quarta-feira, dezembro 19, 2007

POEMA DE AMOR

Não me importa o dia
Nem a hora
Não importa o vento
Nem a chuva lá fora
Não me importa
Que haja neve ou geada
Que seja noite ou madrugada

Não me importa
Que faça frio ou calor
Que o céu esteja cinzento
Ameaçador...


Se sob esse céu de tempestade
Pairar o perfume
Do teu amor!...


Não quero saber
Se é Verão ou Inverno
Se é Outono ou Primavera
Não quero saber
Nem o século nem a era
Nem o mês nem o ano
Quero tão-somente dizer
Que te amo...

domingo, dezembro 16, 2007

ESPELHO TEU

Beleza nua, paisagem tua, que meus olhos devoram. Pureza tua, alma nua, que os meus sentidos adoram. Escondida sob a penumbra da seda, danças em minha frente, ondolante como a brisa do vento encontrando-te com o olhar de quem desenha traços suaves sobre o teu corpo de cetim.

Imagino, os sentimentos que se escondem por detrás dessa cortina que te cobre, mas, simultâneamente te despe, num gesto de magia que envolve este momento, em que sentado te observo, e te vejo balançar ao ritmo da música suave da lagoa que se ilumina em teu espelho.

Imagem perdida no negro desta noite, que só a ti ilumina, suavidade no contorno dos teus braços que o carvão imprime sobre a tela, numa paisagem enebriante que me turva a mente.

Apenas tu, podes fazer brilhar o poder da criação, que num instante me faz Homem.

ESTA CIDADE

Na luz amarelada deste Outono quente a cidade oferece-se languidamente.

Recostada no Douro como numa chaise-long, deixa escorrer o sol nos becos e nas ruas da cidade velha. Envolve-se com a vizinhança num displicente fluir de pontes.

Abre a foz ao mar que lhe traz ondas ainda pouco agitadas. Deixa erguer nas praias ásperos rochedos do mesmo modo que assume a tropicalidade das palmeiras e jacarandás. Exprime-se em sons e cheiros tão indefinidos quanto inesperados.

Porto de revoluções, de lutas e de ofertas generosas. Que se esconde nos nevoeiros matinais, para se revelar, com esplendor, ao meio-dia e onde a noite mantém um inalterável jogo de luzes cansadas.

Porto de Outono que desafia para os passeios, os encontros, as descobertas.

E porque não para o amor?

Experimentemos as ruas estreitas, os enormes portais antigos, as varandas de sardinheiras. Os pátios e as praças. O Largo da Bandeirinha, a Fonte da Colher, a Rua do Gólgota, o convento de Monchique, de cuja janela Teresa viu partir Simão Botelho. O Miradouro (mira-Douro) de Santa Catarina no fim da tarde…

Surpreende-te com esta toponímia e com as excentricidades de uma cidade que, apesar de uma aparência fechada, se sabe revelar a quem a souber descobrir

sexta-feira, dezembro 14, 2007

PRENÚNCIOS


Estes são dias frios, onde o Outono se mistura com o prazer do Inverno e se fazem senhores de uma batalha contra o tempo.
Estes são dias com cheiro a maresia, onde as gaivotas anunciam um sol que brilha no espelho das ondas que batem junto à praia.
Estes são dias onde os passeios de mão dada se fazem de cachecol e os beijos se selam intensamente na procura do quente que transborda da alma.
Estes são dias que as manhãs se querem longas, onde os lençóis nos prendem à cama e o café da manhã é servido de bandeja.
Estes são dias que querem frios para que o amor os faça quentes e a paixão transborda por entre o sorriso partilhado a dois.
Estes são dias que a noite se faz ao luar, intensa, ardente, onde o toque da tua pele é seda em meus dedos, e os odores se misturam numa mescla de sentimentos.
Estas são noites passadas a dois, onde as velas se acendem e iluminam a sombra dos corpos que se fundem num prazer uníssono e os olhos vibram ao ritmo do coração.
Estas são madrugadas longas de paixão imensa, selada pelo suor que partilhado a dois, se mistura no jardim do éden e a maçã se come a dois.
Este é o meu Outono, um prenúncio de um Inverno, quente e majestoso, onde te levo o aconchego e o descanso do teu sono.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

PROCURO-TE

Por terras lusitanas
Entre campos de trigo
semeados por camponeses
e extensos roseirais,
de aromas incandescentes.

Cavalgando ao sabor do vento,
na pele de Pedro Álvares Cabral
percorro belas planícies.
Terra de bravos campinos,
e imponentes touros.


Navego neste imenso mar
na pele de Vasco Da Gama
na incessante esperança
de te encontrar.
Vislumbro audazes pescadores
que enfrentam o imponente
e revolto mar..

Voo alto como uma águia
na pele de Gago Coutinho.
Avisto belas e verdejantes
montanhas,
tenazes pastores
e seus rebanhos,
em profundos e sombrios
Vales.
Beija-me.
Beija...
Só para sentir o teu sabor uma e outra vez.

Já não me chega morder o lábio para te sentir.
Já não me basta ter o teu sabor.
Quero que me beijes.
Agora. Sempre.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

DEIXA-ME FAZER-TE MINHA

Senti o sangue pulsar a toda a velocidade. Decidi deixar-me envolver ao abandono na tua aventura imprevista e nos caprichos do teu desejo.

De acordo, aceito todas as regras que me queiras impor no teu jogo de prazer, vou-te deixar dar as cartas... mas acredita, de repente o jogo pode virar, e talvez, quem sabe, acabe por ser eu a ludibriar-te.
“Cara mía”
As palavras saíram num sussurro quase inaudível, deixaste-me tenso de desejo, e antes que pudesse resistir, senti os meus lábios unirem-se aos teus. O calor da tua boca, a essência que emanava do teu corpo, o teu olhar animal, selvagem fizeram com que todos os meus nervos vibrassem de prazer. Língua e lábios acenderam chamas sobre a minha pele, ate um ponto de excitação tão alto que não me restava mais nada do que me desfazer em cinzas...
Deixas-te claro... A paixão entre nos não tinha regras.

Despir-te, tocar-te, fazer-te minha. Era tudo o que eu queria naquele momento. Saborear-te, fazer-te gritar de prazer. Transmitir-te todo o meu desejo através dos meus lábios, das minhas mãos e do calor do meu corpo. Possuir-te de todas as maneiras possíveis que um homem pode possuir uma mulher.

Apertei-te contra mim, fazendo com que sentisses a minha erecção. A promessa da noite que nos esperava.... Os teus beijos toldavam-me os sentidos e a excitação bombeava-me a adrenalina. Apesar de me sentir enlouquecido, apesar do desespero em que o meu corpo se encontrava, controlei-me ao máximo e concentrei-me em ti, nas tuas formas, tocando-te e lambendo-te, deixando-te sentir a loucura que corria e pulsava dentro de mim.... Esta noite é tua cara mia e quero que seja perfeita, que sintas o quanto te quero e te desejo...deixar-te louca... fazer-te esquecer tudo o que alguma vez conheceste...

terça-feira, dezembro 11, 2007

ESTA NOITE

Esta noite não quero milagres realizados, nem prémios recebidos, nem verdades reveladas.

Esta noite não desejo visual aplaudido, nem dores aliviadas, nem ânimos acalmados.

Esta noite não preciso de janelas escancaradas, nem de sentidos aguçados, ou elogios desmedidos.

Neste momento poderia rejeitar uma viagem à Tailândia, uma antologia de Vinicius e ignoraria até mesmo a comida da minha mãe...

Não faço a mínima questão de nada, e meu único pedido és tu: olhar-te, sentir-te, tocar-te.

Morar por minutos eternos dentro do teu sorriso ímpar, e me perder cantando na poesia de teus olhos.

Só precisaria esquecer o meu sono para passar a madrugada contemplando o teu, e entreter-te algum tempo com aqueles meus segredos antigos.

Olhar as gotinhas de chuva caindo solenes pela vidraça e te proteger da dor, do frio e do mundo dentro do meu abraço.

Transformar-te em menina-tímida ou mulher-instinto sem hora marcada e virar êxtase numa dança frenética de línguas, corpos e corações.

Encontrar a paz no mais inocente toque da tua pele e desenhar teu rosto lindo em cada parte do meu corpo, exalando luz por todos os poros.

Acariciar teus cabelos e te acordar com mais sonhos, viajando contigo de mãos dadas para qualquer lugar onde haja vento, flores e lua.

Aprender cada mistério escondido no universo, decorando a vida em seus sentidos soberanos junto ao som dos teus passos que me guiam e completam.

Porque tu és o meu poema perfeito, minha canção favorita, minha escultura bonita. Porque tu és o meu chão, meu yin, meu sol, e porque...

Esta noite - e em todas as outras - tu és o meu único desejo.

domingo, dezembro 09, 2007

O MEU DELÍRIO

Quero vencer todas as barreiras...
Ventos que sopram que te desnudem
Lancem-me no profundo abismo
Que é o meu desejo infinito.
Sou fome de boca aberta
A mastigar os silêncios da noite
Despertando, aos gritos,
O meu corpo adormecido.
Tenho a alma em grande sede
Que mergulha no lago fundo
Do suor que me brota da pele
Em busca do divino prazer.
Ardo em fogo.
Fecho os olhos...
As mãos são labaredas que dedilham
Harpas em catedrais de deuses,
Onde, nus, vagam os meus sonhos,
De uns braços atando-me como corda
A um corpo rijo como rocha,
E sua voz forte como a da águia,
Grito ao universo, a sua vitória,
Ao dominar sob a luminária
Que pende do teto da alcova,
Este leão que uiva na cova
Em explosões de muito amor...
Anseio por te ter,
Por de novo te encontrar.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

RIMA DE AMOR

Abraçamo-nos carinhosamente,
entregando-nos a este amor quase demente...
Somente teus doces cheiros sentia...
Na união de nossos corpos eléctricos,
descontrolados, sensualmente frenéticos,
mergulhados em completa demência,.
vou tacteando teus seios...
Nossas coxas entrelaçadas,
na vontade de nossos corpos alucinados,
sentindo o gozo aproximado,
dominados por essa louca emoção...
Sem saber do que em volta se passa,
nosso prazer todos os limites ultrapassa...
Teu corpo nu para mim é um colírio...
Tocá-lo é um constante delírio...
Só quero te amar mais ainda...
Fundir nossos corpos, talvez,
Depois, transbordantes dessa doce sensação,
beijo teu corpo todo com total devoção...
Beijo teu sexo com carinho apaixonado...
Enquanto meus lábios sorvem teu néctar fluido,
tudo em nosso redor adquire outro colorido...
Enquanto gememos de intenso prazer e deleite,
queres que do calor de teu sexo me aproveite...
Entregamo-nos ao nosso amor impaciente,
a esse desejo quase demente...
Com paixão, nossas energias se renovam,
e nossos sexos mais e mais se provam,
nesta nossa paixão alucinada,
que mais vezes se renova...

quinta-feira, dezembro 06, 2007

PORMENORES

Partícula fina, pérola nacre
Adorno menor, pequeno retalho
.
Feminilidade, translúcida opala
Grão de pudor, ínfimo detalhe
.
Bago de amor, fruto de desejo
Recorte de seda, ninho de beijo
.
Semente de corpo, gota de orvalho
Boca do prazer, à flor da pele
.
Tessitura de mel...
nosso secreto atalho.
.
Berço de luz
Feiticeira minguante ou cheia
.
Máscara de prata que seduz,
Se esconde em meia
.
Misteriosa esfera,
Brilho de terra, molhada
.
Sacio-me desse teu nectar de vida,
Numa única jornada a dois.

terça-feira, dezembro 04, 2007

MÃOS A DOIS

Nas mãos que descansam, hiberna um toque que está suspenso, no tempo na vontade... Nas mãos que convidam, amanhecem sons de sombras e luzes de sois e de luas.
Nas mãos que tocam, cristalizam-se tremuras serenam-se os suspiros moldam-se os desejos.
Nas mãos que se querem, que vagueiam e se encontram, se descobrem e reconhecem, a entrega... é sem receio!

segunda-feira, dezembro 03, 2007

QUERO...

um passeio para relaxar os sentidos
um desejo de nos envolve
um prazer que nos percorre
corpos molhados
pernas que se enlaçam
que se envolvem e entranham
sente a vontade do desejo que decorre
devoras-me a cada gemido
possuis-me
e eu gosto...
mordisco os teus seios
e eu gosto...
os meus dedos percorrem trilhos húmidos
e eu gosto...
a tua língua saboreia o melhor de mim
e eu gosto...
o meu tesão penetra-te
e eu...hummmm
e eu gosto....
eu gosto....
gosto...
e num embalar de sensações
embarca-mos na loucura
sim...como eu gosto!
E agora??!!Quero mais!

PENSO

Em que pensar, agora, senão em ti? Tu, que me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a manhã da minha noite. É verdade que te podia Dizer “ Como é mais fácil deixar que as coisas não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos apenas dentro de nós próprios?” Mas ensinaste-me a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou, até sermos um apenas no amor que nos une, contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor, ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
ele que mal corria quando por ele passámos, subindo a margem em que descobri o sentido de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor, de chegar antes de ti para te ver chegar: com a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu: a primavera luminosa da minha expectativa, a mais certa certeza de que gosto de ti, como gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.

By: Nuno Júdice

sexta-feira, novembro 30, 2007

DORME MEU AMOR

Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais
este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.
Fecha os olhos agora e sossega ― o pior já passou
há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão
desvia os passos do medo. Dorme, meu amor ―

Fecha os olhos agora e sossega ― a porta está trancada; e os fantasmas da casa que o jardim devorou andam perdidos nas brumas que lancei no caminho. Por isso, dorme,meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e
nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já
olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui,
de guarda aos pesadelos ― a noite é um poema
que conheço de cor e vou contar-to até adormeceres.

quarta-feira, novembro 28, 2007

NÃO OLHES PARA TRÁS

À noite saio p'ra pensar em ti,

Percorro o caminho das estrelas jornada sem fim

Oiço o silêncio que me escuta ao passar

Vejo-te na lua não consigo te alcançar
Espero que a noite te traga a mim, faça com que o mundo me leve a ti
Espero que saibas... do que és capaz
Anda vem comigo,
Não olhes para trás
Peço-te que pares , vem comigo, eu sou teu amigo

Eu contigo sou capaz de ver o infinito,
Sou capaz de ver que tudo pode ser melhor

Dá-me o toque, dá-me um beijo, dá-me o teu amor


Viajo ao som da tua voz, até sem te ouvir falar,

Encontro a nota certa só contigo sei tocar,

Tu és a pauta que eu quero ter para mim,
Princesa tu és tudo aquilo que eu sempre quis.

Espero que a noite te traga a mim, faça com que o mundo me leve a ti,
Espero que saibas do que és capaz
Anda vem comigo,
Não olhes para trás
Peço-te que pares , vem comigo, eu sou teu amigo

Eu contigo sou capaz de ver o infinito,
Sou capaz de ver que tudo pode ser melhor

Dá-me o toque, dá-me um beijo, dá-me o teu amor


Dá-me o teu amor, o teu sabor,

Vem ao pé de mim, dá-me o teu calor

Não tenhas medo de apostar em mim

Acredita que ás vezes acabamos assim
Não sabes se vale a pena apostar ou não,

Aposta na razão, ouve o teu coração
Anda,
Anda, vem gostar de mim

Anda vem gostar de mim
Anda vem gostar de mim

Peço-te que pares , vem comigo, eu sou teu amigo

Eu contigo sou capaz de ver o infinito,
Sou capaz de ver que tudo pode ser melhor

Dá-me o toque, dá-me um beijo, dá-me o teu amor

Não olhes para trás

FRÁGIL

Calmaria... parece que o mundo parou.
Parei para respirar. Parei para pensar.
Muito em mim se move...se muda.
Quero estar deitado, cansado na nossa cama.
Encontrei o caminho das letras para confortar meus pensamentos.
Quais pensamentos...sensações são mais reais.
Mas afugentar sensações é impossível.
Não seria mais fácil sentir-las?
Meu paraíso...
Quantas vidas será preciso para te ter em meus braços,
No aconchego dos teus braços me deitar e dormir com meus lábios em tua nuca.
Sinto frio... o febre aumenta... vem... vem até junto de mim e aquece-me a Alma como só tu sabes fazer.
Espanta-me o arrepio que se estende no meu corpo e conforta-me a mão que se estende em tua busca...
Hoje... sou eu que quero adormecer... no teu regaço...

terça-feira, novembro 27, 2007

RELEMBRO

Quero teu corpo na cantiga, que enche o ar de magia quando me tenho como minha. Sedenta procura do amor. Quero manhãs que rasgaremos no véu da história com nossos delírios pueris. No surrealismo confidente do que adoçamos ao nos tocar. E querendo, construo nossas vontades desenhando em tua pele o que tatuaste na minha como teu paraíso. Repousa em mim teu sentir que descanso em ti meu prazer, onde navego em teu sonho bom e somos real abrigo para o acontecer...
.
Relembro...
.
A mão passando no rosto de espuma leve, cabelos sedosos enebriando o meu olhar faminto por onde navega a tua pele eléctrica e descontrolada em busca do porto de abrigo do meu peito com farol.
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Teu corpo nu sobre os lençóis ameaça o silêncio no bater do coração que me vai chamando, sussurando com a alma ao meu ouvido uma certa loucura.
.
Sentado na cadeira do teatro dos sonhos respiro fundo, entreabrindo os lábios para tocar os teus mais fechados quando de repente a luz do candeeiro projecta as sombras do nosso delírio no contorno dos meus passos, ao aproximar-me de ti muito antes de chegar perto, ou de pensar em te tocar.
.
Acima da almofada, as formas da cama que se movem demonstram a paixão forte que me agarra a ti, mesmo quando a distância separa nossos mundos líquidos e as lágrimas do prazer se desmontam num rosto pálido em busca de uma remota cor de sangue que apague a dor.
.
Afundo-me nas tuas pálpebras saboreando a saudade agreste. Percorro as encostas de charme que se seguem a um arrepio na nuca. O fogo do teu corpo funde-se com gelo da minha saudade
e de repente as tuas nádegas flutuam na seda dos lençóis, os teus seios são batidos pela brisa da respiração que me ameaça fazer sucumbir à simplicidade e à doçura.
.
Olhos nos olhos, digo-te sem te falar, que sorrio porque estás, porque ouço quando cheiro o perfume das flores do teu jardim que é num paraíso que tacteio, pelo brilho das coisas, como se o mundo começasse no chão e terminasse no tecto do prazer quando em uníssono se activam os sentidos, se desligam as amarguras do tempo feroz e selvagem e o mundo nasce de novo perante a aurora do nosso despertar.
.
No profundo instante que os corpos se tocam já o mar evaparou para as estrelas e o céu tombou sobre a terra, já estou sentado na janela com o som fresco das manhãs, com as mãos suportando o rosto e a solidão da tua ausência aguardando pelo dia em que de novo te verei.

segunda-feira, novembro 26, 2007

MADRUGADA DO TEU PERFUME

Envolve-te a névoa, como sudário translucido que os contornos revela, que antecipa a ressurreição de um corpo dormente, mistério a mil chaves fechado, lugar mágico onde o tempo converte os segundos em fragmentos de eternidade e a chuva não passa de gotas de orvalho.

Venero-te deusa encantada, sobre a cama de pétalas deitada, na esperança de um novo amanhecer de teu olhar, do grito profundamente calado do teu silêncio, da sede que teus lábios escondem, ou, simplesmente do perfume que tua pele exala.

É madrugada, pura alucinação, ver tua alma elevar-se do corpo, procurar o âmago de meus braços para ressuscitar-te, onde esperas pelo instante em que meus lábios te vão acordar.

Êxtase, sentir a pele aquecer-te, o corpo derramar gotas de orvalho, qual lágrimas, no pranto duma criança. Espero, pelo momento certo em que teus lábios vou beijar, em que teu corpo me irá abraçar. Destapo-te os contornos escondidos, percorro-te, absorvendo cada fluido, matando a sede, alimentando a libido do néctar da luxúria.

És vida, renascida das cinzas apagadas de alguém que se deixou ficar, na espera constante de um sopro de vida, que o vento te aporta nas asas da minha alma.

domingo, novembro 25, 2007

DELICIOSAMENTE

Ah! o prazer que me domina quando invado com meus dedos ávidos esta rica cornucópia nacarada que se humedece à passagem dos meus toques.... Que prazer inaudito quando as bocas se juntam e as línguas se atracam serpenteadas num delicioso jogo de buscas e desejos... Qual uma rosa rubra abrindo suas pétalas ao diáfano orvalho assim se abrem aqueles grandes lábios voluptuosos ao roçar enrijecido da lança latejante que se despeja em jorro dentro das profundezas amorosas... E ao virar delicadamente de bruços aquele corpo brilhante, descubro todas as nuances eróticas das colinas que se arrepiam aos toques acariciantes dos dedos e da língua trêmula que buscam o tesouro recôndito do cósmico orifício para o deliciar com excitantes carinhos estelares que deixarão toda a beleza daquele corpo alucinada no espaço do amor desejado.

"Otávio Coral"

ESTA NOITE

Esta noite quero ficar a olhar-te no fundo dos olhos, a seduzir-te até que as nossas bocas cedam à tentação. Em que o perto seja cada vez mais perto, até que eu não saiba onde é o meu corpo ou o teu.

Esta noite quero que mordas a minha orelha e me agarres com força, com pressa, quero que sejamos apenas corpo e Alma.