domingo, setembro 02, 2007

QUERO ESTAR CONTIGO

Que eu diga ao vento....
O som que meus passos descalços,
Fazem no soalho...
Quando para ti caminho, na noite escura….
Procurando o teu conforto.
Conto-lhe como vislumbro a tua sombra contra a noite
segura... imponente… aguardando!
Que o mesmo vento me responda...
Palavras tuas…
Que o mesmo vento,
Me traga o teu aroma….
Que o mesmo vento,
Me leve até onde estás.

sábado, setembro 01, 2007

DELICIOSO

Basta-me uma palavra tua e ganho asas de nuvem
(assim como quem mexe num sonho)
reconheço o amor por onde entrámos, pela porta da frente
e desmancho-me nas traseiras da saudade.
Ouvir o doce e suave timbre da tua voz...
Há coisas maravilhosamente doces.

sexta-feira, agosto 31, 2007

DESABAFOS

Hoje, com o final do dia, chegou tambem a vontade de me perder por aí. Perder-me em ti para que, quem sabe assim, me encontrasses. Veio de mansinho aquele desejo do teu aconchego, do teu regaço, de um abraço.Quisera eu que soubesses que esperei por ti... que soubesses que hoje já só esperava ouvir-te chamar o meu nome. Hoje, que seria capaz de soltar todas as amarras e partir sem olhar para trás. Chamasses-me...

SE EU FOSSE PÓLEN

...eu te diria com palavras doces o que vai dentro de mim, falaria dos meus sonhos-desejos dos meus segredos e seria como uma fonte que nasce nos rochedos e, de repente, mina a sede sem fim. Assim poderia aguar teu corpo-suado depois de trabalhar, quando em casa tão cansado precisasse do meu zelo, meus afagos, deitaria tua cabeça no meu colo e meus dedos entre os teus cabelos sentirias e dormirias o sono dos bem-aventurados. Esperaria o acordar e em tua boca um beijo suave como a luz vinda de fora te oferecia, e mesmo antes de teres que ir embora diria que amar não é pecado e somos tolos em esperar e confessarmos aos quatro cantos nosso amor-iluminado. Faria amor com tal ternura e encantamento e tu quererias mais e mais e mais e tanto que, como encanto, do meu corpo não mais te afastarias.
Se eu fosse pólen à flor da pele, nada disto te puderia ofecer, porquanto me contento em ser quem eu sou e saber que te posso desvendar estes segredos por entre dedos meus que te percorrem a Alma e repousar-te no meu colo que se quer teu porto-de-abrigo.

terça-feira, agosto 28, 2007

LEITO DO TEU RIO

Cubro-te o corpo desnudo com o véu escuro da Noite, afasto o dia, quero-te só para mim. Nesta névoa metálica, percorro-te o corpo, beijo sobre beijo, toque sobre toque, na suavidade da tua pele perfumada. Meus dedos perdem-se qual vento manso, inventando remoinhos sobre teus seios, minha boca, percorre o rio de teu ventre em direcção à foz, na sede de beber de ti. Rasga o tempo a penumbra que tomou de assalto o espaço envolvente, sente-se na pele o frenesim dos corpos que se agitam em ondulações que se desfazem na areia do prazer. Sobre nossas cabeças as estrelas precipitam-se, cadentes, numa atracção insustentável para a luxúria deste instante. Batem os corações a ritmos alucinantes, corre fervente o sangue por todos os vasos, desaguando em jorros de carmim nas veias que se dilatam nos corpos que se contraem e comprimem um contra o outro. Solta-se o sal da vida, em gotas de suor, qual lágrimas de alegria e felicidade que os olhos entregam à corrente desse rio de lava que escorre entre nós dois. A respiração ofegante, reporta-nos ao vento intenso da tempestade que a alma impulsiona, penetrando nos pulmões e invadindo o peito, alimentando o fogo que nos queima. Ecoam no ar, carregado de fragrâncias, suaves gemidos, a música do corpo, penetrado pelo prazer que o assola. Acordes de teu corpo, qual viola, que cantam sobre mim, alimentando o ritmo desta dança apertada que meu corpo desenha contra o teu.

domingo, agosto 26, 2007

À NOSSA JANELA

"Um dia, quando a ternura for a única regra da manhã, acordarei entre os teus braços. A tua pele será talvez demasiado bela, e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor. Um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da nossa janela. Sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi nem uma palavra, nem o príncipio de uma palavra, para não estragar a perfeição da felicidade."

"in José Luís Peixoto"

sábado, agosto 25, 2007

EU + TU

Há sabores novos em cada dia de invenção clara, sabores doces acres amargos, sabores que têm aromas e cores, sabores feitos de metáforas e sinestesias, sinfonias e melodias e sabores musicais e tácteis e vibráteis. Há sabores novos em cada dia que em ti é uma nova descoberta em mim.
Sei da tua pele a tocar na minha e do teu desejo de palavras depois do prazer. Sei das tuas solidões cheias de gente e dos meus vazios prenhes de sol poente. Sei que te toco por cima das palavras que me beijam como lâminas, enfim sei que me tocas por debaixo dos lençóis que me afagam, feitos de seda e setim. Acredito no amor e não desisto de ter para mim. Para nós nesta noite de lua, sei das minhas noites de insónia. sei dos teus dias compridos de solidão, sei das minhas horas de loucura branca, sei dos teus momentos tantos de paixão. Conheço o ciúme dos corpos ausentes, sei das picadas prenhas dos silêncios carentes mas sei que estás comigo agora, sei que estás em minh'alma, sei tudo o que nunca soubeste. Sei como beijas o meu corpo, teu abrigo. Sei que te quero... para mim... sei que me quero... para ti.

sexta-feira, agosto 24, 2007

EM SINTONIA

Existe algo nos nossos beijos que pertence ao reino do alecrim e das açucenas.Ainda hoje recordo os teus gestos mudos a desaguarem em mim e tenho sede do teu lado silvestre, do nosso campo alegre. Existe algo nos nossos beijos que me contagiou para sempre.
Amo-te...

quinta-feira, agosto 23, 2007

DEIXAS-ME NU


O amor começa quando os olhos se ruborizam por dançarem nús.
Amar-te é estar no fio da navalha que me faz a barba pela manhã e beijar-te como se fosse sempre a primeira vez, imaginar ao que cheiras agora quando acordas. Calçar os teus chinelos e fingir que andas por aqui. Pegar no telemóvel, ler mensagens de amor e acreditar que foi hoje que as recebi. Amar-te é assim, ser penhasco vulnerável apanhado numa emboscada e da verticalidade, enfrentar no momento certo, como um cirurgião, a saudade que me agarra.
Tenho sempre um motivo para elevar o pesçoco, o queixo e o olhar, sempre que estou só comigo, entre o meu céu e eu, até ficar acima das nuvens e encontrar-te por lá.

quarta-feira, agosto 22, 2007

UM DIA, UMA TARDE, UMA MANHÃ, CONTIGO...

Nada se move lá fora. O calor torna-se sufocante, o ar impossível de respirar. Multidões atolam o areal em frente à janela desta velha casa. Um areal de perder de vista, plantado neste país à beira mar esquecido… As crianças espezinham os que já nem se lembram de respirar, os cães destroem as belas construções dos terroristas de pés grandes, o homem dos gelados dá-se por vencido. Um terror à sombra dos 40º que entram, intrusos, pelas narinas, boca, por todos os poros até nos secar o estômago.
Cá dentro somos dois. Respiramos o ar azul e egoísta; fresco como o Outono de tempos. Deito-me ao teu lado e vejo-te deixar cair as pálpebras, olhando-me como se um perdão fosse pela suavidade com que te deixas vencer pelo cansaço que invade o corpo. Intensas são estas noites contigo. Olhas-me várias vezes… Sorrio e fico a contemplar a beleza que pediste emprestada no dia que nasceste. Penso eu que foi nesse dia, pois sempre me lembro de ti assim, perfeita, envolta em nuances que te tornam mais bela. Tu sempre te achaste menos do que és, mas com o tempo foste-te esquecendo de reclamar.
Lembro-me quando juntos, partilhamos as manhãs, a tua pele junto à minha, os teus olhos espertos para a novidade, com uma cor que os torna únicos. Encosto-me a ti e dormimos apertados.
"Se pudesse, os meus lábios fariam parte dos teus, para sempre."

segunda-feira, agosto 20, 2007

GRAVADO NA PELE


Gostava de conseguir escrever um poema do qual tu gostasses tanto que quisesses decorá-lo. E que quando o recordasses, em pensamento, fosses capaz de te lembrar também do meu sorriso. Queria oferecer-te um agasalho de horas felizes com o cheiro dos lençois daquela manhã em que nos desligámos da inteligência artificial e gravámos a nossa eternidade na nossa pele.

JUNTO A TI


Todos os pássaros aprendem a bater as asas até no azul cortado pelo frio. Eu também queria saber voar, para conseguir regressar a casa sem pisar o chão onde nestes dias me desencontro de ti. Queria encontrar a baía onde me aventuro com braçadeiras. Fazer de novo o pino na cama do quarto ou a esparregata no soalho que tu pisas. Qualquer coisa que me quebrasse esta saudade, esta falta que me fazes.

TODOS OS DIAS

Quero estar contigo "all over again"...

És o mais perto do Céu, que eu alguma vez mais estarei...

domingo, agosto 19, 2007

INTIMIDADE

Conta-me…
Como é o teu sorriso
Quando te surjo em pensamentos
Diz-me…
Como bate o teu coração
Quando escutas as musicas que partilhamos
Segreda-me…
Como ficam os teus olhos
Quando me lês
Sussurra-me…
Como fica o teu corpo
Quando me sente…
Mostra-me com os teus lábios,
o que eu oiço…
com a minha pele!

ESTOU IRRITADO


Estou completamente, desesperadamente, irredutívelmente, totalmente, irritadamente sem palavras.

Porque há momentos em que as palavras não chegam.

Alturas há para as quais palavras não bastam.

QUERO VOAR VOAR VOAR

Trago o amor preso à garganta ansioso por estender suas asas e voar ao teu encontro.

TENHO

A minha certeza estende-se até ao romper do silêncio da cidade
como um grito por entre os olhares espalhados pelas avenidas.
Tenho saudades da tua escova de dentes...
Tenho saudades de te ouvir lavá-los.
Tenho saudades de ti.
O teu cheiro, esse, permanece em todos os cantos.
Gostava de ser pirilampo num candeeiro junto à tua cama.

quinta-feira, agosto 16, 2007

DUO

Preenches-me... completas-me...

A MELHOR PRENDA, ÉS TU

Dá-me a tua mão e vamos fazer chuva por entre as ruas da cidade que nos abraça.

Sabes que hoje faço anos e a melhor prenda foi ouvir-te logo ao amanhecer.

Preciso de ti...

quarta-feira, agosto 15, 2007

SEGREDO

Quero te falar daquele pequeno grande segredo que guardo nas dobras da alma. Se te encontrasse neste instante, se conhecesse as coordenadas do teu rasto, pista para a ti chegar… Queria trazer-te notícias deste segredo, casulo onde procuro a calma e me encontro em ti. Se te avistasse, se de ti visse as pegadas na terra húmida que tenho que pisar…
Só um pequeno segredo, na pista das pegadas do teu rasto, notícia deste casulo em terra húmida.