quinta-feira, março 15, 2007

NÃO SÃO PALAVRAS APENAS

Os dias passam ora lentos e me cansam, ora rápidos e fugidios quase sem eu dar conta. Nestas horas escuras e lentas da noite cerrada, os pensamentos correm para ti. Sem esforço, sem planos, apenas vão e escrevem-te cartas cheias de palavras bonitas que eu não sei dizer.
Folhas e mais folhas de palavras sentidas, que ao teu ouvido não digo mas que vivem dentro de mim. Escondo-me no colo da noite amiga, para te escrever e corrijo e volto a escrever. Tantas palavras que eu uso, as mais bonitas que conheço, mas no fim parecem poucas. Parcas, pequenas, escassas para traduzirem tamanha imensidão de sentir. Desespero na tentativa frustrada de encontrar as melhores palavras, as que exprimam o que a alma sente.
Na minha pequenez, insignificância e impotência para revelar as cores do meu coração, a energia que emana de mim, o amor que te devoto, deixo-me vencer. Adormeço, embalado pela noite, para um novo encontro contigo. Antes de dormir, há tempo para te sussurrar, "Ouve o meu coração".

ABRAÇAR-TE

Deixa-me amar-te em meus silêncios na calmaria do teu coração que me acolhe e de onde se desprendem meus sonhos em voos etéreos de plena liberdade.
Deixa-me amar-te em minha solidão ainda que meus labirintos te confundam a que teus fios generosos de compreensão emaranhem-se no tapete dos meus enigmas.
Deixa-me amar-te sem qualquer explicação na ternura das tuas mãos que me sorriem escrevendo desejos em versos despidos na minha alva tez que te cobre e descobre.
Deixa-me amar-te em meus segredos para que desvendes o que também desconheço, a alma dos meus abismos, onde anoiteço e meus olhos adormecem embalados pelo mistério.
Deixa-me amar-te em tuas demoras, longas horas em que meu corpo se veste de céu à tua espera enquanto minhas mãos acendem estrelas para iluminar-te, ainda que ausente estejas...
Gosto de ser algo suave e passar por ti e sentir lentamente... o perfume da tua pele, o calor da tua boca... a suavidade do teu olhar. Gosto de sentir os teus dedos dedilhando no meu corpo acordes perfeitos, melodias ofegantes, versos molhados...
É tão forte o pensamento que é possível abraçar-te em silêncio como o sopro da brisa do mar que te acaricia. Quero mergulhar nas tuas águas e descobrir o meu corpo...

quarta-feira, março 14, 2007

Há no teu olhar um mistério dentro do azul deste tempo onde as memórias são quentes.
Há neste momento este silêncio em que a voz da poesia canta entre as nuvens de um sonho.
Há nesta estrada um caminho cheio de curvas onde o medo trava a vida mas o sonho acontece.
Há neste instante um pensamento viajando dentro das letras tecendo sentimentos.
Há em ti um ser observando o invisível através de uma janela aberta ao coração.
Há um olhar neste momento, nesta estrada neste mundo, neste instante em ti Mulher.
Há em ti a semente que cresce e nos envolve em raios de sol numa teia de algodão.
É assim que nos tornamos capazes de amar, por puro amor, sem condições, soltos pela mente em sinais de incontidos prazeres e paixões.
E quando uma lua chega de repente, e se deixa no céu, o luar se faz desvairado como o cantar de um passarinho, um trovoar em serenata... tornaste-te o pulsar das minhas veias, a inspiração das palavras, o nascer das emoções, sensações que os meus olhos bebem ao sabor do vento do teu sorriso.

terça-feira, março 13, 2007

NOS DOIS

Que força sinto no teu beijo. Que poder me domina o corpo quando os teus dedos deslizam sensivelmente pelos caminhos do meu corpo.
És o desejo que eu quero abraçar, o vento que eu quero sentir nos cabelos, o sol que me aquece a pele, o sorriso que me invade o íntimo e me faz sentir vivo.
És…
Uma paixão, tesão, um desejo. O fogo que quero acalmar com o teu toque aveludado. Dentro de mim, calcorreando o meu interior em chamas que me fazem gemer e querer mais.
Saboreio avidamente sentir-te dependurada numa inexorável teia de tesão expectante.
Vem…
Espero-te envolto em teu perfume de seda… o do meu desejo…

domingo, março 11, 2007

IRREQUIETO

Permaneço imaginando os teus olhos, tua boca, tua pele.
Quando estamos perto um do outro, mesmo sem nos tocarmos muitas coisas acontecem dentro de mim. Queria te sentir bem junto a mim, tua pele colada na minha, teu beijo no meu corpo, descobrindo com cuidado e carinho cada parte de mim.
Queria sentir mais perto esse teu cheiro que me enlouquece e toma conta de todo meu ser. Meu corpo estremece ao te ver, ao ouvir a tua voz.
Imagino tuas mãos me acariciando e tentando encontrar tudo o que não está a vista de teus olhos.
Imagino teus lábios nos meus, meus olhos nos teus, e de repente, quando tudo se encaixa e estamos no auge de nossas emoções e sensações, esquecemos do mundo.
Fico a olhar-te de longe, tua essência deslumbrante, e imaginando tudo que podemos partilhar.
Tocar cada parte do teu corpo com muito carinho como se o tempo fosse tudo para nós. beijar-te, sentir o teu abraço e escutar as batidas do teu coração.
O beijo é a manifestação dos lábios quando os olhos encontram o que o coração procura!
Quero-te beijar...

IMBRANATO


«O que estou a ouvir neste instante»

ADORMECI

Nefertiti, sim esta noite sonhei que eras Nefertiti. Adormeci na sala a ver o Discovery Channel aninhado em uma manta, com a noite a vigiar-me, no calor agradável que me serenava ali naquele instante. A tua boca carnuda estava pintada de vermelho vivo e as tuas pálpebras de azul, o teu olhar faiscava e teus peito coberto de oiro, adejava sobre mim, na respiração do teu magnífico umbigo. Passeavas por cima do meu corpo recostado em linho e almofadas frescas. Como uma felina passavas de gatas, a tua pupila contraía e dilatava em mim, brilhando, o teu maravilhoso nariz único de rainha egípcia (se não te tinha dito antes revelo-te agora) enquanto a tua língua lambiscava os lábios, num manifesto gesto de possessão perante a caça. À passagem das tuas coxas, morenas, surgia-me o primeiro calafrio, e sacudia então as vestes sangrentas de guerreiro, atirando-as ao chão e desafiando-te por uma massagem, que me untasses com os óleos divinos ou não fôssemos quase deuses. Voltava de uma batalha negligenciável, e ainda sofrendo das dores de alguma arremetida mais forte, e desejoso da carne que cobria a tua magnifica inteligência, não descansaria como tinha sido aconselhado pelos phisicos da côrte, não antes de degustar o mel que sabia nascer nas bocas do teu corpo. Era olhar-te nos olhos quando estivéssemos na lenta suave dança que lembra hoje uma kizomba em marcha lenta, com os corpos quase suspensos, que quase se tem de adivinhar que houve um movimento quase imperceptível, ritmado, entranhado, colado, sincronia perfeita dos poros a respirarem. Sim, e assim beijava-te por inteiro com a boca toda com os lábios a sugarem um ao outro lentamente outra vez, deixando as salivas misturarem-se como dois rios lentos que desaguam juntos numa foz que há de chegar ao turbilhão do mar. E assim ia retomando o fio dos humores da vida, e assim ia crescendo a força de viver que me faria recobrar das maleitas dos embates dos homens que continuam a ser embrionariamente involuídos, enquanto tu Mulher, ofereces-me o corpo e a palavra doce e sábia e ensinas-me a ser Homem. Logo a seguir, mandei aparelhar já os cavalos, vamos cavalgar pelas areias do Nilo nesse magnífico luar de hoje. Não há dor que resista ao gozo das tuas magias!

sexta-feira, março 09, 2007

BRILHAS

Assim que te olho rasgo um terno e cúmplice sorriso, saboreei-o puro... porque me iluminas a alma ouso para ti erguer meus olhos contemplando-te num vocabulário de encantamento, beleza, qual vulcão que emerge das entranhas do meu ser e que agora te saboreia pelos espelhos das retinas... vejo-te os contornos da suavidade de tua alma e os traços firmes e belos do teu corpo.
Permaneces entranhada em mim mesmo após o último beijo, viajo contigo a meu lado sempre por onde meu corpo e minha mente divague.
Sorris como um arco-íris, onde o vento dança por entre serras longínquas e searas ondulantes... sussurras-me segredos bonitos ao ouvido e então escuto... o eco do encantamento entoando no meu espanto, das flores que se cantam e dos cheiros que se dançam.
És aguarela serena da paisagem... paisagem das planícies dos jardins ou serranias...
Evocas-me amanheceres alaranjados por onde te carrego em meus braços bem junto ao peito e levo-te a voar comigo por entre nuvens de algodão doce, sem ventos nem tempestades.
Levanta as pálpebras e observa os prados celestiais.
Ouve a brisa que se levanta... quente... serena... sschhhh ouve... são sílabas e vogais que se deitam a teus pés, migalhas se as comparares ao rufar do meu coração... que canta por ti, para ti.
Hoje minhas mãos tremules percorreram o teu rosto delineando os teus lábios com gestos de mel. Fecho os olhos, vejo o teu sorriso, naqueles instantes cego como o meu. Partilhamos um respirar, o mesmo sopro. Compasso descompassado das batidas que se sentiram nas bocas, a tua na minha, nos lábios em harmonia, nas línguas enroladas numa dança inebriante. Os corpos que se procuraram, se tocaram, essências de amêndoa e jasmim a despertar no amanhecer do nosso dia.
Aproxima-te... sente os meus lábios... o quente... a saliva que te entrega o anseio, o devaneio.
Não encontro palavras, sons ou odores que te entreguem o que em minh'alma se consome em chamas devoradoras numa dança a dois. Resta-me assim o conforto de Camões e invocar-te os cantares por cantar, as letras por escrever e os olhares para te amar.
Suspiro... enquanto no silêncio desta noite todos dormem estarei a teu lado por entre a bruma da lua, levando-te os carroceis e os narizes pintados de vermelho, os sorrisos plantados e amores sitiados.
Dorme princesa... estou junto a ti... para ti...

SORRI


Ouve... Só desta vez...
Esquece as palavras.
Não consigo que digam o que quero.
Não há forma de fazerem sentido.
O meu coração e o meu cérebro não se falam.
Viraram as costas um ao outro.
E deixaram-me no meio.
Sem saber para onde me virar.
Se tento falar, tudo soa mal.
Se tento mostrar, não tenho palavras para o fazer.
Por isso, não fales e não oiças,
Deixa-me te perfumar o dia.

quarta-feira, março 07, 2007

TEU CORPO DE MEL

Vagueio-me ainda no mundo das endorfinas geradas nas respirações dos nossos corpos. Sabes que os bocados da tua pele que me vêm colados às pestanas têm um inefável efeito de alegria hilariante, mesmo quando durmo só três horas a causas das nossas cavalgadas faladas. Entre mim que engoles nas tuas delicias húmidas segredas-me em desespero para te falar na minha língua das ilhas e acedo a acender-te mais e mais como uma lâmpada incandescente mais rubra que o vermelho do sangue que bombeia forte nas nossas todas mucosas e têmporas das faces que sorriem e gemem como crianças. Depois fugimos até as montanhas. Estavas exausta, confessadamente exausta, mas sei que bebeste o espaço que te queria dar. E as luzes tremules, mínimas que espalhavam-se no sopé faziam-nos estar no Olimpo.
Ainda voo com a imagem do teu corpo colado ao meu. Sim, a tua boca, o olhar de loucura. Danças tão bem que viajo para a ilha dos amores de uma só deusa. As palavras saem-me em jorros sem ser preciso pensar. Os meus dedos tacteiam as teclas como tocam a tua pele, a tua boca, os teus seios, e entram na tua gruta a escorrer. Sempre imaginei uma noite completa assim contigo, obviamente que o pequeno almoço era uma coroação delirante da noitada, mas a sua ausência não belisca minimamente as sensações abraçadas de nós dois, tu a saborear-me por dentro de ti e eu penetro-te com a carne e as palavras que debitam. Valem os segundos todos por todos.

VOU SONHAR

Sentado nos braços escuros da noite, sinto sede da lua... e sinto sede de ti...
Não sei porque não consigo esquecer o cheiro do mar se não são de algas as vestes que me cobrem o corpo nem de corais as íris que me trazem a tua imagem...
Vagueio para além do espaço que sufoca a extensão das mãos agora completamente ausentes de mim...
Guardaste as minhas mãos no teu rosto que não alcanço... guardaste-as nas tuas e é por isso que é a minha alma agora que te escreve e não as minhas mãos...
Mantém as minhas mãos assim guardadas nas tuas... não mas restituas porque eu nunca mais quero escrever-te com elas.
É muito mais fácil escrever-te com a minha alma porque as mãos nunca escrevem completamente o verbo amar...
Abraça-me... faz de mim um prolongar do teu próprio corpo. Abraça-me esta noite em que chegam até mim os ecos dessas lágrimas que te alongam o olhar e te salgam a língua.
Deixa-me embalar-te, meu amor, e invadir a hora dos teus sonhos, como se fosse um espaço meu. Não descerres as pálpebras... quero entrar devagarinho no teu mundo, tão devagarinho que mais não pareça que um leve encostar da minha cabeça nos teus ombros.
E este abraço que te peço, gostava que fosse ao ritmo do mover das penas nas brisas quentes de um entardecer ameno, com cheiro de ervas rasteiras e juncais... e com sol, muito sol, mas já naquele tom alaranjado e nostálgico que se prende nas íris de quem o sorve de braços e olhares entrelaçados. Era assim que eu queria que que a tua pele tocasse a minha, pelo meio dos teus braços nas minhas costas e do meu pescoço nas tuas mãos... e ao som daquela força que os corpos sussurram baixinho quando se desejam... E também era assim que eu queria depois deixar que o meu corpo deslizasse para o teu colo, antevendo o acordar da lua num leito de água doce, bordado de sons de palmeiras ao ritmo dos primeiros frescos da noite e de pequenos rumores de ondas em embrião...E sentada no meu colo, no momento mais perfeito deste abraço, bordaria a saliva no teu ouvido o sussurro "És a Lua da minha noite, o Sol do meu dia, Amo-te..."
E sabes, amor, quando a lua, já cansada, adormecesse, o amanhecer encontrar-nos-ia numa qualquer margem de um rio, adormecidos... mas abraçados.
Vai já alta a noite e as palavras tentam enroscar-se no embalo do universo dos sonos, mas obrigam-me a alma a despertá-las para que possa eu, viajar nelas um pouco. Não sei exactamente até onde me levarão neste momento, por isso deixo que corram livremente ao sabor do pensamento.
Sei que encontraste o meu sorriso no firmamento terno e lento dos trilhos das estrelas do mar, como sei que depositaste ao seu lado os teus lábios, em gesto igual. E sei, também, que é assim que as searas se cobrem de girassóis gigantes e de arco-íris que trespassam nuvens de algodão doce.
Sento-me um pouco, olhando o brilhar das areias, sob o luar, e encontro as pegadas dos teus pés que, entretanto, descalçaste também. E sabes?... descobri que os teus passos e os meus se entrelaçaram à semelhança de um crispar de dedos na hora da entrega de dois olhares em fusão.
E porque há encantos que não se confinam aos limites do que é razão, vou abandonar-me a esta noite de luares mágicos, encostando suavemente a minha cabeça no teu peito e adormecer no doce sentir de um beijo teu...

terça-feira, março 06, 2007

NATURALMENTE

Espero,
Sem esforço,
Sem tormento,
Deito-me na luz da Lua,
Flutuo no Mar da Tranquilidade,
Sinto a brisa fresca no rosto,
Aguardo.
Repouso o corpo e o sorriso,
Assim permaneço,
Até que os raios do Sol,
A tocar o som de uma harpa,
Anunciem a tua chegada,
A Lua desaparece no horizonte,
Como se fizesse amor com a terra,
Deitada apaixonadamente sobre o orvalho.
A neblina,
A humidade pairando sobre o chão,
São gotas de suor que nos correm no rosto e nas costas,
Somos perfeitos a imitar a natureza.

segunda-feira, março 05, 2007

ANDA...

Sem muita explicação meu corpo treme, um frio fininho sobe-me pela espinha... sim... antecipa o meu desejo... de te querer, agora, neste minuto, antes... depois... quero a tua mão em busca pelo meu corpo, quero te sentir inteira, saborear o teu cheiro, o teu corpo encostado no meu, quero a tua boca se esfregando na minha loucamente... sem pudor... numa fúria sem limite.
Quero penetrar em ti, lambuzar-me em teu corpo gemendo, tremendo... quero-te fazer mulher, fêmea, meu Amor. Neste turbilhão de anseios quero desvendar os teus segredos de mulher, abraçar-te, beijar-te... chega bem perto de mim, deixa-me te sussurrar coisas húmidas ao teu ouvido, geme baixinho, sente meu corpo entrar dentro de ti, atrevido, tímido, requintado. Aos meus sussurros de poesia rasga estes lençóis de seda, grita... grita de prazer... geme... sê gata selvagem enquanto uivo no fogo do prazer, do desejo, do tesão. Deixo-te arranhar porquanto te irei morder, lamber, sugar... chupar...
Quero sentir a textura da tua pele, o gosto do teu desejo, o calor do teu corpo... vem... vem depressa, deixa-me mergulhar no teu ser e sentir-me a penetrar em ti, sentir-te a cair em êxtase, em clímax, num gozo fenomenal.
Ainda assim... abraçados... quero te cantar sonetos em sussurros ao ouvido... e baixinho... dizer-te... que te Amo.

ANSEIOS

Suavemente provoco-te com um dos néctares que tanto aprecias reservando para mais tarde as delícias de outro néctar que buscarás nas minhas entranhas... explorando cada recanto do meu corpo... dando e recebendo prazer...

Anseio pelo teu toque em mim, pelo gemido que soltaremos em uníssono, pelo fogo que soltaremos, pelo enrolar de dedos por entre nossos corpos sentindo em nós o afago das almas...

Anseio por ti...

Anseio perder-me em ti...

ACORDEI ASSIM

Sinto a excitação invadir o meu corpo sempre que oiço a tua voz. Não sei explicar como o simples tom da tua voz e a lembrança de um beijo da tua boca me deixa desta forma.
Inexplicavelmente invadiste o meu corpo. Estou ainda deitado na cama neste instante... sem pedires licença, e junto da minha cama, seguraste-me pelos pulsos, enquanto aproximavas o teu corpo do meu, a tua boca da minha.
Debato-me fracamente, plenamente consciente da força e doçura dos teus dedos enrolados à volta dos meus braços. Não sei porque me debato se anseio pelo toque dos teus lábios nos meus, deslizando pela minha pele... brinco contigo... seduzo-te... capitulei, depois de invadires a minha boca do mesmo modo que dominaste os meus sentidos. Os meus braços, já soltos, enlaçam-te pelo pescoço e beijo-te alucinadamente, entregando-me totalmente a esse beijo que me faz delirar.
Depois, deslizo os meus lábios pelo teu pescoço, enquanto mergulhas o rosto no meu peito, mordo-te a orelha, chupo o lóbulo, fazendo-te gemer e suspirar. Sinto o teu tremor e o desejo que começa a encostar-se nas tuas coxas.
Estende o teu corpo sobre o meu, ainda com a manta de pelo, quente como nossos corpos… tenho o teu gosto na minha boca… Não esqueço a sensação que tive quando estremeceste de encontro ao meu corpo, no momento em que trinquei a pontinha da tua orelha, nem esqueço o som do teu gemido.
Acordei hoje com o sopro gutural que saiu dos teus lábios e com o remexer do teu corpo de encontro ao meu.
O meu Desejo, o meu Amor... o meu Tesão... és TU.
Amo-te!!!

domingo, março 04, 2007

NESTE INSTANTE

Gostava de saber como estás... o que fazes neste instante... pensarás em mim... gostava até de saber como são as janelas desse lugar que abarcas.
Quando tenho saudades tuas solto em mim a fantasia, invento asas e entrego-me livremente aos braços do vento, morno, que me leva ao sabor do acaso sobrevoando mares e ilhas, vales e montanhas, rios, desertos e savanas.
Quando sinto em mim o cansaço, sento-me num qualquer brilho do universo, fecho os olhos e com meus braços estendidos espero sentir um abraço teu.
São esses instantes que me confessam bastar o reflexo de um sorriso teu... bastar-me-ia um qualquer sinal de vida, qualquer fosse a forma... qualquer fosse o vestígio... já sei... vou inverter o olhar e entrar em mim... descer os degraus da vida e desembrulhar as recordações que me levam ao teu colo e ao tempo das tuas mãos e dos sorrisos nos teus lábios. Sim esse mesmo jardim onde encontro o eco da tua voz forte e doce. Devolvo-te um sorriso, o mesmo que não tive tempo de te dar antes de partires e deixo-me ficar assim como quem aguarda o tempo parar um pouco e me deixe sentir-te em mim.
Não fiques triste meu Amor, não é esta uma lágrima de tristeza, de apenas água e sal... é também de saudade, de paixão, da beleza do encontro d'Almas numa dança de lírios ao vento... é uma lágrima de Amor que derramo por ti.
Olho para o rio... sinto a brisa passear-se em meu rosto... a brisa das tuas mãos... quente.
Fito o horizonte e espreito o espreguiçar das tuas ondas e beijos-luz nos lábios do sol deitado em ti.
Sinto neste teu corpo líquido um brilho de sereia, um sorriso de lua encantada quando adormeces no entardecer e acolhes em teu ventre o casario do meu ser.
És magia que mantens na pureza do teu brilho esse encantamento de quem tem no seu regaço o reflexo e a vida de duas margens... sê o meu rio... deixa-me ser o teu oceano!

sábado, março 03, 2007

SUSSURRI

Un tonfo, una eco... nel silenzio rimbombano i rumori della nostra labile immaginazione. Restono lì, irriconoscibili, indistinti, in un'amalgama di pensieri.

La pellicola della nostra mente, impressionata da infiniti disegni della vita, inizia ad essere proiettata prima che i sensi affluiscano al di là della conscia responsabilità del pensare, in quel mondo blasfemo talvolta, eccitante e inspiegabile del sogno... quella fase rem che ci conduce in una dimensione parallela...

E... voglio viaggiare, con gli occhi socchiusi, le labbra inumidite, voglio immaginare il suo doolce sussuro, le sue mani intrise di desiderio, e il suo sguardo pieno di passione...

ti
Amo...

ASSIM É

Os meus dedos já não encontram as palavras e o silêncio divorciou-se do segredo que o fazia sentir nú.
Existem mares no horizonte das minhas mãos e gritos loucos nos cantos mais recônditos da minha pele e alma.
Preciso-te tanto que me desamarro deste corpo para poder renascer em asas brancas. É assim, amor, que levanto os pés da terra e desacredito o chão de mim mesmo apenas e só com o teu olhar. Ascendo aos céus e plano em tuas asas, em comunhão com os meus sentidos, sobre o teus sonhos, enquanto emites o som divino dos coros celestiais do amor-céu-pequenino com o quente das tuas palavras.
Não sou mais lábios, braços ou destino... sou antes o reflexo dos sonhos, dos sussurros e dos gritos que derramas em mim com a forças das tuas marés, peregrino, caminhante por um oásis que se tornou real, cavaleiro, amigo e amante...
Não mais me pertenço pois me tens aninhado em tua alma de braços abertos aguardando o aconchegar de tua face no meu peito, me abrigo no jorrar intenso das lágrimas quando desertificas pois antes me sei tempestade, brisa, corrente ou uma simples partícula viva, pedaço de lava escaldante que somente em ti se atiça e no ar se consome.
Encontrasse eu as palavras e com elas te cantaria, desacorrentado de regras de âncoras e vestes, pleno de fantasias, para te falar de um sonho no qual me carregas e abraças a cada instante que sinto o suave aroma divino do teu perfume...
Como te falar de Amor?
Acompanha-me na noite e nos dias que se estendem a teus pés no prolongar de mim, para além de qualquer rumo ou de qualquer maré... desnudados continuam os meus pés para que os caminhos que percorro se entranhem na pele e em mim permaneçam para além dos momentos sem horas, sem passados ou histórias, onde o mundo não é mundo, o tempo cessa e apenas nós existimos.
Ao ouvir o vento lá fora sei o quanto ele nos embala em sussurros de espuma branca das ondas quando beija as areias. Minha alma verga-se no amanhecer do regaço do teu olhar doce e cada passo que dou no palpitar dos dedos que se entrelaçam em teus cabelos, bainhas rendadas do mar, vou sentindo as estrelas a assinalar o caminho, como quem semeia um campo de sorrisos.
Ouço o mar ao fundo, ele traz-me do longe pedaços de sonhos completamente moldados ao espaço dos teus braços, asas vestidas de ternura azul do oceano que deposita a espuma branca das ondas que beija as areias...
Contou-me uma vez este guerreiro das marés que a distância não existe quando aprendemos a viajar no éter, prolongando-nos para além do que sentimos, porquanto basta cerrarmos as pálpebras suavemente, rasgarmo-nos de nós próprios e deixar germinar no peito as asas da nossa alma, a minha que percorre o tempo e espaço para numa entrega plena quedar-se junto a ti e beijar-te com sorrisos de Amor.
Renasço em cada sorriso cúmplice quando teus lábios se unem, quando tenho em mim o sabor de ti entrelaçado na saliva partilhada entre rios e oceanos dos beijos que depositamos suavemente na partilha de um pôr-de-sol apenas nosso.
Carregas o meu corpo a mundos por onde corro desenfreado atrás dos dedos que se desgarraram de mim e agora te pertencem em mãos que no apesar de serem minhas vagueiam no subconsciente dos sentires do teu corpo que exploram a tez dos teus sonhos rasgando as entranhas e sentindo a paixão percorrer por entre a tua pele, procurando a íris do prazer dos beijos em teu pescoço, sentido o adormecer de um beijo de amor em teus seios, cúmplices de uma beleza que polvilha os meus lábios em desejos adocicados de os sentir húmidos com a saliva da minha boca.
Amo-te sem pressas e sei neste instante ser esse o segredo que me faz gostar de sentir o aroma da maresia ao largo das dunas e o prazer do abraço de uma brisa quente nos teus ombros nus ou a doçura do cheiro dos beijos que me apetecem... esse é o segredo que me ensina a ouvir o nosso amor debaixo das copas dos pinheiros ou nas margens de um qualquer rio que corra calmamente para o mar assim como desço em teu corpo no desejo de te sentir em mim, dentro de ti.
Quedo-me a teus pés para de lá te fazer sentir o nascer do prazer por entre as tuas coxas, num abraço de prazeres renascidos que te quero fazer sentir com tudo o que de mim arde por ti.
Quero semear no teu rosto lindo os afagos das minhas mãos que intensamente desejam te tocar de dentro para fora, sentindo tu o calor do meu amor por ti e assim ascender nos teus olhos o laranja do pôr-do-sol.
Quero sentir nas margens dos meus lábios o sopro dos teus beijos e desencadear a chuva de palavras que preenchem os teus desejos.
Colhe um arco-íris do céu onde eu possa esconder anseios que moram em cada prega da minha pele e depois procura comigo o tesouro que se esconde lá bem fundo na alma.
Desenha comigo uma praia que se estende por nossos corpos que se unem no prazer cúmplice de um tesão que caminha por entre os dedos e se deita entre nossos braços e no teu peito ofegante fazendo crescer a minha vontade de nele plantar o meu leito e plantar beijos e carícias infindáveis.
Vamos entrelaçar os nossos dedos tal como o fizemos, encostar tua face no meu peito que grita por ti, dás-me um daqueles beijos em que o calor dos teus lábios escalda o meu peito e trespassa a alma num gemido de amor.
No teu ventre, quero sentir o retrair dos músculos e o tumulto do respirar enquanto cresces em mim...
Nas tuas costas sente o crispar das pontas dos meus dedos completamente cegos e possessos por ti...
Vamos entrelaçar os nossos olhos... pois assim é o meu Amor...

sexta-feira, março 02, 2007

SORRISO

E, porque foi de mãos dadas que olhámos juntos o mar, ele foi mais azul e foi mais mar. Talvez por isso nos tenha oferecido cachos de sol que nos tornaram as íris mais brilhantes e a pele mais macia... Foi ele, assim dormente, que nos humedeceu os lábios e nos enterneceu o entrelaçar dos dedos...

Deslizei, pois, nos contornos doces dos teus lábios e, sem que tu soubesses, despojei-me de todas as vestes para que me sentisses apenas na saliva que nos fundiu as almas. E a cada vez que esqueci os olhos cerrados viajei nos trilhos do teu corpo, no macio da tua pele serena e na ternura da tua voz...

E enquanto foste o meu regaço, eu soube sempre que ao nosso lado, magicamente calmo, estava o mar, sussurrando baixinho que o seu silêncio era o eco de um sorriso divino... o teu!

quinta-feira, março 01, 2007

CASCATAS

Fecho os olhos e apago-me do mundo enquanto num segundo apenas me desgarro de mim e me desnudo para renascer aninhado em ti.
Arremessas as palavras para longe dos lábios porque sabes que te oiço o olhar nestas horas em que a vida nos desamarra do mundo e em que a nossa pele nos grita a magia dos beijos e é então que de mim jorra o desejo de ser nascente fonte de uma corrente límpida e fresca que refresque em ti a sede que também é minha até que, já cansado, sejas apenas como o poente que adormece sereno num regaço azul, feito menino
Esta é a noite das cascatas consentidas... a noite em que cerro as pálpebras e te consumo o sorriso, guardado simplesmente nas memórias que não deixo que o tempo apague de mim!
Esta é a hora em que me aconchego no que de ti cresce na minha alma, e me deixo adormecer no relembrar dos momentos em que a tua voz ressoa nos sussurros brandos da vida e os teus braços são matéria e sentidos...
Depois... olho-te naquele reflexo do que és e onde o teu sorriso permanece eternamente vivo, olho o céu ... e sorrio-te! E sei que, onde quer que estejas, sentes o quanto eu sinto a tua falta!
Dormes e eu velo esse teu sorriso com a intensidade de quem sente as ondas do mar no respirar dos teus sonhos, e por sobre os teus lábios nasci em rio e em vagas de beijos criados por marés de ternura.
Enlaço-te no restolho dos desejos que me viajam nas veias e norteiam as pontas dos meus dedos agora tímidos e mansos e cansados.
Deixas em mim a ânsia de ser o luar dessa tua noite mágica em que me deito e sereno... pudesse essa noite ser eterna e nela depositar a fugacidade de um beijo que te ofereço a cada pedaço de olhar que os meus olhos te resgatam.
Pudesse essa noite ser o perpetuar dos sorrisos que adivinho a leveza de gestos com que embalas este meu velar dos teus sonhos agitando o teu sorriso que pressinto no teu rosto...

enquanto dormes...