúcido que te cobre, deixa-me adivinhar o que não me queres esconder, deixa-me sentir o que queres que sinta, o teu corpo de cristal, solta a luminosidade da tua alma, que se reflete, neste espelho de água.

Menina, mulher, feita de sonhos, vestida de nadas, na incessante procura de tudo. De olhar distante, e pensamentos profundos, voas, como o vento, procuras com o desejo de já haver encontrado. Nos teus olhos vejo o arco-íris que nas manhãs de outono corta o negrume das nuvens, anunciando a esperança do céu azul, nas tuas mãos sinto a ternura de quem sente para lá do coração, nos teus lábios procuro a doçura que a vida, amargamente, me tem roubado.

Menina, mulher, em teu corpo desnudo me deito, te amo e adormeço, nasço, no teu ventre, de novo.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Momentos

Todos nós gostamos de viajar de vez em quando. Muitas vezes fazemo-lo usando a magia que a nossa mente nos fornece.
É este o início de uma viagem. Uma viagem sem fim previsto, com o sabor da incógnita presente, calcorreando caminhos empedrados, planícies de verdes mantos, frescos, de brilho cintilante, montes rochosos, cobertos de alva e reluzente neve, vales vastos, de uma doçura imbutida.
 
' -Existem momentos que nos fazem parar, por um instante, este ritmo alucinante que nos empurra para a frente e nos transporta adormecidos na corrente indelével da vida. Sem nos apercebermos a vida enrola-nos e segue um certo sabor próprio sugando-nos o tempo que usamos para pensar e estimulando os instintos naturais que nos são inerentes e inquestionáveis.
Surgiu-me um desses momentos e a pergunta que bailava na minha frente era “Porquê?”. Sabia que a resposta não seria encontrada com facilidade, como tudo na vida que requer resposta, mas decido, então, levado pela curiosidade de tudo querer saber, de encontrar a solução para esta grande questão que agora não mais saía do meu pensamento, tornando-se uma questão de vida.
São momentos como estes que têm significado e nos fazem sentir que o universo obedece a uma certa lógica muito difusa que buscamos entender, ainda que pareça que essa lógica encete uma fuga previa e genialmente preparada cada vez que nos encontramos perto de desvendar e desmontar todos esses mistérios de vida.

Foi com um espírito de brio, perfumado pela inocente coragem que nos move a todos nós, embebido de aventura e de uma grande excitação que encetei a minha jornada, acompanhado do meu pequeno livrinho vermelho que trago sempre comigo e me “fotografa” as sensações.'

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Fome

Presa em duas mãos por entre lábios feitos reféns pelos meus. Desejos que se perdem à procura do que é certo, corre pela calçada dessa Lisboa que te abriga, deixa que te descubra. Chega de torturas intímas, abraça-me, deixa-me te olhar por entre o espelho que espera ser olhado, descobrir-te por entre a nebulina dessa manhã que descobrimos a cada dia que nos olhamos.

Sinto a fome de te escrever, transformar-te na pauta por onde os meus dedos escorregam na vertigem do prazer... frases feitas ou talvez não.

Sento-me à esplanada da Avenida e vejo-te ao longe, cabelo solto e delicado deitado sob o teu rosto, olhos brilhantes e curiosos em busca do tudo e do nada, um sorriso preso sem fraquejar de passagem pelo principio meio e fim dos teus lábios carnudos e delicados, como uma caixa de chocolates, prestes a desvendar o sabor doce que se esconde.

Sinto a fome de te ter...

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Enquanto

Aproximo-me... lentamente... com serenidade... como se eu fosse o trajecto que timidamente vou percorrer e o destino que vou conquistar. Fico perto... o suficiente para te ouvir respirar, para sentir o teu coração bater, para absorver o calor que se te evapora da pele.

Contemplo-te... como se fosses uma peça rara de fino cristal, um quadro valioso de um pintor famoso, uma gota de orvalho, singela, sobre o corpo aveludado de uma rosa. Sente-me... pedes-me... como se fosses um farrapo delicado de nuvem que esvoaça pelas janelas da tua vida. Toca-me... imploras-me... com delicadeza... como se de um pássaro acabado de nascer te tratasses e deslizo... desde a ponta dos dedos, passo pelas tuas mãos e vou subindo pela tua pele trémula e macia.

Repouso o meu toque no teu rosto e seguro-o... como se fosse o meu bem mais precioso. Deixo que a tua boca descubra o mel da minha boca e que os nossos lábios se unam num momento mágico de prazer.

Permites ao meu nariz deslizar sobre as curvas do teu pescoço alvo e inalar da tua pele o teu aroma quente que mulher, o teu perfume fresco. Desnudo o teu corpo frágil e liberto-te de tecidos e pudores e deito-te numa cama feita de amor, com edredons de penas feitos de desejo, lençóis bordados de carinho, almofadas engomadas de mimos. Preparo-te um leito onde te sintas protegidas, onde me aninhe em ti e me possa perder para me encontar.

Solta a tua voz em doces ecos ao meu ouvido... adoro ouvir-te tão perto.


sexta-feira, setembro 19, 2008

Não sei...

Pequenos gestos, silêncios, pequenos momentos, acontecimentos. O Mundo esta repleto de instantes, pequenos tesouros que passam despercebidos nas horas que se nos atravessam os dedos na constante correria que teimosamente trilhamos neste fluxo de tempo.

Num instante, tudo se transforma, se forma, mas nada muda. O cais onde agora se sente a actividade plena dos barcos a atracarem, era o silêncio das gaivotas ainda à pouco. Nesse instante uma beleza única se forma para desaparecer logo em seguida, e quem sabe, sem mais a voltar a ver. Sente-se o seu calor a entranhar-se na pele, pestaneja-se ao sabor da maré embalada pelo vento.

O tempo passa e os sapatos acusam as rugas de uma longa caminhada onde não se conheceu um início intrincado, complexo e carregado de desvios, antes simples, leve, sereno e contrário ao movimento incessante que nos causa vertigens para onde se corre com tanta pressa, sem nunca se saber exactamente para onde.

Se pensam que o destino está traçado, antes se busque uma folha de papel lisa, e se deixe que o traçado apareça, mesmo quando se tenta sem sucesso o desenhar.

Não sei esquecer o que nasceu para ser não esquecido, mesmo que se vire a página do diário, os olhos deslizam para o armário que se encontra repleto de instantes coleccionados ao tempo, bilhetes que se sussurraram por entre carteiras de estudante numa dessas aulas de contemplação dos olhos de amêndoa que me deliciam, sempre que os meus pousavam neles.

Dança selvagem e respiração cavalgante... livre... como as ondas deste oceano que se estende ali bem à minha frente. Não sei esquecer...

domingo, setembro 14, 2008

Para que serve um Homem?

Hoje dei por mim indagando isso mesmo. Para que serve um Homem?

Esta questão é uma daquelas que todos os homens garantem saber a resposta e para a qual ninguém irá nunca admitir o contrário, sábios conhecedores da realidade feminina e de tudo aquilo pelo qual esta anseia e deseja. Meus caros... como andamos enganados.

Primeiro um homem serve para lhe lembrar, a ela, o quanto adora ter nascido Mulher. Serve também para lhe olhar como se diante de um E.T. estivesse quando esta frente ao armário amontoado de roupa constata que "não tem nada para vestir", nada mesmo.

Serve para notar sempre, todas as vezes em que ela lhe aparece com três milimetros de cabelo a menos e dizer que foi uma mudança brutal, incrível.

Um homem serve também para lhe coçar as costas até que adormeça de "cansaço".

Serve para lhe dizer todos os dias que a ama e todas aquelas palavras que lhe acariciam o ouvido e que tanto adoram ouvir. Óbvio que um bom homem tem de "aguentar" que ela lhe repita isso de manhã até à noite fazendo uma cara de felicidade, como se acabasse de receber uma boa nova... "como conseguimos ser tão frágeis diante delas e por elas".

Um homem serve para lhe dizer "Estás linda!", ao invés daquelas palavras suicídas "Mas tu vais com essa roupa?"

Mas um homem também serve para fazer inveja as amigas, principalmente aquelas que nunca conseguem nenhum, é nessas alturas em que... "Epah onde está o lencinho? Algo escorre no canto dos lábios delas! Será gloss? tss tss tss".

Um homem serve também para lhes dar aquela reconfortante sensação de que fará toda a diferença chegar uma hora mais cedo, serve para ajudar a criar toda aquela atmosfera familiar com todas as chatices que a faz, completa e absolutamente necessária e insubstituível.

Um homem serve também para a levar a uma visita erótica ao jardim do Éden, e por entre sussurros ao ouvido, lembrar-lhe que sentir-se amada é algo que adora que lhe percorra a pele como se de um arrepio se tratasse.

Mas elas sabem que esse homem é o "tal" quando ele já teve a oportunidade de ver aqueles fiozinhos de cabelos brancos brilhando entre uma e outra visita ao cabeleireiro, sem que as façam querer cortar os pulsos, quando ele sabe que é humano ressonar e ainda lhe oferece uns beijos para que não se sinta irriquieta, quando ele compreende o que é ter uma daquelas fomes de "leão" e medo de aranhas e trovoadas, ter cólicas, dores de cabeça e desejos, mesmo os mais estranhos, que se lembra dela quando vê uma linda bolsa numa dessas montras de um shopping que percorre ao seu lado à quatro horas seguidas e ainda assim mantém a frescura de quando lá entraram... ou um simples chocolate crocante.

Um homem também serve para lhe oferecer o aconchego de uns mimos e um lenço quando ela chora ao ver o filme "Cidade dos Anjos", e não esboça um único riso, pelo contrário, aquece-lhe ainda mais a alma...

Não existem Homens perfeitos, apenas verdadeiros amantes e reais companheiros que se preocupam acima de tudo, com o bem estar da Mulher que Amam.

quinta-feira, setembro 11, 2008

Tempo que me trás mais Tempo!

Respiro um estranho e maravilhoso silêncio, que me fala numa linguagem marítima e sensual. Apenas sei viver num vendaval de amor com os olhos carregados de chegada lonjura, respirando o carregado odor... feminino.

Respiro uma aconchegante voz ondulante de melopeia infantil por onde liquifaço-me de sonhos para o amplexo desejado oceano, onde os espaços se fecham pelas ruas... e a vida sempre continua.

Esse tempo maldito que refreia o meu desejo com a sua canção impiedosa e ritmada do desfazer de espuma. Um grande amor não se possui... espraia-se suavemente em marulhares sucessivos de marés! E nessas ondas, o meu coração sonda o seu silêncio sussurrante.

Oiço a melodia terna aos meus olhos, "sou de quem me quiser amar no afogamento cego de mim, e nele apenas segura gentilmente minha mão... e me abraça."

Aguardo a onda rebelde, não pretendo ser o arquitecto das estrelas, antes pintar-las no pestanejar dos teus olhos num longo anoitecer.

Quero... muito... que o tempo passe.

segunda-feira, junho 23, 2008

XXXV - INTEMPORAL

Acodem-me as palavras numa febre subtil de intenções, frutadas, quentes, embriagantes, como um bom vinho rosado e encorpado a exalar sumarentas delícias das mais puras castas de uvas!

Ardem-me as intenções na carícia breve dos gritos que ecoam dentro do meu peito e cujo destino se faz apenas em um só sentido, (in)voluntário, (im)perceptível, (in)contido... como a ténue deslocação do ar do mais débil pestanejar. O olhar solta-se entre aqueles que ali se juntam a mim, arde-me o atrevimento do ser, do querer e do poder, no formoso portal dos lábios em flor, rubros, ávidos, trémulos de um desejo maior que ainda ninguém se apercebeu, milimetricamente controlado ao rigor do destempero a que ascendo em espirais de (in)dissimulada agonia pelo desconhecimento do seu paradeiro.

Sinto as entranhas a arder, ardem-me os lábios por um (im)provável toque que me ascende ao virtual bramido de um beijo. Inalo o pó que nos abraça num acastanhado sabor de guerra, estendo a mão num momento etéreo, fecundo, (in)submisso onde o pensamento selvagem já adivinhou, ousado e livre, perfilado pela cumplicidade daqueles que ali junto a mim, por detrás de sete véus de terror e de refinadas transparências, uniam-se a uma só missão.

Arde-me a fragância do beijo húmido enquanto percorro os corredores explosivos de um desconhecido labirinto na tangencial amplitude do céu da boca como inferno em chamas... o purgatório que agora atravesso carregado entre braços por quem desconheço, mas corremos impacientes, enquanto a abrasiva dor me atravessa a pressa da saliva morna que se vai secando com o tempo, misturada no sabor a mel e a sangue vivo, no travo amargo ao fel da cupidez.

Ardem-me os olhos, a pele e todos os sentidos, abruptamente inflamados, inadvertidamente despertos, impregnados de uma inexplicável e indecorosa urgência, como que rabiscos fugazes escritos na pele... talvez seja este o sabor da morte, do cessar dos sentidos de uma ceara dourada numa planície ardente de promessas por cumprir.

A minha vontade desabrigada deixa-me indefeso na penumbra das intenções de quem ali se apressa a tentar remediar a agonia que se me apodera das linhas do meu rosto. Mas a breve carícia do fogo no desassossegado daquele olhar e o mar encrespado que crepita o galgar furioso do sangue que me escorre das muralhas do meu recato, descobre-me lugares inexplorados no desnude da lisura da pele que ali me toca e retoca, o tecelão que compõem a sua malha. Oiço breves palavras e num breve instante aquele que se fazia do meu casulo é transportado rapidamente para fora daquelas paredes. “Onde estou?” - perguntava-me num tom de murmúrio de voz que se quer ouvir mas secreta e cansada. O silêncio das vozes era tudo o que me respondia, e aquele hálito doce e quente, a aflorar-me a nuca, a percorrer-me de lés a lés, o pescoço alto de garça até onde outrora crescia cabelo, a colar-se-me de mansinho ao desalinho das rugas e da boca faminta... era o frenesim intenso da loucura a quebrar-me a resistência. Abro os olhos de tempos a tempos e observo ao largo avenidas de paredes esburacadas onde outrora se penduravam cacifos de vidas e admiráveis lagoas cheias de vida.

Passeavamos certamente pelo lado mais turco da cidade, reconhecia por breves momentos certas frases, algumas teimosas placas que ainda ali existiam, como a de um restaurante, o “Inat Kuca”, pelo seu aspecto exterior teria sido uma antiga casa turca remodelada para aquele efeito e que ali ainda existia junto ao rio.

Somente o abismo esfíngico e hipnótico dos meus olhos sabiam para onde me levavam, as mãos exímias, de artífice do amor, feiticeiro do momento que guardava sagradamente na película firme da minha camera, abertas em concha e rubras pela crime, estendiam-se ao limite do horizonte numa harmoniosa linda da delicada cintura do teu rosto.

(Continua...)