sexta-feira, dezembro 08, 2006

EU

Sabes.. às vezes quero-te dizer que a dor é demasiado real para ser apenas alucinação.
Às vezes, quero abraçar-te e implorar-te que não vás... Que fiques aqui e me embales como a uma criança pequena.
O pânico invade-me. Depois começo a sentir uma espiral, uma espiral que me atira contra a parede e me engole toda a vontade de estar perto das pessoas.
São as lágrimas que se cristalizam na garganta e criam um imenso nó. Elas já não descem pelos olhos. Desaprenderam esse movimento ancestral. Agora só querem viver eternamente nas minhas cordas vocais, onde se depositam e se deixam desfalecer.
Sabes... às vezes quero-te dizer que só a tua presença me acalma esta ânsia da tua voz e dos carinhos, dos afagos que habituaste a minha pele.
Outras apenas quero ficar a ouvir o silêncio gritar enquanto de olhos fechados te transmito anos e anos de fantasias quebradas e gelos que inundam o meu corpo.
Ouço músicas, vejo filmes, tento em vão esquecer a tua voz e o calor das tuas mãos e só elas, só elas, chérie, me conseguem acalmar esta intensa mágoa de todos os beijos que nunca dei.
Não consigo falar com eles, sabias? Eles percorrem a mesma casa que eu, mas são meros espectadores silenciosos das minhas constantes mudanças de humor.
Sempre tive riso fácil. Prostituo a minha boca em gargalhadas que nunca me beijam o coração.
Sempre fui o mais forte. Sempre fui o farol em dia de tempestade. Então eles acham que será sempre assim, que sempre nos maus momentos eu irei confortá-los e que também me confortarei a mim mesmo.
E tu? Confortas-me?
Estou tão doente.. sinto-o nos ossos. Sinto-me a definhar, a minha mente está tão debilitada...
Sabes, amor, o cansaço é uma doença que nos deixa fracos. E eu estou tão cansado... Quando acordo penso que acordo para um novo sonho porque tudo se me é baço aos olhos.
Eu sei que isto vai acabar. Eu sei que esta espera que me gasta os joelhos vai terminar e tudo vai ficar bem.
Eu repito-o para os outros. Como se fosse uma ladaínha. Sorrio-lhes. Afago as suas temeridades e sussurro que a vida é um imenso rol de pedras na estrada e que nem por isso a estrada acaba.
E é verdade... quem acaba sou eu. Eu é que me acabo nestes silêncios, nestas constantes implosões, nestes destroços que escondo por trás do ar desleixado e confiante.
E depois inundo-te de dor e dúvidas, e lágrimas que nunca sei chorar e que só escorrem na voz.
Eu sei que amanhã é um novo dia e que eu sempre fui mestre a fingir forças e ternuras.
Eu sei tudo isso.
Fui eu que inventei as mais belas frases de consolo e depois as repeti a mim mesmo enquanto no ar choviam acusações.
Fui eu que acariciei os meus dedos nas noites em que ninguém vinha ver se os cobertores eram brancos e perfumados.
Fui eu que escrevi os mais poéticos contos para me entreter os gritos que se semeavam nos cadernos, nos diários, nas paredes, nas palavras que nunca deixei sair do peito.
Sim amor. Fui eu. Eu que teci muros em volta do meu eu tão moribundo e me resgatei suavemente.
Porque não o sei fazer agora?
Porque agora não estou sozinho. Agora estás aqui. E o meu eu já não responde aos contos, nem aos meus dedos, nem às minhas frases.
Apenas às tuas.
Só a tua presença acalma esta necessidade de me refugiar.
Nunca falei a mesma língua que as outras crianças. Nunca fui inocente e puro. Mas fui sonhador.
Ainda sou.
E depois veio a escrita. O meu pecado e a minha redenção.
Eu queria dizer que ela existe porque tu existes. Ou que ela existe porque é boa. Mas não. Ela existe simplesmente porque eu existo.
É consequente da minha voz apagada como a sombra é consequência do Sol.
Sabes... às vezes quero tão só dizer que te amo... E é essa a única certeza que tenho neste lodo que é a minha alma. Onde chafurdo nos meus próprios dejectos e indecisões.
Outras... nas outras estou demasiado entretido a fingir felicidade para me lembrar o que penso ou quero ou planeio.
Vou aguardar o teu regresso. Sei que voltas e desejo-te nos meus braços. E eu vou alimentar-me da tua presença como um malmequer se alimenta dos raios solares.
Até lá grito silenciosamente. Para não os acordar e assustar... Vou continuar a tolerar as suas presenças tão subtis, tão cómodas, tão cegas.
Vem salvar-me... preciso de ti... A noite é demasiado assustadora. Vem... estou aqui... porque não me ouves? Onde estás? ... Quase te posso sentir, mas não te consigo tocar. Aqui ao lado eles continuam as suas vidas paralelas à minha.
À minha vida que só o é quando estás comigo.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

LEÃO

O 5º signo do Zodíaco

Elemento: Fogo, Fixo
Planeta Regente: Sol
Príncipio: Activo
Parte do corpo: Coração
Estação do ano: Meio do Verão no hemisfério norte
Incensos: Sândalo e Amilscar
Pedras: Ambar
Dia: Domingo
Metal: Ouro
Côr: Dourada

Rei da Selva? Nenhum Leão se contentava com isso. Rei do Universo é melhor. Eles esperam governar o mundo e exigem que tudo se centre neles. Possuem organização e liderança superior. São generosos e afeccionados. Espalham o brilho do sol para onde quer que vão. Têm muito a ensinar sobre arte, filmes, cozinha fina e literatura, e a lista continua. O Leão necessita ser admirado e quer ser reconhecido.
"in qualquer tipo de astrologia que leiam"

O que ainda não foi dito sobre o Leão: felino de intelecto e gatinho doméstico de coração. Exala o enternecimento de uma criança com a curiosidade que tudo desperta nele. Objectivo no caminho que pretende percorrer mesmo quando foi a estrela que segue lá alto que se despertou dentro do seu coração. Por vezes, o Leão descobre em si montanhas tão altas que exita em atravessar. É o medo de se perder e não ser mais descoberto... anseia pela mão que se estende até si e lhe confia o seu ser. O Leão não tem medo... receia que pelo trilho que deve percorrer possa pisar a relva verdejante que cresceu naquela manhã e merece ser banhada pelo Sol que a ilumina.
Leal como a Lua na sua órbita constante... Respeita o caminhante que carrega seu fardo de palha e mostra-lhe qual a fonte onde poderá se refrescar.
Atrever-se a defrontar um Leão pela lógica do nada despoleta o seu sentido animal. Ataca e obriga a recuar... Não é cruel... é justo.

Apostava que o meu Mundo estaria deliniado com o pincel que eu mesmo escolhera, a tela virgem que diáriamente marcava os borrões que pintara no dia anterior ansiando pelo seguinte.

O quanto errado eu estava.

Quero escrever mas de novo caem lágrimas pesadas nas minhas asas que me colam no chão, me colam às árvores e me colam prostado ao som terno e suave da tua voz.
Quero deixar a alma voar nas palavras ditadas pelo tempo, o tempo magro que me leva, me empurra, me sussurra ao ouvido que a única coisa que posso fazer agora é deixá-lo escoar e acreditar.

Se acreditar com muita, muita força, talvez amanhã o dia clareie e eu possa finalmente descansar em paz e agarrar a imagem dos teus lábios colados aos meus.

Quero escrever, quero criar, quero envolver-me em poesia, fugir da realidade, deleitar-me no teu amor sem sentir os quilómetros que afastam os nossos corpos e aproximam as nossas almas.

Mas hoje não consigo. Hoje tudo o que sei e sinto é um imenso grito a romper-me a garganta, a lançar-se egoísta no espaço, a tentar em vão alcançar-te e fazer-te entender que a dor que me consome é ínfima perante a impossibilidade do futuro. O futuro com que acalentei minh'alma em dias de loucura e degredo.
O futuro com que enganei minhas lágrimas, com que afaguei meu corpo cansado, com que deitei a minha cabeça nas almofadas molhadas e cantei canções de ninar.
Esse futuro, amor, foge-me.

Hoje, não consigo sequer desenhar.

A simplicidade das palavras é um labirinto em minha mente. Uma espada cravada em meu peito a penetrar as profundezas da minha alma quebrada pela luz que permiti entrar. Não sou poeta, declamador, não sou nada... mas sou tudo...

Tudo aquilo em que sempre acreditei um dia ser possível. Sou um louco transtornado por ele mesmo na infindável razão que ela mesma desconhece ser dona.

Deixa-me acalmar... Porra não quero... Quero Gritar bem alto, muito ALTO. Expelir o suspiro final que separa a verdade da mentira. O sonho da realidade.

Permiti que descobrisses o meu esconderijo e deixei-te entrar sorrateiramente. Lá dentro nevava e o vento norte grunhia uivos e laivos de dor. Nunca te importaste com isso como nunca te importaste com as minhas unhas em tua carne. Com o meu desejo mórbido de te rasgar as feridas. De te curar as impotências.

Sinto a intensidade das palavras a rasgarem-me as veias.
Sinto o corpo tremente de prazer antecipado (orgasmo intenso da escrita).
Água quente na pele branca. Água quente no cabelo escuro...
Os olhos perdidos no horizonte vago.
Abro os lábios para proferir as palavras. Respiro. Passo a língua, molho-os.

Suspiro.
Sinto as palavras... A emergirem dos olhos, a cairem no chão lavado do meu quarto.
A semearem-se no espaço vazio entre a cama e o armário.
Sinto o teu calor mesmo a meu lado.
Chego-me para ti.
Seguro-te pela cintura.
Dormes.

Sinto as palavras, o rodopio que é ter a boca a saber a maresia.
Pergunto-me o que sonhará a tua mente na escuridão da noite.
Pergunto-me o que serás tu, dentro de ti mesmo.

Dormes.

Aproximo os meus lábios dos teus.
Espero.
Sinto a tua respiração compassada.
Espero.
Dormes.
Aproximo mais.
Deixo que a minha respiração se cole na tua.
Estremeço na antecipação do prazer do beijo roubado.

Dormes.
Deixo-me cair na cama.
Abraço-te de novo.
Fecho os olhos. Daqui a pouco virão os sonhos.
A loucura dos meus mundos sem regras.

Prometi-te falar sobre o Leão. Mas este felino, esta besta que todos temem, é tudo isto... compreendido apenas nas palavras que não são ditas mas sim escritas.

COVARDES...

O meu silêncio hoje não é branco. Negro pensas tu... não "chérie"... Azul como o infinito do céu que teima em nos mostrar a sua imponência.

- Não te escondas nas palavras retorcidas com que brincas!!! dizes tu...
- Não - respondo-te ao ouvido - não me escondo em lugar algum, nem mesmo naqueles nos quais gostaria padecer e eternamente descansar - suspiro.

Queria ser diferente e sou tão estupidamente igual a mim mesmo - Lê nos meus olhos a vontade de estar aqui estando ali.

- Sentes como me mordo, me odeio? Como me mutilo? E grito... um grito de dor.
- Porque a minha mente a minha alma, os meus ânseios são inifitamente maiores que o meu corpo.

- Os teus dedos são a frase mais bela que alguma vez li "a imagem dos teus lábios nos meus não me sai da cabeça e confesso que os dedos não param de brincar no teclado apenas numa tentativa desesperada de disfarçarem o desejo de tocarem em ti."

- Perdoa-me a intrusão, a exposição, o abutre que fui em despertar em ti o turbilhão que marinava em teu ser.

Estou cansado, toldado em minha mente por um peso que me obriga a fechar os olhos e parar de escrever... para sempre... apenas e só para não deixar escapar esta imagem... de ti.

"ESCAPE", "ESCAPE", "ESCAPE", esta tecla não me sai da cabeça como se fosse possível apagar tudo aquilo que aqui foi dito... tudo aquilo que fica por dizer...

"SAVE", vou fechar os olhos...

quarta-feira, dezembro 06, 2006

DESEJO

Se pudesse abrir os teus espaços, decifrar-te a imensidão dos segredos, a nulidade da perspectiva... Se pudesse tão só descobrir o momento que transformou a regularidade dos meus olhos na matéria fragmentada dos teus espelhos...
Existem desejos pequenos e imutáveis que se transformam nas linhas que definem o indefinível.
Tu existes no desejo de saber a natureza do espelho que sou eu.
O reflexo que te tornaste tu. Tu... que tentas compreender a forma como o reflexo que viste em mim se tornou parte de ti.
Adaptaste as palavras e os meios-sorrisos à mulher que foste em mim, tornaste-te a promessa cumprida das mãos que nunca se fecham, que ficam, que permanecem profanadas de pássaros lânguidos.
Tu foste mais, foste menos que Tu em mim.
Tu cresceste dentro e para dentro do Espelho.
Criaste fios, cordões umbilicais, intermináveis espasmos de luz.
Espamos de desejo, longos e profundos. Profanaste meu corpo fazendo dele a fonte onde saciaste tua sede... Usaste de tuas formas para de mim ouvires as doces palavras pelas quais teus corpo esfomeava em devorar.
Usei-te... não quis seguir as regras pelas quais o Inferno nos impunha... Tornamo-nos um só corpo... por cada gemido lançado à luz da noite, tuas mãos cravadas em meu corpo imploram para que a história não tenha o fim que se avizinha.
Grita!!! Solta de dentro de ti todo o fogo, a raiva, a paixão que te faço acumular.
Usa-me... imploro-te... Escraviza meu corpo com tuas doces formas de Mulher.
Sussurra-me ao ouvido o que queres que te faça, onde te faça sentir meus lábios encarnados e húmidos em teu corpo... Agarro-te... forte... sente meus braços tornar-te impotente.
Adoras... mordes-me... não me magoas... implora... não te soltarei até teu corpo tornar-se erupção de espasmos... de desejo... de Amor... de fogo e Paixão...
Acalmaste e aí inversamente como tudo iniciou, abracei-te... protegi teu ser da imtempérie da noite, do frio e da luz. A escuridão tornou-se em porto de abrigo, para as confissões que agora fazemos... ali... só os dois... na descoberta do desejo... o nosso desejo...

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Saudades (Parte II)

Sinto saudades.
Sim, de ti. De ti que nunca conheci…
Compreendes isso? Essa ausência que me pesa mesmo quando sei que não podes estar porque nunca estiveste.
Pergunto-me o que pensas… O que estarás neste momento a desenhar nas telas da tua imaginação.
Será que ouves o meu voo de Fénix em redor dos teus dedos?
Arrasto os pés em mais uma das minhas viagens. Todos os meus projectos falhados pesam-me nas costas. Mesmo os que não chegaram a nascer.
Como tenho saudades… Das tuas palavras, dos teus beijos, dos teus braços em redor da minha cintura a cingir-me contra o teu peito. Das ânsias pela tua chegada que nunca aconteceu realmente.
Preciso de ti, entendes?
Preciso que me faças de novo acreditar no amor, na chegada de um amanhã mais limpo, mais belo, mais sorridente.
Preciso que inscrevas o meu nome em todas as tuas paredes, inebriado de amor e desejo…
Em noites como esta, solitária, fria, em que os meus braços me apertam num abraço desesperado penso-te também sozinha, perdida em mim e na forma que dás aos meus olhos.
Tenho saudades…
Tenho saudades de mim nos teus sonhos.

A Palavra

Existe uma rivalidade inerente entre a palavra e o som.

A palavra quer ser escrita mas não quer ser declamada.
Ela quer a cobertura serena do silêncio, a solidão inconfessada da leitura clandestina.
A palavra é meretriz. Dá-se sem prazer pelo favor de ser escrita, de finalmente adquirir a forma orgástica da caligrafia.
A palavra é, sem dúvida, imoral.
A palavra fode-se a si mesma. Masturba-se eternamente enquanto aguarda a violação inevitável da caneta.
A palavra odeia-se.
Sabe-se à partida imortal e isso atira-a na angústia silenciosa da falta de amor. O tempo não ama a palavra. Não lhe concedeu, jamais, o doce sabor do fim.
O medo da morte.

A felicidade para o ser precisa dos limites do terror. Precisa saber que amanhã tudo poderá ser vazio.
A felicidade vive na necessidade do vazio.
Ansiosa.
A palavra não conhece felicidade.

A palavra não se conhece.
A palavra precisa da mão do Homem.
Vive subjugada às suas vontades.

Odeia-se.

A palavra vive na esperança do apogeu da palavra última, do ponto final.
Do fim.

...Porque existem coisas que devem ser escritas e nunca ditas.

domingo, dezembro 03, 2006

Beijar-te

Hoje parei para pensar como seriam os teus lábios.

Encarnados fogo rubro do Inferno numa eterna tentação de serem mordidos, lume brando acetinados suaves como algodão a pedirem ser acarinhados!?!?!

Hoje parei para lembrar como será te beijar.

Fechei os olhos... imaginei-me a tocar levemente tua face ruborizada de timidez, olhar-te não com olhos secos que o tempo quebra mas como a luz que acendes à noite e te leva aos lençois...
Sinto ainda o aroma da tua pele a mergulhar no segredo da nossa paixão vagabunda.
- Beija-me...
- Ainda não... Quero te levar a loucura, deixar-te esfomeada por um simples toque meu... Quero te fazer gritar, chorar para no fim te abraçar, apertar contra meu corpo e fazer do beijo o selo eterno de nosso amor.
- Beija-me... leva-me ao inferno e voltar.
- Agarra-me, sente meu desejo mergulhar no teu ser, sente meus lábios nos teus, morde-me... dá voltas e voltas e sente nosso beijo profundo.
- Pára !!!!!! Beija-me...
- Mais do que eu sei? Sabes bem que não sei parar... só te quero sentir... sem nem nunca ter de parar para pensar... como será te beijar!!!

quinta-feira, novembro 30, 2006

Monólogo

- Porque nunca dizes que me amas? Diz-me a verdade… Amas-me realmente?
- Mas duvidas??? Como podes duvidar de algo que te provo todos os dias?
- Porque não mo dizes, não mo espelhas em palavras.
- Quem disse que as palavras são a maior prova de amor que existe?
- Eu só sei sentir em palavras, eu preciso de respirar palavras. Comer palavras.
- Eu nunca fui bom com as palavras e tu sabes isso… Eu não me embrenho nessa maldita poesia que te inunda e te afasta de mim para mundos que não são meus, que não conheço e que invejo… Não compreendes? Que esse mundo teu é um segredo, um pedaço escabroso de ti que eu não consigo conhecer por muito que me esforce?
- Mas eu abri-te a minha poesia…
- Eu abomino poesia! Tu sabias isso quando aceitaste ficar comigo. A escrita repele-me, não entendo o que encontras nessa maldita que não vês em mim… Eu amo-te! Eu sou real! Eu estou aqui e sou carnal e palpável. Não sou um dos teus personagens incompletos.
- Os meus personagens são partes de mim tal como eu sou parte deles. Lamento que não consigas entender isso…
- Tu pressionas-me a dizer-te coisas que eu não te sei dizer.
- Então como posso saber que as sentes?
- Não lês no meu olhar?!
- Não sei ler olhares. Não me peças para ler olhares. Os olhares enganam, deturpam. Eu vejo sempre verde nos olhos mais escuros.
- …
- Não ergas muros de silêncio à nossa volta! Eu lutei tanto para construir este equilíbrio precário que nos envolve, não o derrubes agora com essa facilidade!
- Equilíbrio??? Tu chamas a isto equilíbrio? Daqui a pouco vais dizer que eu não sou ciumento e que isso te faz sentir desconfortável. Fico a pensar que por muito que me esforce nunca te chega.
- Mas é estranho! Eu queria que ao menos por vezes olhasses para mim com ar de quem me quer devorar com medo de me perder. Toda a gente que ama sente medo de perder alguma vez na vida.
- E isso é alguma regra universal?
- Não… Nunca disse que era.
- Esta conversa deixa-me esgotado. Estamos sempre a falar do mesmo.
- Estamos porque nunca se resolve!
- Porque eu não compreendo a tua necessidade de palavras! Eu dou-te afecto ou não…?
- Sim. Mas eu preciso de mais. Mais carinho. Mais atenção. Eu tenho medo!
- De quê? De ser feliz?
- Sim… De ser feliz. Eu não nasci para ser feliz.
- Não digas disparates…
- Não são disparates, são os meus sentimentos! Não me quero agarrar a alguém que me pode abandonar a qualquer momento!
- Eu gostava de ser como os teus amigos poetas mas não sou. Queria dizer-te aquelas palavras românticas mas não consigo.
- Queria apenas que dissesses que sentes saudades minhas. É assim tão difícil?
- Para mim é…
- Então o que fazemos juntos?
- Aprendemos a amar.
- Sem palavras?
- Sem palavras.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Apetece-me chorar de tanta saudade

Escrevo para afastar a ausência.

Eventualmente toda a minha escrita nasce e morre em ti. Corre para ti como um rio para o mar.
O sono abandonou-me. O teu corpo não está deitado na cama com um sorriso rasgado e um convite maroto para me deitar ao teu lado.
Na verdade o teu corpo não está em divisão nenhuma da casa. Está a quilómetros de distância.
E no entanto, tenho o teu perfume a cobrir-me a pele.
Queria poder dizer milhares de vezes todas as palavras que pudessem expressar o que sinto. Nunca as digo.
Quando finalmente reúno coragem para as pronunciar são horas de partires e levares contigo pedaços de mim e da minha escrita.
Fico sempre à espera. À espera que a ponta dos meus dedos falem mais alto que eu. Que os meus braços te enlacem com a força suficiente para tu entenderes que só tu fazes sentido para mim. Que só tu és o meu sentido.
Porquê, meu amor, não te embalo eu na poesia das minhas próprias palavras?
Porque só sei escrever num grito mudo de amor? Secretamente rezo para que me leias, me entendas, me abraces. Me invadas.
Vivo com o medo de te perder preso na garganta, a transpirar-me pelos poros.
O abandono vive-nos nos olhos e não nos lábios. É por isso que te dou os lábios numa fome devoradora e afasto o olhar para sussurrar palavras de amor.
Sou cobarde, amor. Porque tenho medo da intensidade do laço que me une a ti.
E ainda assim, perco-me em ti sempre que te tenho perto. Sempre que penso que me devia manter mais longe, mais fora do alcance da dor, tu apertas-me contra o teu peito e o teu perfume faz-me esquecer a prudência.
O amor não é prudente, penso eu.
O amor é uma faca cravada no coração. Que dói mas nos alimenta.
Tenho as tuas palavras a sangrarem-me dos olhos: "não quero ir amor.. sem ti não consigo dormir".
Eu também não queria ir para lugar nenhum onde tu não estivesses. Mas estou aqui... longe. E no entanto, dolorosamente perto.

"Apetece-me chorar de tanta saudade".

terça-feira, novembro 28, 2006

Os elefantes não voam...

- Disseram-me que sabias voar...
- Soube, por instantes, mas as asas sempre foram muito frágeis e acabaram por quebrar. Não resistiram ao vento forte. Não podes voar com asas de promessa emprestadas durante muito tempo, acabam por rasgar-se, e tu acabas por cair quando o teu sorriso já tinha forma e rosto.
- Mas...
- Não há mas, nem depois. É levantar do tombo sem sacudir o pó das feridas, cerrar os dentes, tomar ainda o gosto a sangue que se têm na boca para que nunca nos possamos esquecer do sabor amargo do momento.
- Então e...
- Deixa de haver espaço para lamentações. Olhas para cima da tua cabeça e duvidas que tenhas conseguido voar, mesmo que nas costas ainda tenhas presas as asas e as sintas a doer, rasgadas pelo vento e partidas pela queda. Voltas a sentir a sensação estranha e incómoda de estar em contacto com o chão, e tens medo de voltar a andar. Por momentos isso parece-te estranho e confuso.
- Mas se...
- Os "se" são como os as traças. Vão comendo aos poucos e poucos. Deixam-te o fato cheio de buracos e quando dás por ti estás nua perante todos, e por mais que tentes esconder a tua vergonha por te mostrares inteira, não és capaz, e andas com dificuldade até ao primeiro esconderijo que encontrares dentro de ti.
- Esperavas...
- Talvez. Confesso-te que sim, que acreditei ser possível continuar lá por cima a pairar e a deixar-me levar pelas correntes do vento quente, talvez tornar-me uma ave migratória e só voltar na primavera, mas não aconteceu assim.
- E...
- E agora? Arrancar o resto das asas pela raiz e deixar que as feridas fechem sem deixar uma cicatriz muito feia. Esquecer-me por uns tempos, ou talvez de vez que andei lá por cima a olhar cá para baixo.
- Se te pedisse ensinavas-me a voar?
- Preferia não o fazer. Sabes, não é por má vontade, mas deixei de acreditar em contos de fadas e histórias de encantar...

segunda-feira, novembro 27, 2006

MEDO

Era uma palavra... Apenas uma palavra e no entanto os meus lábios selaram anos de inconformismo e dor.
Como se o organismo se recusasse a ser feliz, a fazer as coisas bem...
Sabes que deixar de ser "eu", para ser nós é um processo lento e nem sempre bem sucedido.
A mente é dona de estranhos buracos e armadilhas.
Penso que também sabes isso.
Por isso torna-se inútil dizer-te palavras que conheces e mesmo assim recusas entender.
Dói-me lembrar-te ajoelhada a meus pés a implorar perdão por um pecado que nem sabes que cometes. Dói-me porque queres apagar as minhas lágrimas com as tuas.
Era apenas uma palavra... uma palavra a negar a estranha necessidade de ser teu sem o ser.
Sabes que quis fugir? Fugir de ti, fugir do amor que te tenho e me prende as asas... Fugir de ti e consumir-me nesta infelicidade mórbida.
Ainda assim, agarraste-me com força, as lágrimas a escorrerem-te pela face, a desfazerem-te o coração.
Sabes que sou cobarde? Sim... profundamente cobarde.
Estupidamente cobarde e no entanto amas-me assim. Ou aprendeste a amar-me.
Qual das duas foi, interrogo-me... Mas por muito que o faça nunca vou descobrir.
Porque as tuas mãos se selaram em volta das minhas, os teus braços esmagaram a minha cobardia, o meu medo de amar.
Ser feliz nem sempre é fácil, sabias? Ser feliz às vezes também dói. Porque ter-te a meu lado é toda a minha felicidade, a minha única felicidade e no entanto por vezes parece-me tão distante, tão hercúleo.
Mesmo quando abafas as minhas lágrimas nas tuas.
Já te disse que ficas linda quando choras? Na infelicidade também existe poesia. Nos teus olhos perfeitos de lágrimas também existe amor. E por isso é belo.
É nas tuas lágrimas que vejo o meu coração. Porque ele está dentro de ti. Numa profundidade que só as lágrimas alcançam.
Sim... é em ti que vivo e no entanto quis fugir de ti, trazendo a morte no regaço.
Porquê, perguntas-me tu, e deitas-te em mim, e sufocas-me de beijos e amor.
Porque amar-te é a única coisa que não sei fazer. Porque me surpreendo a cada dia com este amor. Porque ele me ultrapassa e me enche de maresia.
E por isso amor, tenho medo. Medo da grandiosidade. Medo de precisar de ti mais do que precisas de mim. Medo de acordar de um sonho e morrer a recordar os teus lábios...
Medo do medo de amar.
E ainda assim, enlaças-me em ti.
Quero-te, dizes tu. E eu sei, estranhamente, que é verdade. Sei... e assim silencio o medo, apago as lágrimas e adormeço em ti.

sexta-feira, novembro 24, 2006

Acordei a sorrir...


Olha-me nos olhos e diz-me o que vês!!!
Não quero me esconder mais neste nevoeiro que tarda em dissipar.
Quero acordar do sono imenso e bocejar para o passado. Mesmo rodeado por 1000 pessoas tardo em deixar-me sentir totalmente só.
Respiro fundo e não consigo chegar ao fim. O nevoeiro tomou-me completamente os pulmões.
Este não é o meu sonho.
Outro dia de Inverno acabado de passar junta-se às páginas acabadas de lacrar e eu... continuo só.
Quero regressar a casa, aquele espaço que nos abraça e protege da intempérie.
Quero um jantar à luz de velas mesmo que acompanhado apenas das sombras quentes que o fogo atiça nas paredes de pedra.
Quero quebrar com os temas proibidos e plantar nesse asfalto de medo uma flôr... de esperança.
Sinto falta do calor de um corpo alheio ao meu. Do toque suave dos cabelos que não os meus.
Quero escrever-te uma carta e colocar-la no correio, mesmo que o endereço seja do fim do mundo.
Por outro lado adoro a minha solidão perfeita.
Ahhhhhhhh como é bom viver, mesmo quando inundado de emoções contraditórias.

quarta-feira, novembro 22, 2006

Palete de Cores

Nem sempre podemos pensar a preto e branco, nem tudo são formulas matemáticas cujo resultado das mesmas é já conhecido, pelo menos, esperado.

Mesmo quando sabemos já saber tudo, algo de inesperado acontece.
O café é derramado naquelas calças acabadas de comprar, chove no dia em que decidimos sair sem guarda-chuva, vamos as compras e ops, esqueci de levar dinheiro e o cartão de crédito, e por vezes... dizem-nos ao ouvido o quanto importante somos para alguém.

Mesmo quando queremos apenas escrever a preto numa folha branca, o melhor mesmo, é escrever a cores.

Já imaginaram as minutas de um advogado ou de um juiz escritas a crayons? As páginas do nosso livro favorito escritas a 1000 cores...

A magnitude das variáveis com que no dia-a-dia nos deparamos são infindáveis...

Por isso, quando menos esperamos... de um momento para o outro... somos a palete de cores de um pintor que incansávelmente se recusa a trinchar a sua tela branca.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Manifesto ao Ódio

Estou tão preso dentro de mim mesmo, e tão livre ao mesmo tempo. Às vezes eu penso que sou especial porque entendo e aceito tudo, mas às vezes acho que apenas tenho uma sensibilidade aflorada, imensa, quase que inacreditável, mas me falta a capacidade de entende-la. Esta é a minha prisão.

Meu desespero não é maior ao de qualquer outra pessoa, mas a cada dia que passa, mais me consciencializo dele, e ele me inunda. Meu “dom”, diferente de outros dons alheios, não pode ser contabilizado: ele serve apenas para me mostrar o quanto sou pequeno e incapaz. Não gosto da minha aparência, da minha voz, e principalmente do meu passado. Vivo apenas de sonhos, fantasias e adequações. Amo a todos, mas vivo preso a valores quase todo o tempo. Não sou capaz de dar a minha vida para salvar uma mosca mesmo sabendo qual a mais valiosa. Por outro lado, eu acabaria com a minha vida se EU quisesse. Mas a amo tanto! A mosca.

Agrido-me todo o tempo por não aceitar a minha condição neste mundo, e não estou falando fisicamente - apesar da cicatriz. Tenho sorte? Como posso personificar a diversão e a felicidade que me são impostas? Apenas copiar o modo de vida de pessoas que não sabem a diferença entre uma lágrima de tristeza e uma lágrima de decepção, e isso não me é suficiente. Deveria dizer basta! Mas não chegou a hora.

Pois bem: custo e benefício. De quem?

Sugeriram-me que eu usasse o que eu passei a chamar de “teoria do foda-se”. Simples: Parar de ser quem eu gostaria e passar a ser eu mesmo, e quem não gostar... Uso a teoria. Qual a importância disso? Qual o sofrimento que eu posso causar? E se der certo? E se alguém tiver a capacidade de me amar assim como eu sou? E se esse alguém for eu? Foda-se?

Perguntas, perguntas e perguntas. Sem respostas.

Pois bem. Apago neste momento todas as minhas verdades. Elas não me serviram para nada mesmo... Melhor ser louco, e mesmo preso sentir-me livre. Não tenho como voltar no passado para arrumar as coisas erradas que eu fiz, e não sei se consigo aceita-las, então deleto tudo. Fim.

Ah devaneios! Quisera eu que fosse tão fácil.

Porque falar de mim? Porque eu deveria ser assim tão especial? Não passo de um idiota que pensa que é esperto. Minha dor não é maior que a dor de ninguém. Sou apenas um louco que finge ser normal para não sofrer um pouquinho, pois tenho medo de sofrer... Pouquinho!

Minhas ex, tão amadas, se foram... E bastou isso para que eu descobrisse que não as amava, e que não as merecia. Não dou valor a coisas que outras pessoas agradecem aos céus. Minha religiosidade é nula. Cativo e saio magoado, e uso contra isso a arma mais covarde que eu tenho, a capacidade de usar: Meu dom.

Não cheguem perto. Não me chamem de amigo, de querido e muito menos de amor. Não pensem que sou especial porque se vocês acreditarem nisso, por um segundo que seja, serão feridos e irão sofrer. No fundo, de tanto amor, eu lhes odeio.

Me odeio a mim mesmo.

terça-feira, novembro 07, 2006

Perdi um Amigo

Descobri que afinal é possivel perder um amigo.

Perdido não num qualquer jogo de fortuna ou azar.
Perdi um amigo na roleta da vida, no jogo dos infortúnios, onde supostamente as apostas não deveriam nunca cessar.

Como é possível perder um amigo?

Supostamente um amigo é aquela pessoa que nos acompanha nos melhores momentos e que marca presença nos momentos menos bons da vida.

Mas descobri que um amigo também sente aquilo que sentimos e que por isso será sempre permeável a mentiras e enganos.

Descobri que um amigo, tal como nós, detesta a traição.

Descobri que também se enganam os amigos como forma de nos arremessarem a pedra mais pesada que se possa encontrar.

Também se enganam os amigos para se quebrarem os laços que os unem.

Mas supostamente o amigo deveria ser imune ao veneno da cobra matreira, mas acontece que tal como nós, um amigo também sente e estando magoado, perece e se perde.

Perdi um amigo e estou triste...

quarta-feira, novembro 01, 2006

No Trilho inCerto


Acredito que o Inferno fica na ponta do trilho incerto, e que o céu nos acompanha na viagem de ida.

A qualquer instante, no descarrilamento de nossas vidas, esquecemo-nos donde vimos e para onde vamos.

Resta-nos arrastar de novo aos trilhos certos, e devagar, ganhar lanço, e gritar com os pulmões cheios de raiva...

Não há curvas nos trilhos que pisamos.
São os descarrilamentos que nos fazem perder tempo e paciência.

Resta-nos assim pisar terreno incerto, areias movediças, e ao longo do tempo aprender os sinais de como as evitar.

Raios partam estes trilhos cujos parafusos e porcas teimam em desaparafusar.

Raios partam o céu e o inferno que comungam o mesmo trilho.

sexta-feira, outubro 27, 2006

segunda-feira, outubro 23, 2006

DESTINOS...

Sydney à noite

HongKong à noite

Tokio à noite

Moscovo à noite

Ibiza à noite

Roma à noite

Luxemburgo à noite

Berlim à noite

Londres à noite

Dublin à noite

Paris à noite

Barcelona à noite

Ankara à noite

Ribeira do Porto à noite

Lisboa à noite


Distorcido...

Acordei e contemplei o Mundo da minha janela...